
empregos
Equipe numerosa: são cerca de 3 mil funcionários entre linha de produção, transporte, área administrativa e direção

diretoria Jacques Gontijo, vice-presidente comercial, José Pereira, presidente, Gilberto Moreira Araújo, vice-presidente de
abastecimento e Marcos Elias, vice-presidente
administrativo financeiro

distribuição O leite da Itambé abastece várias cidades brasileiras, além de cinquenta países do exterior

qualidade Inspenção
constante: medida para garantir a qualidade dos produtos da empresa


tecnologia Investmento em equipamentos de ponta: prioridade da
cooperativa mineira

diversificação
Fabricação de novos produtos, como iogurte: alternativa ao tabelamento,
que revelou-se
negócio
promissor
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Com pouco mais de 30 anos, esse mineiro de Pará de Minas, advogado de formação, assumiu, em setembro de 1967, o comando da Cooperativa Central dos Produtores Rurais – CCPR / Itambé, que congregava cerca de cinco mil associados. Com pulso firme e a coragem característica de um jovem empreendedor, Pereira começava a traçar ali os rumos de uma história de 40 anos de lutas, conquistas e, principalmente, muito sucesso.
Em 2008, a Itambé completa 60 anos de vida, como a maior empresa mineira no setor de lácteos e a segunda do país. A cooperativa mineira é a maior do ramo com capital 100% nacional. Em 2007, deve registrar crescimento de 30% na produção e atingir faturamento de 1,8 bilhão de reais. Mas como a Itambé conseguiu ir tâo longe, enquanto a maioria esmagadora das cooperativas de leite do Brasil acabou ruindo? 4 “O segredo está na gestão profissional e no comando firme de Pereira”, diz o vice-presidente da empresa, Jacques Gontijo, “Apesar de ser cooperativa na forma democrática de escolher seus dirigentes e na hora de dividir os resultados, a administração sempre seguiu o modelo das empresas modernas”.
Como bom mineiro, Pereira é um homem reservado, de expressão séria, que, à primeira vista, causa sensação de “pouco-diálogo” a seus interlocutores. Mas não é preciso muito tempo de prosa para que o introspectivo Pereira revele seu lado afável, brincalhão e, notadamente, simples. Mas quando o assunto é trabalho, a brincadeira é deixada de lado e volta à cena o homem concentrado, sério e atento a qualquer detalhe da conversa. “Ao longo desses 40 anos, alguma coisa certa eu acredito que tenha sido feita”, diz ele, com uma mistura de orgulho e modéstia.
O fato é que sob a liderança de Pereira ergueu-se uma das maiores empresas do país, com quase 3 mil empregados, ativos que beiram R$ 1 bilhão de reais e faturamento de R$ 1,36 bilhão em 2006. Apesar de ressaltar o trabalho de sua equipe para o sucesso da empresa, Pereira também admite a forma centralizadora com que administra a cooperativa e o pulso firme nas tomadas de decisão. “Como numa empresa privada, a decisão final cabe ao presidente”, diz ele. “Aqui tem de funcionar da mesma forma. Eu não admito interferências externas na gestão da cooperativa”.
Atualmente, a Itambé congrega 4 30 cooperativas e mais de 8 mil associados. Impossível atender sempre ao interesse particular de todos. “Ele sempre se preocupou com o interesse coletivo. O que é bom para um, nem sempre é para a maioria”, diz o vice-presidente, Jacques Gontijo. Outra qualidade do presidente destacada por seu vice é a visão de futuro. “Com isso, ele conseguiu fazer com que a Itambé fosse uma empresa que estivesse sempre à frente do seu tempo”, avalia.
Ao falar das dificuldades enfrentadas nas quatro décadas de trabalho, Pereira relembra o começo de tudo, na época em que assumia a cooperativa em plena ditadura militar no governo Costa e Silva. Ele pontua especificamente o tabelamento de preços que aconteceu naquela época. Não só por ser o início de sua gestão, mas, principalmente, por ser uma medida que nivela por baixo. “Não há nada pior que tabelamento e autoritarismo. No mercado livre, o incompetente não sobrevive, já no mercado tabelado ele não só sobrevive, como se beneficia ”, argumenta. Mas, como um bom gestor, Pereira procurou tirar ‘leite de pedra’, como diz o ditado. Aproveitou-se do momento de crise para ampliar a lista de produtos da empresa. “Driblamos o tabelamento investindo na fabricação de outros produtos, como leite em pó, iogurte e doce de leite, por exemplo”, conta.
Hoje já é mais de uma dezena de produtos, entre leite, manteiga, leite em pó, sucos, creme de leite, doce de leite, leite condensado, requeijão etc. Todos levando para o Brasil e o mundo a impressão da marca mineira que se tornou referência no mercado. Já são mais de 50 países que importam os produtos da cooperativa, absorvendo 30% da produção da empresa. Oito fábricas com a mais alta tecnologia compõem o patrimônio da Itambé. Em Uberlândia foi inaugurada recentemente mais uma unidade, que conta com um dos mais modernos parques industriais do país.
Investimento em tecnologia, aliás, sempre foi prioridade. Segundo o presidente, garantir a qualidade dos produtos é primordial. De acordo com Pereira, a Itambé foi a primeira empresa a ter todo o leite resfriado durante o transporte, há cerca de 10 anos. “Esse foi um investimento bom para todos, para os produtores, empresas e consumidores. Sempre priorizamos a profissionalização dos produtores. Afinal, o produtor que não quer se especializar e se qualificar não é um produtor e sim um tirador de leite. Esse vai ficar de fora do mercado”, afirma Pereira.
Ao fazer um balanço do ano de 2007, ano em que o preço do leite atingiu o inimaginável valor de 1 real o litro, pago ao produtor, Pereira resume: “Foi um ano que começou ruim e está terminando muito bem”. Sobre a suspeita de fraude no leite que afetou o mercado mineiro, ele lamenta o fato, mas garante que em nada a cooperativa foi atingida. “A Itambé nunca esteve envolvida em crise de qualidade. Fraude é palavra proibida aqui dentro. Nossa convicção é trabalhar sempre com seriedade e honestidade”. Provavelmente está aí o verdadeiro segredo de tanto sucesso.
Números do sucesso
:: A Itambé é a maior empresa mineira
de produtos lácteos e ocupa a segunda posição na classificação nacional.
É a maior exportadora de leite do país. As exportações da empresa já
representam 30% do volume de
produção e 20% do faturamento.
:: O 12º prêmio Top of Mind
da revista MercadoComum, realizado
em 2007, trouxe a Itambé como a marca mais premiada em Minas Gerais, com cinco troféus, acumulando um total de 48 troféus ao longo das 12 edições da premiação.
:: Neste ano, a Itambé foi premiada nos seguintes produtos e categorias:
doce de leite, iogurte, leite e requeijão, na categoria liderança, que significa que a Itambé obteve a maioria das respostas nas entrevistas do segmento pesquisado.
:: A Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Itambé está no primeiro lugar da classificação do Anuário 2007 da Ocemg (Organização das Cooperativas
de Minas Gerais) em número de
empregados e em faturamento.
:: Segundo dados da Ocemg, com 2.805 empregados e ativos de R$ 988 milhões,
a Itambé faturou R$ 1,36 bilhão no ano
de 2006 e apurou patrimônio líquido de R$ 244,62 milhões. Em 2007, a empresa deve atingir faturamento de mais de
R$1,8 bilhão de reais. |