Conheça a história dos bairros São Bento e Santa Lúcia, em BH

Antes dos loteamentos, área era uma das responsáveis pelo abastecimento da capital mineira. Hoje, leis que restringem a verticalização garantem boa qualidade de vida para os moradores. Melhorar o acesso é um dos desafios para os próximos anos

por Rafael Campos 18/05/2017 14:26

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Cláudio Cunha/Encontro
Vista geral do Santa Lúcia e São Bento: casas e prédios de alto luxo convivem em harmonia (foto: Cláudio Cunha/Encontro)
No bairro Santa Lúcia, as ruas têm nome de planetas, cometas e constelações: Terra, Halley, Câncer. No vizinho São Bento, as vias homenageiam figuras de prestígio: Helena Antipoff, Arthur Bernardes e Antônio Cadar. É assim que ambos os bairros são apresentados aos visitantes pelos anfitriões. E, de fato, é a melhor forma para identificá-los, uma vez que os limites de ambos se confundem. Também pudera. Os bairros faziam parte de uma mesma fazenda, chamada de Ilydio Ferreira da Luz, terra onde também funcionou a colônia agrícola Afonso Pena, que abastecia a recém-criada Belo Horizonte.

O Santa Lúcia apareceu antes que o vizinho. Seus primórdios datam de 1928, quando os primeiros loteamentos foram aprovados. Ele só começou a tomar forma, contudo, a partir de 1940. A empresa Bairro Santa Lúcia Ltda. havia comprado os terrenos para iniciar a comercialização. As vendas foram um sucesso, mas a ocupação não acompanhou. "Aqui era só terra e poucos achavam que ia dar em alguma coisa", lembra o escrivão Ramiro de Oliveira, de 72 anos, que mora há 45 na região. De acordo com ele, os primeiros lotes colocados à venda tinham o mínimo de 480 metros quadrados.

Rogério Rezende/Arquivo pessoal
Começo da urbanização do São Bento, na década de 1970: nessa época, ele foi desmembrado do Santa Lúcia, que teve loteamento aprovado em 1928 (foto: Rogério Rezende/Arquivo pessoal)
O crescimento veio rápido, a partir da abertura da avenida Prudente de Morais, sobre o córrego do Leitão, na década de 1970. "A expansão foi vertiginosa", afirma Lucimar Lisboa, presidente da Associação dos Moradores do Santa Lúcia. Veio o progresso e o bairro ganhou vida própria. Hoje, alguns problemas começaram a aparecer, como no trânsito. "Nosso grande problema ainda é o acesso", diz a presidente da associação. Conforme Lucimar, existe um projeto antigo de dar continuidade à avenida Terra para que ela alcance a avenida Raja Gabaglia, mas ainda sem data para ser executado. Com data mesmo só a via do Bicão, que terá 600 metros de extensão e ligará a barragem Santa Lúcia à avenida Nossa Senhora do Carmo. A obra, que vai cortar o aglomerado Santa Lúcia, foi anunciada em abril pelo prefeito Alexandre Kalil e deve ser concluída no meio do ano que vem.

Dos dois bairros, o Santa Lúcia é o que responde pela grande maioria dos projetos imobiliários, já que lá é permitida verticalização, desde que os apartamentos tenham o mínimo de 180 metros quadrados. Além disso, o coeficiente de aproveitamento (CA) do terreno é 1. Isso significa que num terreno de mil metros quadrados é permitido construir até uma vez a sua área. Atualmente, em alguns bairros é permitido construir até 2,7 vezes a metragem do terreno. "Essa restrição é ótima, pois mantém o adensamento controlado, o que ajuda a consolidar a boa qualidade de vida na região", diz Breno Donato, vice-presidente das corretoras de imóveis da Câmara do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG). De acordo com o especialista, em média, o valor do metro quadrado é de 9 mil a 10 mil reais.

Alexandre Rezende/Encontro
Rogério Rezende, presidente da Associação Pró-Moradores São Bento: "Aqui, o melhor são as pessoas" (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
Nos próximos quatro anos, a construtora EPO pretende investir cerca de 100 milhões de reais no bairro. "Já adquirimos os terrenos, e os projetos residenciais e comerciais estão na fase de projetos", diz Eduardo Luiz Silva, diretor comercial da empresa que tem sede no Santa Lúcia. A empresa ergueu em 2010 um dos marcos imobiliários da região, o edifício Parc Zodiaco, desenhado pelo arquiteto Gustavo Penna. A torre tem 22 pavimentos e altura de 70 metros. Mas o grande atrativo é o elevador para carro, que leva o veículo para a porta do apartamento. "Foi o primeiro prédio residencial com tal comodidade a ser inaugurado no estado", afirma o diretor. A empresa participou ainda de outros projetos importantes como a construção, em 2003, do Falls Shopping, na rua Klepler. "Na época, aquela parte do bairro não tinha nada. Hoje, o centro de lojas atende todo o bairro", diz Eduardo. Para esse empreendimento, a EPO e a PHV Engenharia foram parceiras.

A PHV Engenharia, aliás, continua de olho no bairro. Já são pelo menos 15 edificações com a marca da construtora. Atualmente, a empresa está trabalhando em vários projetos. Um deles é de um prédio que vai oferecer apartamentos de 500 metros quadrados, ainda em fase de aprovação. Este ano, será inaugurado o edifício comercial Beethoven, na rua Denver, com oito pavimentos. "Trata-se de uma região com grande potencial para escritórios e lojas", diz Mário Cunha, diretor comercial e financeiro da PHV.

Alexandre Rezende/Encontro
Lucimar Lisboa, presidente da Associação dos Moradores do Santa Lúcia: "Nosso grande problema ainda é o acesso" (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
O presidente da Associação Pró-Moradores do Bairro São Bento, Rogério Rezende, lembra que o bairro foi desmembrado do Santa Lúcia na década de 1960, quando a Construtora Pampulha - de propriedade da família Simão - adquiriu os terrenos. A grande diferença do vizinho é que o São Bento tem, predominantemente, casas, por estar inserido em Área de Diretrizes Especiais (ADE). A origem do nome do bairro tem duas versões. Uma se refere ao pai dos empreendedores, Bento Simão, e a outra se refere ao Mosteiro Nossa Senhora das Graças, das irmãs beneditinas, que vivem enclausuradas, na Vila Paris. Aos domingos, principalmente, a paróquia São Bento, cuja arquitetura pouco usual chama a atenção, é o ponto de encontro tanto dos moradores do São Bento quanto do Santa Lúcia. Ela foi construída em 1986 e desenhada pelo arquiteto Roberto Simão, também da família que deu origem ao bairro.

No início da manhã, a bem cuidada e arborizada avenida Bento Simão, paralela à Consul Antônio Cadar, é parcialmente fechada para os adeptos da caminhada. "E as mulheres mais bonitas estão lá", afirma Rogério. Para ele, o bairro guarda traços interioranos. "Aqui, o melhor são as pessoas." Não é raro escutar moradores dizerem "passa lá em casa para um cafezinho". O comércio é completo, ou melhor, faltam bancos. No Santa Lúcia ou no São Bento não há agência bancárias. Mas os moradores não ligam muito para isso, já que o principal capital da região é o humano.

Google Maps/Divulgação
(foto: Google Maps/Divulgação)

Últimas notícias

Comentários