Lourdes é o bairro de BH com maior número de lojas de grife

Com o metro quadrado mais caro da capital, a região possui diversos estabelecimentos comerciais de luxo

por Carolina Daher 28/06/2017 13:35

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Ronaldo Dolabella/Encontro
A publicitária Joyce Palhoni, cliente da Le Lis Blanc: "Minha vida gira em torno do bairro" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Parafraseando o compositor Rômulo Pais, que um dia disse "minha vida é esta, subir Bahia e descer Floresta", a rotina de quem ama moda é subir Rio de Janeiro e descer São Paulo. Nessas duas ruas está localizado o maior reduto de lojas de luxo da cidade. É a nossa Oscar Freire. Lado a lado, marcas poderosas oferecem o melhor que o dinheiro pode comprar. Além das vitrines reluzentes, o bairro convida para um café ou, ainda, um almoço caprichado em um dos muitos restaurantes grifados que se debruçam por suas calçadas. "Meu universo gira em torno do bairro, que reúne os endereços que eu frequento", diz a publicitária Joyce Palhoni, moradora de Alphaville. "Ainda que não se esteja querendo comprar nada, ir a Lourdes é um passeio." Imponentes casarões do início do século XX que resistiram à sede imobiliária e largas ruas arborizadas garantem um charme próprio. "Criou-se ali um shopping a céu aberto", afirma Danielle Rocha, gerente executiva do Sindilojas-BH. São cerca de 1,4 mil estabelecimentos comerciais espalhados pelo bairro. "Existe uma valorização do comércio de rua e, com isso, serviços que garantem conforto ao consumidor, como manobristas."

Com 48 anos de existência, a ZAK abriu sua loja no bairro em 2012. Hoje, é a flagship store, ou seja, a unidade onde a essência da marca está representada de uma maneira inovadora. "Temos exclusivamente aqui alguns serviços como café espresso e uísque para os clientes, além de provador VIP, com muito mais espaço", diz o CEO, Bruno Nunes. Para ele, o maior diferencial da loja de Lourdes para as outras 11 espalhadas pela cidade é exatamente atender quem procura exclusividade e conforto. "Muitos dos nossos clientes não gostam de frequentar shopping e sabem que aqui vão chegar, entregar o carro para o manobrista e ter um atendimento personalizado", afirma. São 3.800 clientes cadastrados, que acham nas araras itens que variam de 39 reais (par de meias) a 4 mil reais, um terno assinado pelo estilista Ricardo Almeida.

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DiamondMall, inaugurado em 1996: 9 milhões de visitantes em 2016 (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Para Bruno, Lourdes ganhou essa aura de luxo quando os shoppings se proliferaram pela cidade, em meados da década de 1980. Assim, a Savassi perdeu muitos de seus lojistas e acabou virando um centro de comércio mais popular. Quem já atendia um público classe A e não se rendeu aos centros comerciais levou suas marcas para Lourdes, local que possui o metro quadrado mais caro da capital. O aluguel de lojas de frente para a rua pode custar entre 70 e 80 reais o metro quadrado.

Há quase um ano, quem aportou ali foi a estilista mineira Patrícia Bonaldi. Queridinha das famosas como Gisele Bündchen, Ivete Sangalo e Marina Ruy Barbosa, ela escolheu o bairro para lançar no mercado a Nohda, grupo de moda que reúne sua marca homônima, a PatBo, a Apartamento 03 e a Lucas Magalhães. "Para quem ama moda, Lourdes é uma escolha quase emocional", conta Patrícia. A loja, com 350 m2 e com projeto do arquiteto Pedro Lázaro, oferece desde alfaiataria até vestidos de festa, com preços que variam de 700 a 13 mil reais. "O varejo vive uma retração, e acho que fomos corajosos, mas a crise não é motivo para não investir", diz a estilista, que adora a chance de ter uma loja com as portas abertas para a rua. "Hoje, as pessoas estão em busca de experiências, e a loja sendo em uma casa linda acaba proporcionando muito mais isso do que estando dentro de uma caixa fechada."

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A gerente da Manoel Bernardes, Stela Guimarães (à esq.), com a cliente Eliana Motta: fidelidade há duas décadas (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Localizada na fronteira de Lourdes e Santo Agostinho está uma das lojas mais badaladas de Minas Gerais, a Mares. Ela foi uma das primeiras a chegar por ali, em 2000. "Precisávamos de um imóvel com mais espaço quando resolvemos investir principalmente na importação", diz a gerente geral, Lelete dos Mares Guia Farkasvolgyi. O imóvel, com 780 m², abriga hoje mais de 40 marcas, sendo 80% grifes importadas como Dolce & Gabbana, Roberto Cavalli e Thierry Mugler. "Recebemos muitos clientes de São Paulo e do interior, mas a maioria é de BH e, vários são moradores da própria região", diz. O atendimento personalizado é um dos maiores trunfos da Mares. Ali, vendedoras e clientes parecem velhas amigas. "Essa relação é a coisa mais valiosa que temos aqui", completa Lelete. Entre os mimos oferecidos aos visitantes, a palha italiana preparada na casa da proprietária, Sheila dos Mares Guia, não falta.

Bem perto dali está o DiamondMall. Inaugurado em 1996, o shopping ocupa o espaço onde um dia foi o centro de treinamento do Atlético. São 21.383 m2 de área locada, com 165 lojas espalhadas em três andares. "É um shopping que serve como porta de entrada para várias marcas em Minas, como aconteceu com a H Stern e Victor Hugo", explica a superintendente Lívia Paolucci. Há ainda algumas grifes que se mantêm exclusivas no centro comercial, entre elas Hugo Boss, Carla Amorim e Clinic. No mês passado, foi a vez de a rede americana KFC abrir sua primeira unidade no estado. No primeiro dia de operação, a loja precisou encerrar seu atendimento às 19h30, tamanho o número de consumidores ávidos em provar seu famoso frango frito.

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Os estilistas Lucas Magalhães (à esq.), Patrícia Bonaldi e Luíz Claudio Silva, da Nohda: investimento na crise (foto: Divulgação)
Só no ano passado, passaram pelos corredores do centro comercial cerca de 9 milhões de consumidores. Um detalhe importante: nada menos que 50% dos visitantes chegaram a pé. "Escutamos muito as pessoas falando que o Diamond é a sua segunda casa. É um lugar para almoçar, fazer compras, ir ao cinema, academia ou supermercado sem precisar tirar o carro da garagem", diz Lívia.

A Manoel Bernardes é uma das que está lá desde o início. Segundo Andréa Bernardes, sócia da joalheria, a loja do Diamond é extremamente importante para a marca. "Apesar de não ser um local de fluxo intenso, o shopping conta com frequentadores assíduos e fiéis", explica. "Além disso, são pessoas sofisticadas e de alto nível, que se veem em nossos produtos." Com marcas poderosas como Breiteling, Cartier, Mont Blanc, Rolex e Tag Heuer, a joalheria atrai os amantes de relógios. "É um mix muito interessante, porque temos desde a senhora apaixonada por joias até a turma mais jovem, que frequenta a academia", diz Andréa, referindo-se à Cia Athletica, localizada no 3º piso do centro comercial. O ticket médio de venda da loja é de 2,5 mil reais. "Eu já era cliente da Manoel Bernardes antes mesmo de o shopping existir. Mas, desde que a loja abriu, só compro aqui", conta a designer de interiores Eliana Motta. Moradora da rua Santa Catarina, ela é uma das que resolve todas as pendências do dia a dia no Diamond. "Morar em Lourdes tem dessas vantagens, é só atravessar a rua e pronto", afirma Eliana.

Para quem ama compras, Lourdes é imperdível. Vale a experiência de cruzar suas ruas, namorar as vitrines, sem pressa nenhuma. Uma dica, entre uma caminhada e outra. Pare para tomar um sorvete na Alessa, na rua São Paulo. Peça o de queijo minas com doce de leite. Mais mineiro, impossível. Se der vontade de brindar o dia, o Rafaelo, preparado com espumante, sorbet de mexeriquinha e limoncello, é uma boa pedida.

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