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Tecnologia

| João Paulo Martins |


Os brasileiros já podem ter em mãos o Kindle, aparelho que é mais uma novidade no mundo eletrônico


Leitura digital

* Divulgação

Dos antigos papiros escritos com pena e tinta orgânica à digitalização dos textos. Assim evoluiu nos­sa cultura literária. E a bola da vez é o leitor de e-books (livros eletrônicos) Kindle, do site americano Ama­zon. Ele é praticamente uma biblioteca ambulante: pode armazenar 1.500 publicações.

O leitor da Amazon pesa apenas 289 gramas e não cansa os olhos, pois possui a tecnologia da tinta eletrônica, que, através de indução mag­nética, deixa a letra muito parecida com a impressa. Ele também possui conectividade à rede de telefonia móvel, para que o usuário possa comprar e baixar livros.

“Acho uma delícia saber que, se ficar perdido numa ilha, terei bons companheiros para o resto da vida, desde que salve meu Kindle. Imagine quanta boa conversa com Shakes­peare, Montaigne, Machado, Guimarães, Bor­ges, será possível. A solidão não chegará. Menos de um quilo de peso me salvará o futuro”, afirma o escritor mineiro Luís Giffoni. Mas nem to­dos pensam assim. Para o di­retor da Editora UFMG, Walter Melo Mi­ran­da, o aparelho pode ajudar na distribuição, mas “nada substitui o livro”. Ele diz que seu uso depende do público-alvo, que deverá ser formado principalmente por “jovens que estão mais ligados às novas tecnologias”. E aponta a principal vantagem do e-book: “Favorece o acesso a livros ra­ros, que são digitalizados. Isso ser­ve pa­ra a manutenção dessas obras ra­ras. É um ga­nho ex­traor­di­nário nes­se sentido”.

* Branca Maria Melo
O escritor Luís Giffoni não vê ameaça para os livros com o Kindle

O coordenador do mestrado em Co­mu­nicação Social da PUC­ Minas, professor Júlio Pinto, diz que a experiência tem de­mons­trado que “um novo meio de comunicação não costuma obliterar os meios já existentes”. E completa: “No caso do livro, pode ser que, a longo prazo, haja maior disseminação e barateamento da tecnologia, fazendo com que os textos sejam distribuídos ainda mais democraticamente. Entretanto, sempre haverá lugar para o papel”.

Com relação à pirataria, que é muito comum entre arquivos MP3, o escritor Luís Giffoni diz que podemos contar com ela: “Uma professora uma vez me confessou que gostou tanto de um livro meu que tirou xerox para todos os seus alunos. Por que seria diferente com o Kindle? Teremos de conviver com a pirataria. O mundo hoje é virtual. A cópia faz parte dele”.

A Amazon disponibiliza aos usuários brasileiros cerca de 200 mil e-books, mas grande parte deles em inglês. O preço para o mercado internacional é de 279 dólares, e no Brasil, com as taxas de importação, sai por pouco mais de mil reais.

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