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Bem-estar

| Rafael Campos |


Atividade física se transforma em hábito para “atletas” de todas as idades nas ruas de Belo Horizonte


Correr é coisa séria

* Geraldo Goulart
A corrida em grupo, como este que treina na Lagoa Seca, é mais prazerosa, segundo praticantes

O dia está amanhecendo e as principais ruas e avenidas de Belo Horizonte nem de longe lembram o aperto e o estresse dos horários de pico. Para aproveitar a tranquilidade, empresários, comerciantes, mé­dicos, estudantes, donas de casa e aposentados se transformam em verdadeiros atletas, ávidos por aliar qualidade de vida com atividade física. Mas não se iluda: para eles, correr é coisa séria!
 
O engenheiro e empresário Ro­berval Pimenta, de 50 anos, e a psicóloga Maristela Pimenta, de 48, são casados e há três anos optaram por iniciar o dia literalmente juntos. Três vezes por semana, acordam cedo e começam a correr às 6h30. Os benefícios da atividade não param na saúde, se expandem ao casamento. “A corrida nos fez ficar mais próximos. Temos a oportunidade de co­nhecer novas pessoas e de viajar juntos para disputas internacionais”, revela Maristela. O casal recebe a assessoria esportiva da By Japão que o acompanha com o auxílio de profissionais especializados como nutricionista, professor de educação física e fisioterapeuta. Um dos locais de treino da academia é na concorrida Lagoa Seca, no Bel­ve­dere. Roberval lembra as competições importantes de que participou ao lado da mulher: “Em 2007 corremos a Ma­ratona de Paris (França), e em 2008, a da Dis­ney (Orlando, nos Estados Unidos)”, conta ele, em preparação para a Maratona de Nova Iorque (EUA), prevista pa­ra o início de novembro. E os treinos de­vem ser puxados devido ao que vem pela frente: Volta Internacional da Lagoa da Pampulha, em Belo Ho­rizonte, e a Corrida Inter­na­cional de São Sil­ves­tre, em São Paulo.

Vai correr?

Faça um check-up médico
Antes de correr, caminhe, principalmente
se estiver há muito tempo sem praticar
atividades físicas
Aumente gradativamente o esforço e a
distância para evitar lesões musculares
Trace objetivos para se manter motivado
Treinar em grupo sempre é mais motivante, mas cada pessoa possui seu ritmo
O descanso faz parte de todo treinamento, treine um dia, sim, e outro, não
Hidrate-se sempre, use roupas e tênis
adequados para correr ou caminhar
Procure uma assessoria esportiva ou
profissional de educação física, credenciada para controlar seus treinos
A paciência é a principal aliada para sua
evolução, ninguém vira um maratonista de um dia para o outro

* Geraldo Goulart
Eduardo de Sousa: “Evito comer muita carne ou massa no dia-a-dia”

Há quatro anos, correr também faz parte da rotina do empresárro Do­ron Guelman, de 54 anos. Colega de corrida de Maristela e Roberval, Do­ron tem planos ousados: quer participar das seis competições mais importantes do mundo. O objetivo começou a ser cumprido, pois já participou da Maratona de Nova Iorque, em 2008, e de Berlim, na Ale­manha, em setembro deste ano. “Faço uma por ano, mas no próximo quero tentar fazer duas maratonas”, revela orgulhoso. Sua meta agora é disputar as ma­ratonas de Londres, Chicago, Bos­ton e Paris.
 
William Moura de Carvalho, o Japão, comemora a alta do esporte em BH, mas ressalta a importância da prática de maneira adequada e sempre com o acompanhamento de profissionais especializados. “A corrida traz inú­meros benefícios, mas há malefícios, quando não executada de maneira correta”, afirma Japão, à frente da academia há seis anos e organizador da Corrida da Lua Cheia, evento tradicional entre os praticantes. Correr pelo mundo também é uma das motivações do médico anestesiologista Sérgio Moraes, de 40 anos. Ele participou este ano de duas ultramaratonas na África do Sul. “E ainda consegui completá-las. Corrida é aliar diversão com qualidade de vida”.
* Eugênio Gurgel
Paloma do Carmo: nem a chuva espanta os corredores dos treinamentos

Correr não é apenas vestir camiseta, short e colocar um par de tênis. Esta afirmação é compartilhada pe­lo professor de educação física Pau­lo Henrique Santos, um dos coordenadores da Run & Fun, também assessoria esportiva. “Te­mos sempre a preocupação de o­rientar os novatos a passarem por u­ma avaliação mé­dica antes de iniciar os treinamentos”. E para aqueles que buscam “mágica” ele dá um aviso: “A pa­ciência é o grande aliado no trabalho de con­di­cio­namen­to­ fí­sico”. A Run & Fun, as­sim como ou­tras as­se­ssorias es­por­ti­vas for­ma grupos de corrida, tor­nando os treinamentos mais a­gra­dá­veis. O professor de educação fí­sica alerta para a necessidade de pre­paração an­­tes e depois de uma corrida. “Cor­rer pode ser be­né­fico para a absorção de cálcio, mas ruim para as articulações, por isso tem que haver este cuidado”. Ele explica que existem três fases do treino: preparar a musculatura antes, par­tir para a ca­mi­nhada no fim do treino e alongar-se.
* Geraldo Goulart
Maristela e Roberval Pimenta: corrida ajudou a unir ainda mais o casal

A advogada Laura San­tos, de 30 a­nos, é uma das atletas da academia. “É im­portante treinar em grupo, pois a corrida é um esporte solitário”, diz a moça, que está se preparando para participar da prova da Adidas, em novembro. Lau­ra confessa que está um pouco apre­ensiva por competir a Volta da Pam­pulha, em dezembro, mas com o apoio dos colegas ela acaba se sentindo mais confiante. Vencer nem é sempre o grande objetivo desses atletas, mas o médico Sér­gio Souto, de 41 anos, também cor­redor da Run & Fun, revela que seus objetivos mudaram ao longo do tem­po. “Antes competia para participar. Hoje, quero melhorar meu tem­po a cada prova”, diz. Aliviar o estresse é a principal motivação que faz o advogado criminalista Eduardo Barbosa de Sousa, de 28 anos, acordar duas vezes por semana às 5h30. “Quando saio do trabalho, faço ainda musculação ou natação”, conta. Antes de treinar, Eduardo tem a preocupação de se alimentar adequadamente. Na mesa do café da manhã podem ser encontrados frutas, vitamina, suco e pães. “No  dia-a-dia evito comer muita carne ou massa, que podem atrapalhar”.
 
O advogado está correto quanto ao cardápio da primeira refeição do dia. Segundo o nutricionista Ha­milton Cruz, leite, frutas, cereais e pão integral são alimentos que não devem faltar na mesa do corredor. “A alimentação deve ser feita de acordo com o atleta, seja amador ou profissional, ­daí a importância de fazer avaliação antes de se iniciar a atividade”, explica. O especialista destaca importância de se alimentar de duas horas e meia em duas horas e meia, além de beber dois litros de água por dia. Os isotônicos são aconselhados apenas para atletas profissionais, desta forma os amadores po­dem optar pela água mineral, água de coco ou sucos de frutas.
 
Para muitos, a academia foi o ponto de partida para correr. A bancária Patrícia Gomes, de 32 anos, é um exemplo. “Comecei na esteira, mas parti para a caminhada e em seguida passei a correr”, diz. Ela conta que a atividade mu­dou seus hábitos de vida para melhor. Quer uma prova? Certo dia trocou o tradicional boteco de sexta-feira à noite pela corrida. “Tinha que treinar para uma competição, por isso, não pensei duas vezes em abdicar da cervejinha”, afirma. Se corrida em família fosse uma modalidade, o comerciante As­cânio Couto, de 55 anos, puxaria um pelotão de destaque. Ele, a mulher e os dois filhos, de 12 e 28 anos, correm juntos toda semana na Pampulha. “A alimentação em casa é saudável para to­dos”, conta Cleusa Couto, de 56.
 
A família é orientada pela professora de educação física Pa­loma do Carmo, que também co­ordena uma assessoria esportiva, a Paloma Fit. “Estou muito feliz, pois eles vêm até com chuva; nada impede o treino”. Correr também está no sangue da família de Paloma, pois a filha, Cíntia do Carmo, de 23 anos, futura professora de educação física, adora a atividade. “Corrida é saúde e qualidade de vida”. Alguém ainda tem dúvida?

Ainda há tempo para correr. Confira:

15/11:
7ª edição da Corrida BH 10 km
– Praça Nova Pampulha
15/11:
1ª Maratona Pão de Açúcar de Revezamento
– Rio de Janeiro (RJ)
22/11:
Circuito das Estações/Verão Adidas 10 km
– Lagoa da Pampulha
22/11:
Maratona de Curitiba
– Curitiba (PR)
28/11:
XTerra Regional Estrada Real
– Etapa Tiradentes e São João del-Rei
29/11:
10k Rio Corrida Pan-Americana
– Rio de Janeiro (RJ)
06/12:
11ª Volta Internacional da Pampulha 18 km
– Pampulha
31/12:
85ª Corrida Internacional de São Silvestre
– São Paulo (SP)

Emoção nas ladeiras

| Guilherme Torres |

* Felipe Christ
Largada do XTerra na histórica cidade de Ouro Preto

Em um dos percursos mais radicais das últimas edições, as ladeiras da histórica Ouro Preto, que cansam qualquer um só de olhar, foram palco da primeira etapa regional do XTerra Brasil em Minas Gerais, competição que alia corrida de aventura e bicicleta com etapas em todo o mundo. Re­che­a­da por um duatlhon, uma corrida no­tur­na em trilha e uma prova de mountain bike, o lugar escolhido pela organi­zação deu um charme a mais na com­petição, que além do difícil e lon­go percurso proporcionou ao público e competidores brasileiros e estrangeiros contemplar o rico patrimônio ar­qui­tetônico e cultural da cidade.

Cerca de 120 atletas, entre amadores e profissionais, participaram da com­­petição que começou com três qui­­lômetros de corrida, a partir da pra­ça Tiradentes, no centro histórico. Pos­teriormente, passaram por subidas e des­cidas em um circuito de 25 quilôme­tros de bicicleta e depois enfrentaram outros nove quilômetros de corrida.

O primeiro a cumprir o desafio foi o brasiliense Alexandre Manzan, que completou a prova de duathlon em 2h12. Para ele, o percurso foi o mais di­fí­cil da temporada. “Como as retas qua­se não existem, foi preciso muita for­ça para subir e concentração para evitar quedas”, conta Manzan, que deixou para traz um dos grandes favoritos do XTerra mundial, o norte-americano Brian Smith, que chegou em segundo lu­gar.

Para o vencedor da prova na categoria revezamento, o ciclista Evaldo de Souza, o local escolhido foi perfeito. "Juntou a história e a cultura de Ouro Pre­to com as opções de trilhas e percur­sos que a cidade oferece”, destaca.

O sobe e desce não foi só durante o dia, a competição trouxe ainda a pro­va Night Trail Run, com seis quilômetros de percurso à noite, que além da pouca iluminação contou ainda com uma chu­va fraca e muita lama, que deixou as ladeiras bem mais escorregadias e marcou como o pior obstáculo da competição. Cerca de 400 pessoas par­ticiparam da única etapa do evento apenas com a categoria amadora. “O es­curo, a lanterninha na cabeça e a chu­va trouxe mais diversão e adrenalina para a prova”, afirma o organizador Ber­nardo Fonseca. Nessa prova, quem levou a melhor foi o mineiro Ernani Souza, que na primeira disputa ficou em terceiro no duathlon, e representando as mulheres, Érika Costa, chegou na frente.
O XTerra acontece simultaneamente em 17 países e começou no Bra­sil em 2005, com apenas uma etapa. Ho­je são realizadas 14 etapas anuais no país e os quatro melhores par­ticipam da grande final do XTerra, que aconteceu em Maui, no Havaí, mês passado.

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