Minas Tênis Clube: principal celeiro de atletas especializados do país

Além de revelar campeões para o cenário nacional, o clube, octogenário, oferece atrações para sócios e não sócios. E os projetos de expansão continuam

por Marina Dias 28/06/2017 14:11

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Samuel Gê/Encontro
Vista aérea dos mais de 77 mil m2 do clube: fábrica de campeões (foto: Samuel Gê/Encontro)
Caso tivessem se concretizado os planos de governantes mineiros da década de 1930, Lourdes teria hoje um jardim zoológico no "Buracão", como era popularmente chamada a área delimitada pelas ruas Antônio Aleixo, Bahia, Espírito Santo e Antônio de Albuquerque. Essa era a proposta da planta original da cidade de BH para o terreno. Mas devido ao fato de o bairro ser residencial e a área, pertinho do Palácio do Governo, a ideia foi deixada de lado. E a bicharada acabou indo para a Pampulha. Graças a uma sugestão de dona Geni Silveira Lima, mulher do então prefeito Otacílio Negrão de Lima, decidiu-se destinar o Buracão a um clube esportivo e de lazer - no caso, o Minas 1, primeira unidade do Minas Tênis Clube (MTC).

No início, o estado subvencionava o clube, que tinha seu presidente escolhido por lista tríplice enviada ao governador. O vínculo com o estado só foi cortado na década de 1960, quando o terreno foi doado à instituição. Daí para a frente, o MTC se transformou em uma organização privada sem fins lucrativos. E hoje possui mais de 78 mil sócios. Mesmo depois de se tornar privado, no entanto, o clube manteve a proposta de formação esportiva. Ainda bem. Afinal, o Minas, que está para completar 82 anos, não é apenas uma estrutura de lazer e convivência, mas também um dos mais modernos clubes esportivos do Brasil, celeiro de atletas com histórico de títulos nacionais, internacionais e olímpicos. "O nosso Centro de Treinamento é no Minas 1, onde tudo começou", afirma o presidente Ricardo Santiago, administrador de empresas e ex-jogador de vôlei pelo Minas e pelas categorias de base da seleção brasileira. "O esporte está em nosso DNA." Atualmente, 18 mil alunos esmeram-se em 23 modalidades.

Cláudio Cunha/Encontro
Aos 8 anos, Henrique dedica-se à natação e já coleciona algumas medalhas: apoio da mãe, a bancária Virgínia Pamplona Baya de Carvalho, e do pai, o consultor financeiro Cláudio Sales de Carvalho (foto: Cláudio Cunha/Encontro)
Além dos atletas amadores, circulam pelos 73 mil m² do Minas 1 crianças, jovens e adultos que treinam em oito modalidades de competição: vôlei, natação, basquete, ginástica artística, ginástica de trampolim, tênis, judô e futsal. Essa equipe tem mil atletas federados nas diferentes categorias, da base até a ponta. E feras não faltam. Só nos Jogos Olímpicos Rio-2016, foram 14 os minas-tenistas que representaram o país, como os nadadores Ítalo Manzine, Thiago Pereira e Kaio Márcio, a judoca Érika Miranda e os tenistas Marcelo Melo e Bruno Soares.

Além da contratação de atletas profissionais do mais alto nível, o investimento na base por meio da Escola de Esportes é uma forma de desenvolver potenciais destaques nas equipes. É claro que nem todos os 900 jovens em formação terão o caminho da alta performance, mas é da quantidade que se tira qualidade. Duas pequenas que estão nesse caminho são Beatriz e Laura Comini Romero, de 11 e 8 anos, respectivamente. Filhas dos ex-nadadores profissionais Rogério Romero, de 46 anos, e Patrícia Comini, de 42, ambas já estão na equipe do Minas. "Elas fizeram o curso básico, em que os alunos são apresentados a diversas modalidades, e escolheram ficar na natação", conta Patrícia, que conheceu Rogério justamente quando veio de Americana (SP) para nadar pelo Minas, aos 19 anos, onde ele também treinava. O marido - único nadador brasileiro a participar de cinco Olimpíadas - é gerente de esportes do clube e ela, formada em educação física, dá aulas de natação lá há um mês. Mesmo a família trabalhando e treinando ali, não deixa de curtir as instalações no fim de semana. "O Minas é praticamente o quintal da nossa casa", brinca Patrícia. "Faça chuva ou faça sol, estamos lá."

Cláudio Cunha/Encontro
Filhas dos ex-nadadores profissionais Rogério Romero e Patrícia Comini, Beatriz e Laura, de 11 e 8 anos, já estão na equipe do Minas: "Elas fizeram curso básico, em que os alunos são apresentados a diversas modalidades, e escolheram ficar na natação", conta Patrícia (foto: Cláudio Cunha/Encontro)
A família Carvalho também não perde oportunidade de frequentar o Minas nos fins de semana, já que moram em Lourdes e podem ir a pé. No entanto, o motivo principal para terem decidido se tornar sócios foi dar ao filho Henrique, de 8 anos, a oportunidade de praticar esportes - ele também escolheu a natação, em que já ganhou algumas medalhas. "Havíamos sido sócios, mas saímos para ir morar em outra cidade. Quando voltamos a BH, resolvemos voltar também ao clube", afirma o pai, o consultor financeiro Cláudio Sales de Carvalho. "Além de muitas opções de modalidades em nível de competição, também nos encontramos com amigos a todo momento. E gostamos do conceito do clube, sempre muito limpo, onde tudo funciona e todos são educados."

Essa infraestrutura do Minas, tanto para o esporte quanto para o lazer, foi se aprimorando ao longo do tempo. Primeiramente, com a construção de novas unidades — hoje, além do Minas 1, há o Minas 2, no Mangabeiras, o Minas Country, no Taquaril, e o Minas Náutico, em Alphaville, totalizando 471 mil m2 de área. Além disso, desde 1998, é seguido um plano diretor que tem transformado o clube aos poucos. No caso do Minas 1, a reforma e construção de novas instalações estão finalizadas. O antigo ginásio deu lugar a um moderno complexo esportivo multifuncional. São 13 espaços, incluindo arena multiúso climatizada com tratamento acústico e 3,6 mil cadeiras numeradas. Há ainda o Centro de Lazer, concluído em 2007, que consiste em oito níveis com quadras, piscinas, pista de jogging, espaço para lazer infantil, vestiários e estacionamento com 600 vagas. Depois foi a vez de erguer o Parque Aquático de Lazer, concluído em outubro de 2004. Nova portaria e a praça de eventos também foram construídas. Veio então a fase dois, a do Centro de Facilidades, com 23,6 mil m2 distribuídos em 14 pavimentos que oferecem vestiários, sala do curso básico, enfermaria e saunas, lanchonete, salas de xadrez e acompanhamento escolar, lojas, academia de ginástica, além do Centro Cultural (veja quadro abaixo). O plano diretor contemplou, por fim, a restauração do prédio do relógio, que teve as características originais resgatadas, incluindo o terraço panorâmico, bem como a sede social.

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O presidente Ricardo Santiago: "O nosso Centro de Treinamento é no Minas 1, que foi onde tudo começou, e o esporte está em nosso DNA" (foto: Cláudio Cunha/Encontro)
A aposentada Júnia Dantas, de 78 anos, sabe bem como a história do clube se confunde com a da cidade - e com a dela própria. Sócia do Minas desde os 3 anos de idade, ela conta que o clube se fez presente em todas as etapas da sua vida. Lembra-se das aulas de ginástica que fazia quando pequena, e do técnico, que oferecia uma deliciosa bala de mel após o treino. Adolescente, participava dos bailes de carnaval e das festas, chamadas de horas dançantes. Depois que se casou e teve filhos, criou-os dentro do Minas. Hoje, não só vai ao clube para nadar e fazer hidroginástica, como solta a voz no coral da instituição há 15 anos. "Quando vendi a casa em que morava, no Belvedere, pedi aos corretores que não me apresentassem nada a mais de 200 metros do Minas 1", afirma. De fato, ela vai a pé, quase diariamente. Elogios a essa "segunda casa" não faltam. "É um privilégio poder frequentar este que é um dos melhores, senão o melhor clube do país."

Cultura no coração da cidade


Orlando Bento/Divulgação
O palco e a plateia com 600 cadeiras do Teatro Bradesco: equipamentos que possibilitam a montagem de espetáculos cênicos, audiovisuais e musicais, de pequeno, médio e grande portes (foto: Orlando Bento/Divulgação)
Há cinco anos foi inaugurado o Centro Cultural Minas Tênis Clube. Fundado por meio de leis de incentivo, o espaço é aberto para não sócios e inclui teatro, salas multimeios, galeria de arte, um centro de memória e um café. De acordo com o diretor de cultura, André Rubião, com esse projeto, o clube tem retomado sua tradição na área, já que, nas décadas de 1960 e 1970, como BH não tinha Secretaria Municipal de Cultura, era o Minas quem cumpria esse papel fomentador nas áreas de música e artes plásticas, entre outras. "Depois, isso ficou um pouco de lado, e foi detectada em pesquisas internas a demanda por um espaço que valorizasse a cultura", explica. Conheça um pouco sobre cada equipamento:


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