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Motociclismo

| Bruno Freitas |


Sete pilotos criados no motocross se juntam para fazer renascer as glórias de um dos esportes mais identificados com Minas


Nascidos para as pistas

* Leo Boi
Mariana Balbi em ação: única mulher na categoria e uma das cinco melhores do mundo

Quando o talento já está no sangue, não há como fugir dele. E muito menos correr, a menos que seja dentro das pistas de motocross. Foi pensando assim que um dos nomes mais fortes no esporte, Jorge Balbi, se uniu a Vicente Bretz, conhecido empresário do ramo supermercadista, na concretização de uma verdadeira fábrica de campeões, a começar pelos seus próprios filhos: Jor­ginho Balbi, tetracampeão brasileiro, Mariana Balbi, única mulher que compete profissionalmente no Bra­sil (filhos de Jorge) e Erick Bretz (de Vicente). Ao lado de outros quatro pilotos, eles compõem a 2B Racing Team, equipe que já subiu ao pódio em todas as categorias na primeira competição que disputou, o Cam­peonato Mineiro de 2009. “Cor­ro no motocross desde os 18 anos. Minha família também participa de tudo e eu já treinava o Erick. Foi então que decidi, ao lado do pai de­le, apostar em algo novo e que pu­desse trazer títulos ao esporte, dentro e fora do Brasil”, revela o ex-campeão mineiro da categoria, Jorge Bal­bi.
 
Para isso, o objetivo é formar u­ma equipe unida, onde os principais pilotos ajudam no treinamento e na evolução dos iniciantes, como o mais novo da turma, Hugo Evantuil, 13 anos, que procura pilotar com cautela. “O melhor é não arriscar”, diz o garoto, que só tomou gosto pe­lo motocross depois de assistir ao seu irmão, Caio Henrique, fazendo trilha. “Sempre ficava vendo ele andar de moto. Certa vez, ele caiu. Peguei a moto emprestada, dei umas voltinhas e não larguei mais”.

* Leo Boi
Vicente Bretz à frente da equipe: Erick herdou paixão do pai

Em um meio onde os homens são maioria absoluta, Mariana Balbi também começou cedo. Aos 5 anos de idade, ela ganhou sua primeira moto, uma Panda de 50 cilindradas. Hoje, aos 23 anos, já acumula vitória no Campeonato Brasileiro e classificação entre as cinco melhores pilotos do Top 5, divulgado pela WMA (Women’s Moto­cross Associ­ation), nos Estados U­ni­dos. Nos bo­xes, sua vaidade é como a de qualquer mulher. De ca­belo preso e unhas feitas, quando vai para a pista, Mariana só pensa no esporte que pratica. “No início, havia mui­to preconceito dos outros pilotos pelo fato de eu ser mulher. Poucos a­creditavam em mim, mas isso me motivou”. O equipamento usado pe­la dama da equipe é o mesmo dos de­mais pilotos. Não há distinção. A vi­são que os rivais tinham de Ma­riana também mudou, mas ainda há um certo ciú­me nas pistas. “Acho difícil isso acabar”, diz ela.
* Fred Mancini
No box da 2B, alguns exemplos da organização da equipe: superestrutura

No que depender do irmão, Jor­ginho, apoio não faltará. Des­de os 12 anos no esporte, ele tem co­mo principal meta representar a bandeira brasileira no exterior, principalmente nos Estados Unidos, on­de também já conseguiu entrar no seleto grupo dos Top 5, mas do AMA (American Motorcyclist Asso­cia­ti­on). Primeiro brasileiro a fazer um holeshot (mais rápido na largada) no AMA, a terminar uma prova deste entre os Top 5 e outra temporada do AMA entre os Top 15, é capitão do Brasil no Mo­tocross das Nações desde 2007. E Balbi avisa: “Isso não significa deixar a equipe de lado, principalmente durante o próximo Campe­o­nato Brasileiro, em 2010”.
 
Já para o paulista Nivaldo Vi­anna, nas pistas desde 1988, chegar à atual posição foi tarefa mais complexa. Isso porque somente neste ano ele conseguiu entrar em uma equipe profissional. “Antes eu corria sem apoio e com uma estrutura que se resumia a moto, carro e barraca. Já até fiquei fora de três etapas do Campeonato Brasileiro por falta de patrocínio, mas tive a chance de co­nhecer o Jorge Balbi em um evento e ele, que já sabia do meu trabalho, me convidou para participar de duas etapas do Campeonato Minei­ro. Acabei ficando na 2B Ra­cing”.
 
A exemplo de Nivaldo, Cristo­pher Castro, o Pipo, buscou inspiração no pai. Na sua família, o avô também corria. Um apoio familiar que, para o jornalista especializado em motos, Téo Mascarenhas, faz to­da a diferença na formação dos pilotos: “No caso do Jorge Balbi, aposentado, ele virou técnico e incentivador da carreira dos filhos, que, me­lhores que a encomenda, superaram o mestre”, comenta.
Por dentro da 2B Racing Team

Outros membros da equipe:

Jorge Balbi: chefe e treinador dos pilotos, define o tipo de treinamento e em quais categorias cada um vai competir. Ajuda na definição da estratégia de corrida e na preparação das motos

Max Balbi: mecânico

Dietmar Samulski: psicólogo esportivo

Estrutura:
15 motos
Um helicóptero
Três Motorhome
Quatro vans
Um caminhão (em breve)


A superestrutura da equipe, que tem até um helicóptero, é outro diferencial diante dos demais competidores brasileiros, aponta Téo. “Eles dispõem de centro de treinamento próprio, rotina de alimentação e condicionamento físico, técnico em tempo integral e até um psicólogo es­portivo, atingindo um pa­drão com­patível com os níveis internacionais”. Um espírito que para o jornalista também é realçado pela popularidade do motocross em Mi­nas Gerais. “Com seu mar de mon­tanhas, nosso estado é uma espécie de maternidade do fora-de-estrada brasileiro. O berçário, que já produziu e continua fabricando campeões em diversas modalidades do motociclismo, é privilegiado, pois basta sair de casa e encontrar um morro para desafiar”. Outra notícia positiva é o bom momento pelo qual o esporte passa no estado, com a realização de provas bem estruturadas, por meio da Federação de Motociclismo do Estado de Minas Gerais. “Só pe­sa contra os campeonatos de mo­to­cross no estado a falta de verbas que, tecnicamente, também de­ve­riam vir do governo e da CBM, Confederação Brasileira de Moto­ci­clismo”, comenta Téo.
 
Man­ter esse time não sai barato. Pa­trocinadores de peso, como a Co­ca-Cola e a rede de supermercados Mart Plus equilibram o orçamento. Marcas como ASW e Orbital, sempre presentes no motocross, também apoiam a equipe.
 
Acidentes, comuns para quem cor­re de moto, costumam adiar o tão esperado título, como no caso de Rô­mulo Buttel Alvarenga Neto, o Onça, que rompeu um ligamento da clavícula, e Erick Bretz, que fraturou o pu­nho durante o Campeonato Minei­ro e só voltará à competição em 2010. “Agora é treinar para adquirir resistência física”, diz Erick.

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