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Cinema

| Rafael Campos |


13ª Mostra de Tiradentes reforça vocação de gerar bons frutos


Novos e talentosos

* André Fossati
Palco dos principais filmes exibidos no festival, o Cine Tenda teve sessões lotadas em quase todos os dias. Crianças, adultos e idosos se divertiram diante da tela grande

Se uma das principais motivações de festivais de cinema é revelar talentos, não é precipitado afirmar que a 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes cumpriu seu papel. Mais uma vez a histórica cidade se viu transformada, durante o evento que exalta a sétima arte brasileira, entre os dias 22 e 30 de janeiro, em polo nacional de cultura, com programação gratuita. Milhares de visitantes, entre atores, diretores famosos e, principalmente, novatos, povoaram durante nove dias as ruas e ladeiras do município cercado pela serra de São José.

Neste ano o evento homenageou Karim Aïnouz, diretor de dois longas premiados como Madame Satã (2002) e Céu de Suely (2006), mas outros profissionais ainda a procura de premiações deste patamar também estiveram presentes no festival, com trabalhos aplaudidos. Um dos exemplos é o mineiro Jackson Abacatu, que mostrou ao público seu curta de animação, Libertas. O filme, que conta a história de um pardal que libertou um periquito, dura quase 10 minutos,  mas para produzi-lo o tempo foi um pouco mais exigente. “Levei dois anos para fechá-lo”.

Jackson, de 27 anos, ex-estudante do curso de Belas Artes da UFMG, revela seu gosto por desenhos rápidos, à mão e de forte expressão. O belo-horizontino já venceu o festival Mostra Minas, realizado no Palácio das Artes, ano passado, com o mesmo curta. “Participar da mostra é gratificante, o que me motiva a continuar”. Da mesma geração, Julia Nascimento, de 25, e Felipe Kolb, de 24, também estudantes da UFMG, mostraram o curta Insectus. Na Mostra Aurora, que destaca os diretores iniciantes em longas metragens, o mineiro Affonso Uchoa apresentou o filme Mulher à tarde, com Renata Cabral.
      

* Rafael Campos
Os diretores Jackson Abacatu, Julia Nascimento e Felipe Kolb: talento mineiro e reconhecido na mostra
 
O crítico de cinema João Luiz Vieira,  um dos debatedores convidados, acredita na potência dos novos diretores. “A força desse pessoal novo se dá muito pelo acesso aos recursos tecnológicos”. João ressalta também uma tendência mostrada no festival, dos trabalhos coletivos. “É um controle de egos. Filmes que estão aqui, são de diretores que fazem questão de trabalhar a várias mãos, uma ótima tendência. A mostra privilegia alguns tipos de cinema que não são vistos em outros festivais”.

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