| André Lamounier |
História de um líder que brilha

Diz o provérbio: o telhado de uma casa deve ser construído quando o sol brilha.
A primeira vez que entrevistei o Rubens Menin, em 1997, ele já era grande empresário local e sua construtora, a MRV, destacada em Minas Gerais. Na ocasião, estive com ele na sede da companhia, na avenida Raja Gabaglia, zona sul da capital. O local era acanhado para a dimensão da empresa de Menin. Chamou-me particular atenção a simplicidade e a objetividade do construtor, um homem bem-sucedido, à época. Sua sala era pequena e absolutamente despojada de luxo. Quando lá cheguei, fui recebido pela secretária dele, Vanessa de Oliveira Campos.
Há cerca de um mês, voltei ao mesmo endereço, para novamente entrevistar Menin. Desta vez, acompanhado da também jornalista Kátia Massimo, das mais recentes aquisições de Encontro, para nosso orgulho.
A sede ganhou nova fachada, está mais bonita. Os corredores têm novos desenhos e estão mais claros. Mas, hoje, a MRV é a maior construtora do Brasil e uma das maiores do mundo. A sede é para lá de acanhada, se considerada a dimensão da companhia que ela abriga. Rubão, como é chamado pelos próximos, ocupa uma sala quase do mesmo tamanho da anterior, embora mais clara e arejada. Atualmente, é dono de uma das maiores fortunas do país. Fui recebido por Vanessa de Oliveira Campos, a mesma secretária que o acompanha há exatos 15 anos.
De tudo o que aconteceu na vida deste obstinado engenheiro, o que mais me chama atenção é, sem dúvida, a impressionante simplicidade do homem. Rubão é simples, extremamente simples. Não é preciso muita conversa para perceber que sua vida é a empresa que dirige. Fala da história e das conquistas corporativas com o entusiasmo de torcedor em reta final de campeonato. Atleticano, vive momento de euforia também em sua empresa. “Este ano já é o melhor da história da MRV”, afirma. Rubens é do tipo que não se deixa abater e não se dá por vencido.

À distância, a impressão que se tem é que o maior desafio de Rubens Menin é o da sucessão. Afinal, comandar o processo de transformação tão vigoroso pelo qual passou a MRV, não é para qualquer líder. Pior: o mundo da competição global no qual se meteu a construtora mineira exige permanente processo de transformação. Mais de perto, no entanto, percebe-se que Menin conseguiu imprimir em sua MRV uma cultura forte, expresão que descreve a alma de uma empresa. A MRV tem a alma de seu líder. Quando me dei conta do fato, perguntei a Menin, já na saída: “Depois de tudo o que conquistou, você não pensa em desacelerar, curtir a vida?”.
“Ainda é muito cedo, só tenho 53 anos”, disse. “Você não acha?”, ele me perguntou. Acho, sim, Rubão. Afinal, o sol está brilhando para você.
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