| Rafael Campos |
Cinema popular

O público se aproxima paulatinamente, algumas pessoas demonstram desconfiança diante daquele gigantesco objeto. Os olhares de ansiedade são, ao mesmo tempo, de curiosidade, pois é isto que o novo desperta. Todos preparados! Que o espetáculo comece, que a magia da grande tela se torne democrática. Este é o cenário do projeto itinerante Cinema no Rio, que encerrou no fim de outubro sua quinta temporada pelas cidades que margeiam o histórico rio São Francisco, de Minas à Bahia.
No total, cerca de 20 municípios mineiros e baianos assistiram a 10 curtas-metragens, sendo seis de animação e quatro longas. Entre a programação, destaques como Mutum, premiado filme de Sandra Kogut; Pequenas histórias, do mineiro Helvécio Ratton; Abril despedaçado, de Walter Salles, e a comédia Tapete vermelho, de Luís Alberto Pereira, que fizeram com que o público se emocionasse, sem esquecer, é claro, da diversão. “Um dos objetivos do projeto é também incentivar e valorizar as manifestações artísticas das comunidades. A nossa intenção é promover uma troca de culturas”, afirma Inácio Neves, coordenador do Cinema no Rio. A estrutura do evento conta com uma inusitada tela de cinema inflável, que facilita o deslocamento e reduz os custos.
Numa das comunidades mineiras que recebeu o projeto, São José do Buriti, distrito de Felixlândia, norte de Minas, mais de 700 pessoas não tiraram os olhos um só instante da tela. “Gostei demais, principalmente da tela grande, limpa, sem chuviscos”, contou o aposentado José Maria Alves, que nunca tinha ido ao cinema.
São muitas as histórias e surpresas durante o projeto que começou em 2004, portanto, reuni-las em um livro é a meta dos idealizadores do evento. A obra será preenchida a partir de uma espécie de diagnóstico cultural de cada cidade visitada. Por isso, foram levantadas fotografias, manifestações artísticas, a culinária e documentos antigos das comunidades atendidas pelo programa.
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