| Beth Leite |
| Marina Spínola |
O vereador da zona sul

Aos 6 anos, Frederico Borges da Costa colecionava “santinhos” de campanhas políticas e ficava vidrado no horário eleitoral. Aos 12, esteve em rede nacional exibindo a maior coleção do gênero. Aos 16, já era filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e, aos 21 foi o mais jovem presidente de uma associação de bairro de Belo Horizonte, o Santa Lúcia. Em 2004, aos 26 anos, Fred Costa elegeu-se vereador com 4.244 votos. Na última eleição, em 2008, foi reeleito com o triplo de votos do primeiro mandato, metade deles oriunda da região centro-sul. Há 20 anos que o eleitor dessa região vinha elegendo majoritariamente o professor Elias Murad. Foi a primeira vez, ao longo de toda a vida pública do professor antidrogas, que ele foi superado na zona sul de BH. “Sou vereador da cidade, mas observo com carinho especial as questões que envolvem a região centro-sul”, diz Costa, que completa: “Se a causa é de interesse do eleitor desta região, vou brigar por ela”.
Por levantar essas bandeiras, Fred Costa tem sido chamado de “vereador da zona sul”. Exemplo: a briga para não aumentar o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) da região. O projeto de lei nº 767/09, de autoria do Executivo, que visa atualizar a planta de imóveis de Belo Horizonte, pode elevar o valor do IPTU em até 150% na região centro-sul. “Vou lutar para retirar esse projeto da pauta”, diz. Outra marca do vereador é seu empenho pela construção do Complexo Viário Sul, que visa desafogar o trânsito para moradores do Belvedere e dos condomínios de Nova Lima. “O trânsito é uma de minhas prioridades. Quero melhorar a mobilidade para quem vive e trabalha na zona sul”, afirma. Nascido e criado no bairro Santa Lúcia, Fred Costa considera normal ter identificação com a região centro-sul de BH: “É uma via de mão dupla: eu me identifico com a região e ela se identifica comigo”.
Para o presidente da Associação dos Moradores e Empresários do bairro Sion (AmeSion), Ernesto von Sperling, a proximidade do parlamentar com os seus representados fortalece a democracia e dá esperança para aqueles que estão decepcionados com a política. “Nós elegemos os parlamentares e, em geral, eles somem depois de eleitos. As pessoas que têm interesse em melhorar a cidade onde vivem precisam estar próximas de seus representantes”, assinala. “O Fred Costa, depois de eleito, ficou ainda mais próximo da gente”.
Ainda que grande parte da atuação do parlamentar corresponda à defesa dos interesses da classe média, muitas ações também são direcionadas para as camadas mais pobres, mas sempre pensando na zona sul de BH. “Essa região também tem seus contrastes. Possui áreas com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) compatível com o da Noruega e outros com o da Bolívia, paradoxalmente”. Diante desse cenário, Fred Costa tem defendido políticas de apoio à população menos favorecida dessa região. João Luiz Batista, diretor-presidente da Creche Tia Socorro, que atende 216 crianças da Vila Santa Maria, ao lado do São Bento, reconhece o esforço do vereador. “Graças a ele, temos conseguido desenvolver projetos sociais importantes para as crianças”, afirma.
Presidente da Comissão de Saúde e Saneamento da Câmara Municipal, o vereador se diz avesso às ações assistencialistas. “Doar ambulâncias e cestas básicas em troca de votos não é comigo”, diz. Em seu primeiro mandato, foi autor de 100 projetos e conseguiu que 17 deles se tornassem leis. Manteve-se à frente de importantes propostas, como o reajuste salarial dos educadores e o aumento do efetivo da guarda municipal.
Atualmente Fred Costa está no meio da polêmica sobre se a guarda municipal deve ou não multar. “Pesquisas realizadas nos últimos 10 anos mostram que a maior prioridade da população é segurança pública. Temos um contingente de 2.500 homens da guarda municipal e eu entendo que eles devem guardar os bens públicos e inibir a ação de bandidos, mas jamais alimentar a indústria das multas”, diz.
O vereador contabiliza que dos 700 projetos de lei da atual legislatura quase 100 são de sua autoria. Um deles tenta proibir a verticalização no Belvedere e em toda a região centro-sul. “Enquanto estiver na Câmara não deixarei isto acontecer”, promete. Fred Costa desenvolve sua plataforma de ação em cima de três pilares: segurança, meio ambiente e educação. O grande desafio no segundo semestre, considera, será a votação da nova Lei de Uso, Parcelamento e Ocupação do Solo e do Código de Posturas, que vai redefinir a utilização do espaço público. “São projetos estratégicos que vão definir a cidade que queremos para os próximos 40 anos. BH é prestadora de serviço e não tem espaço e nem vocação para a indústria, mas sim para o turismo. Quero ajudar a criar alternativas para o desenvolvimento sustentável da cidade”, diz.
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