Conheça o padre Alexandre, da Paróquia Nossa Senhora Rainha, no Belvedere

Sob a batuta do sacerdote são mais de 7 mil fiéis por fim de semana, 800 voluntários e 40 funcionários. Está em processo, ainda, a criação de nova comunidade no Vale do Sereno, cuja capela provisória já tem espaço para 500 pessoas por missa

por Marina Dias 11/05/2017 14:50

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Paulo Márcio/Encontro
Padre Alexandre durante uma das celebrações da paróquia Nossa Senhora Rainha, na qual está desde 1998: "Quis construir laços com as pessoas que estavam aqui, buscando a confiança das famílias" (foto: Paulo Márcio/Encontro)
O céu ainda está escuro, as ruas não têm carros, faz frio. Pouco a pouco, pessoas vêm chegando a passos largos – fugindo do vento do outono, para o qual não vieram preparadas. Apressam-se para não chegarem atrasadas à missa penitencial, celebração especial que acontece todas as sextas-feiras da Quaresma, às cinco e meia da manhã. Vão se aconchegando nos assentos do salão principal da igreja, que, no horário marcado para o início do rito, já está cheio.

Engana-se quem pensa que o horário inibe o público. São mais ou menos 700 pessoas engajadas em começar assim o dia, no silêncio da aurora combinado com o som da voz suave e tranquila do padre Alexandre Fernandes, pároco da Nossa Senhora Rainha, no Belvedere. Esse rito especial acontece na quaresma há mais de uma década, e os fiéis não desanimam. Na verdade, para muitos, o evento já faz parte do calendário anual. É assim para o dentista Carlos Jaime Machado, que frequenta essa missa com sua mulher, a também dentista Cláudia Jaime, há 12 anos. "Dessa maneira, começamos mais cedo o encontro com Deus. Amanhecemos em silêncio, assistindo ao privilégio de o dia nascer", diz. "E não só nós pensamos assim. A cada ano, a missa nesse horário tem ficado mais cheia."

Ronaldo Dolabella/Encontro
Missa de domingo, 10h30: quem não chega com antecedência tem de assistir aos ritos sentado nas escadas, em pé nas laterais da igreja ou do lado de fora (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Mas não é só o público da celebração da madrugada que impressiona na paróquia. Em qualquer domingo do ano, todas as cinco celebrações – realizadas às 8h30, 10h30, 12h, 17h45 e 19h30 – costumam ficar lotadas. Quem não chega com antecedência já sabe: tem de assistir aos ritos sentado nas escadas, em pé ao longo das laterais da igreja ou do lado de fora (onde costumam funcionar telões que transmitem as missas). Há também quem se sente no gramado externo, desde que deixaram de colocar cadeiras extras, a pedido do Corpo de Bombeiros. A estimativa da paróquia é de que mais de 7 mil pessoas passem pela igreja nos fins de semana. Os fiéis enfrentam congestionamentos no entorno do número 227 da rua Modesto Carvalho Araujo também nas noites de terça-feira. É dia do grupo de oração com palestra da pediatra Filomena Camilo do Vale, mais conhecida como doutora Filó, que atrai pessoas até de fora de BH. É nesse dia que acontece, ainda, o encontro do Perseverança, grupo dos jovens de 10 a 15 anos, que conta cerca de 300 membros por reunião.

Quem está à frente dessa comunidade que só cresce é o abre-campense Alexandre Fernandes de Oliveira, de 50 anos. Mais novo de oito irmãos, oriundo de família católica – sua casa, na infância, ficava ao lado da igreja, que frequentava semanalmente –, padre Alexandre conta que sua vocação é antiga. Diz que estava certo de seu dom desde a primeira confissão, na primeira eucaristia, aos 7 anos de idade. A partir de então, foi trabalhando em direção a seu caminho na Igreja Católica. Após concluir o ensino médio, já em BH, cursou história e decidiu entrar para o seminário. Passou um ano em Bragança Paulista (SP), onde fez o noviciado (período da formação de um religioso que precede a emissão dos votos), e logo depois retornou a BH para o curso de teologia. Começou também a cursar psicologia, apesar de não ter chegado a se formar.

Paulo Márcio/Encontro
Raquel Virginia Gomes, cirurgiã plástica, com o marido, o proctologista Fábio Lopes, e os filhos Bernardo, de 12 anos, e Guilherme, de 10, moradores do bairro de Lourdes (foto: Paulo Márcio/Encontro)
Aos 24 anos, foi ordenado padre e começou a carreira na igreja Nossa Senhora Consolação, no bairro Santo Agostinho. Foi diácono por três meses e, logo depois, designado pároco. Ficou ali por quatro anos. Sua segunda paróquia já foi a Nossa Senhora Rainha, onde chegou em 1998, para ficar um ano. Está ali desde então. Cerca de 25 famílias frequentavam a Nossa Senhora Rainha no fim da década de 1990. Nada comparado às multidões que hoje frequentam as diversas atividades da paróquia. Decerto, o público cresceu junto com a ampliação do bairro – na época em que chegou o abre-campense, ainda começavam os prédios do chamado "Belvedere 2". No entanto, o sacerdote também teve seu mérito: fez de sua missão engajar-se com a comunidade e trabalhar incessantemente para angariar mais fiéis. "A comunidade estava machucada, pois um padre muito querido havia saído, após redimensionar sua vida para o matrimônio", conta.

Depois de alguns párocos substitutos, que ficaram por poucos anos ou meses cada um, ele foi quem de fato permaneceu. "Quis construir laços com as pessoas que estavam aqui, buscando a confiança das famílias", afirma. "Fui visitando suas casas, aumentando gradualmente o número de missas, incentivando e multiplicando as atividades", completa. Deu certo. Desde então, fiéis, participantes e voluntários não faltam.

Lucas Hallel/Encontro
Pollyanne Boczar, empresária, com o marido, Dimitry Boczar, engenheiro, moradores do bairro de Lourdes (foto: Lucas Hallel/Encontro)
"O padre Alexandre é uma pessoa tímida, mas tem um carisma natural muito grande. Ele foi capaz de mudar o perfil da igreja. Antes, era vazia, o pessoal do bairro não ia muito à missa nem participava de outras ações", afirma a cirurgiã plástica Raquel Virginia Gomes, frequentadora assídua das missas do pároco  – e que sai do bairro onde mora, Lourdes, para ir à igreja do Belvedere com seu marido, o proctologista Fábio Lopes, e os filhos Bernardo, de 12 anos, e Guilherme, de 10. "Desde que o ouvi pela primeira vez, não parei de vir aqui", afirma. A admiração pelo pároco é grande e não é raro que fiéis o convidem para encontros e se tornem amigos fora do ambiente da igreja. Sempre discreto, é nesses momentos que o padre Alexandre sai para comer uma pizza ou vai a um bom restaurante. No mais, diz, come pouco e sempre de forma saudável (não à toa, é esbelto e não aparenta os 50 anos de idade). Seus hobbies são mesmo ficar em casa lendo ou ouvindo música – do sertanejo a compositores clássicos –, além da rotina diária de exercícios, que para outros pode parecer árdua, mas ele garante que gosta: corre três vezes por semana e faz pilates outras duas.

É mesmo o trabalho que o ocupa quase o tempo todo, e a palavra folga é rara em seu vocabulário. São de nove a 12 horas diárias envolvido com atividades religiosas. Isso porque, além de celebrar missas todos os dias (exceto às segundas-feiras), dirige a produtora da igreja e faz questão de estar a par de todos os projetos da paróquia. "É preciso saber delegar, mas me encontro sempre com os coordenadores dos projetos", diz. É ainda capelão do hospital Biocor e assessor de pastoral do colégio Magnum Agostiniano.

Gláucia Rodrigues/Encontro
André Medrado Aroeira, empresário, com a filha, Maria, e a mulher, Lúcia, moradores de Nova Lima (foto: Gláucia Rodrigues/Encontro)
O trabalho duro, especialmente na igreja, reverbera por toda a cidade. Segundo o sacerdote, 65% dos fiéis vivem na região de abrangência da paróquia (que envolve Belvedere e condomínios de Nova Lima). Contudo, há muitas pessoas de outros bairros que vêm para prestigiar as celebrações da Nossa Senhora Rainha. A empresária Pollyanne Boczar e seu marido, o engenheiro Dimitry Boczar, saem de Lourdes todo domingo em direção à paróquia há 10 anos. "É uma igreja muito viva. Diariamente há atividades para quem quer se envolver. Que bom seria se toda igreja católica fosse como ela, em termos do que oferece aos cristãos", afirma Pollyanne, que, além de missas, já frequentou estudos bíblicos, seminários e encontros de casais.

A  empresária, aliás, diz que as atividades da igreja a fizeram se sentir amparada durante um difícil momento da vida. "Quando precisei, cada vez que fui até a igreja me senti muito fortalecida", explica ela, que passou seis meses morando em São Paulo e não encontrou essa mesma acolhida por lá. "Percebi muita diferença. Não vi lá uma igreja que me oferecesse tanto. Tenho orgulho de falar que a paróquia de que faço parte oferece tantas oportunidades de estarmos perto de Deus", afirma.

Ronaldo Dolabella/Encontro
Padre Alexandre, com alguns dos adolescentes e jovens da paróquia: milhares de meninos e meninas participam das atividades da igreja (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
De fato, as atividades realizadas pela igreja são quase incontáveis. Desde os encontros de convivência (72 células paroquiais de evangelização, a escola de casais, os sete grupos de jovens, grupo de convivência para a terceira idade e grupos de oração, entre outros) até as ações sociais (doações de alimentos e materiais para instituições, convivência em lares de idosos, trabalho com moradores de rua, cursos de capacitação e geração de renda, acompanhamento escolar, assistência jurídica, manutenção de um ambulatório que atende a quase 7 mil pessoas de baixa renda por ano, etc.), o projeto de evangelização é vasto. Para realizá-lo, a paróquia conta hoje com cerca de 800 voluntários.

Segundo Moninha Quintero, coordenadora da rádio da paróquia, amiga e colega de trabalho do padre Alexandre há mais de 20 anos, o principal motivo para esse envolvimento do público é justamente o perfil do pároco. "Ele é um homem visionário", diz. "Tem o dom para levantar talentos, perceber as qualidades de cada um e colocar todo mundo para trabalhar", completa. As pessoas próximas garantem que ele realmente enxerga longe. Vislumbra projetos que, à primeira vista, parecem ambiciosos demais ou de difícil execução, mas que, no fim das contas, dão certo. Um exemplo é o congresso Mulheres na Linha, Homens com Foco, que está na quinta edição. Na última, realizada em março, participaram cerca de mil pessoas. Nessas cinco edições, o congresso trouxe palestrantes para discutir questões relativas não apenas à religião e ao catolicismo, mas também à formação humana, como o filósofo Leandro Karnal, o empresário Sérgio Cavalieri, a atriz Myriam Rios, o padre-celebridade Fábio de Melo e o cantor Leo Chaves, da dupla Victor e Leo.

Ronaldo Dolabella/Encontro
Lavínia Wiermann, jornalista, com o marido, o administrador Willer Wiermman, e as filhas Laís, de 6 anos, e as gêmeas Laura e Luiza, de 3, moradores do Buritis (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Talvez por essa ousadia, visão e gosto pelo trabalho do sacerdote, a paróquia tenha saído de um quadro de apenas um funcionário, quando padre Alexandre chegou, para os atuais 40. Vários desses estão na comunicação. A igreja possui uma produtora, que realiza programas televisivos reproduzidos na TV Horizonte, TV Canção Nova, TV Aparecida, TV Evangelizar e TV Imaculada. Os profissionais produzem ainda material impresso e tocam o canal de rádio NSRainha, além de terem uma atuação forte na internet e nas mídias sociais. Padre Alexandre está à frente de todos esses projetos, mas não fica sob os holofotes em nenhum.

Apesar de não ser um padre midiático, sua popularidade está entre as mais altas de BH. "Ele é um pastor: cuida de todo mundo", diz doutora Filó. "Tem uma abertura imensa para os jovens, é um grande comunicador e está antenado com questões do momento para trabalhar com as pessoas." Para a jornalista Lavínia Wiermann, a sensação de pertencimento à comunidade que o padre é capaz de incutir nas pessoas é o segredo do rebanho tão volumoso. "Nós nos sentimos como uma família aqui na paróquia", afirma ela, que vai sempre à missa com o marido, o administrador Willer Wiermman, e as filhas Laís, de 6 anos, e as gêmeas Laura e Luiza, de 3. "Ele não precisa de redes sociais. Só no boca a boca já consegue fazer conhecer o trabalho da paróquia", completa ela, que mora no Buritis.

Ronaldo Dolabella/Encontro
Tiago Eyer, administrador, com sua namorada, a jornalista Daniela Abritta, moradores do Buritis (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Crianças e jovens são parte significativa dos fiéis. Aos domingos, enquanto os pais acompanham as celebrações, os pequenos ficam no Cantinho do Céu, espaço em que brincam, desenham e aprendem histórias e princípios bíblicos. A partir dos 10 anos de idade eles também têm seu espaço para rezar, estudar a religião e se relacionar com colegas nas atividades voltadas para crianças, adolescentes e jovens adultos. Segundo o designer Thacio Freitas, de 29 anos, coordenador do grupo de jovens Fanuel, cerca de mil fiéis participam semanalmente das atividades desse projeto, dividido em sete subgrupos, de acordo com idades e objetivos, e organizado por 125 voluntários. "O Fanuel foi criado pelo padre Alexandre, há 16 anos, e seu propósito é ser feito por jovens e para jovens", explica. "Pregações, palestras, organização de visitas sociais, tudo isso é feito por nós." Entre os projetos sociais estão visitas a creches, asilos e abrigos, trabalho com moradores de rua e missão para o Norte de Minas com o objetivo de distribuir alimentos – além de nove retiros por ano.

Tamanha quantidade de atividades, demandas e fiéis exige, de fato, uma equipe grande. Além do aumento na quantidade de funcionários desde a entrada de padre Alexandre, cresceu a equipe de religiosos. Quando chegou à paróquia, era apenas o padre Alexandre a rezar missas e realizar as atividades de sacerdócio. Atualmente, a igreja conta também com padre Luís Henrique Eloy, que está no Belvedere desde o início de 2015, e o recém-chegado padre Leonardo Pessoa, que começou no final de março passado, depois de voltar de uma temporada de sete anos e meio estudando na Itália.

Paola Moreira/Divulgação
O vigário paroquial Luís Henrique Eloy, professor de exegese da Bíblia em duas faculdades: "Sinto minha vocação desde os 11, 12 anos" (foto: Paola Moreira/Divulgação)
As missas do padre Luís Henrique são tão disputadas quanto as do pároco, e ele é considerado por muitos fiéis um dos melhores oradores da cidade – e responsável pelos melhores sermões de BH. O empresário André Medrado Aroeira, frequentador da igreja, é um dos que têm essa opinião. "Padre Luís Henrique é o maior orador que eu já presenciei. Ele incute reflexão em cada missa que celebra", diz. "Além disso, é muito preparado, tem feito palestras interessantíssimas e arrebanhado muita gente." Pollyanne Boczar também admira as celebrações do padre, que, segundo ela, fazem refletir bastante sobre o nosso papel no mundo. "Suas missas são sempre um grande aprendizado. Sua vinda para o Belvedere fortaleceu a igreja ainda mais", diz.

O bom currículo dos religiosos é um dos pontos apreciados por diversos frequentadores. Os padres Luís Henrique e Leonardo são dois dos três únicos brasileiros com o título de doutor em ciência bíblica concedido pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma. "Isso diz como essa comunidade tem sede por formação", explica padre Leonardo. "Em uma de minhas primeiras missas, algumas pessoas já me perguntaram sobre quando faríamos algum novo curso."

Gláucia Rodrigues/Encontro
Leonardo Pessoa está na igreja desde o final de março, depois de sete anos na Itália: "Meu interesse não é que o fiel se lembre tanto do padre Leonardo, mas de algo que o tenha tocado no evangelho" (foto: Gláucia Rodrigues/Encontro)
Segundo ele, o número de fiéis é grande pois envolve não apenas as pessoas da "jurisdição" da igreja e aqueles que não se encontraram em outras paróquias, mas também fiéis que frequentam outras igrejas e que vão à Nossa Senhora Rainha para participar da formação que é oferecida lá. "Muitas paróquias não conseguem nem sonhar com esse tipo de estrutura que existe na Nossa Senhora Rainha, com o grau de profissionalismo na gestão e equipe", afirma. "Além da possibilidade material da comunidade, isso é sinal da capacidade de padre Alexandre de organização e sua intuição de que precisamos ser profissionais em certas coisas."

A Arquidiocese de BH reconhece o bom trabalho desenvolvido na paróquia Nossa Senhora Rainha. "Pessoas de diferentes partes da região metropolitana se unem para anunciar o evangelho e testemunhar a fé, principalmente a partir de importantes trabalhos dedicados aos mais pobres", diz o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo. "Agradeço aos caríssimos sacerdotes que integram a paróquia, vivendo com alegria a missão de servir, seguindo os passos do Mestre Jesus, bem como a todos os fiéis que nos ajudam na construção de uma Igreja servidora, dedicada a tornar o mundo mais solidário e justo." E não pense que, por serem três padres, a agenda deles fica mais folgada. Estão sempre envolvidos com compromissos relativos à igreja. Na Quarta-feira Santa, por exemplo, acontece uma espécie de "plantão" de confissão individual (que, em situações normais, ocorre apenas com hora marcada). Trinta minutos antes do horário de início do plantão deste ano, 15h, já havia 20 pessoas na espera e senhas haviam sido distribuídas.

Eles também precisam se desdobrar entre a igreja do Belvedere e a recém-fundada comunidade Bom Jesus do Vale, no Vale do Sereno, criada para atender aos fiéis da região. Atualmente, as missas são feitas em uma construção provisória, mas com capacidade para cerca de 500 fiéis. O terreno, de 5 mil metros quadrados, foi doado pela Vale do Sereno Empreendimentos Ltda. há três anos, e é onde será construída a capela definitiva. O projeto é de autoria do arquiteto Gustavo Penna e já está protocolado na Prefeitura de Nova Lima, aguardando aprovação. Atualmente, são celebradas missas às 10h nos domingos. Para quem veio para ficar um ano, a missão de quase 20 tem sido mais que abençoada.

Paulo Márcio/Encontro
Carlos Augusto Jaime Machado, dentista, com a mulher, a também dentista Cláudia Jaime (foto: Paulo Márcio/Encontro)
Equipe de peso

Para dar conta de todas as atividades religiosas propostas pela paróquia Nossa Senhora Rainha – e agora também na comunidade Bom Jesus do Vale –, padre Alexandre conta, atualmente, com dois vigários paroquiais, Luís Henrique Eloy e Silva e Leonardo Pessoa.

Foi Luís Henrique Eloy e Silva quem chegou primeiro, em fevereiro de 2015. Rapidamente, tornou-se querido pelos frequentadores da igreja, que celebram sua oratória contundente e seu conhecimento ímpar da Bíblia. Resultado é que suas missas são sempre lotadas e seus sermões são até gravados pelos fiéis durante o rito. E isso não é à toa: ele tem mesmo um currículo respeitável. Bacharel em teologia pela PUC-Rio e mestre e doutor em ciência bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, o padre natural de Nepomuceno também é membro da Pontifícia Comissão Bíblica no Vaticano, coordenador da revisão final da tradução da Bíblia da CNBB, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da CNBB e professor de exegese do Novo Testamento em duas faculdades. "Meus pais diziam que eu queria ser padre desde criança", lembra. "Eu mesmo sinto essa vocação desde os 11, 12 anos."

Ronaldo Dolabella/Encontro
Moninha Quintero, coordenadora da rádio NSRainha (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Padre Luís Henrique ocupa um posto importante: é um dos três únicos brasileiros com o título de doutor em ciência bíblica concedido pelo Pontifício Instituto. Outro desses três é justamente padre Leonardo Pessoa, novo vigário paroquial da Nossa Senhora Rainha. Ele está na igreja desde o final de março, após uma temporada de sete anos e meio na Itália, onde cursou mestrado e doutorado - este conquistado com o título Summa Cum Laude.

Antes de entrar no seminário, padre Leonardo cursou direito na UFMG, e foi justamente durante a graduação que se decidiu, de fato, pela vida religiosa. Depois de se formar, foi então para o seminário. Após ser ordenado, em 2007, e antes de ir para a Itália, trabalhou nas paróquias São Domingos de Gusmão, no bairro Ribeiro de Abreu, e Nossa Senhora da Paz, no Guarani. Tímido e discreto, é da opinião de que o que deve transparecer nas missas não é a personalidade do padre, mas sua mensagem. "Meu interesse não é que o fiel se lembre tanto do padre Leonardo, mas de algo que o tenha tocado no evangelho", diz.

Subordinados ao pároco, os vigários celebram missas, atendem confissões, fazem sacramentos, pregam em seminários e ajudam o sacerdote no que for necessário. Como ambos exercem outras atividades durante a semana, dando aula e estudando, os ritos de terça a sexta ficam a cargo de padre Alexandre. Já no sábado e domingo, todos dividem os horários das missas.

Últimas notícias

Comentários