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Estética

| Carolina Godoi |


Cicatrizes pequenas e recuperação mais rápida: novas técnicas de cirurgia plástica


O bisturi avança

* Eugênio Gurgel
”Fiz todos os exames possíveis antes da cirurgia. Depois usei macaquinho e fiz drenagem linfática três vezes por semana. Sei que 50% do resultado são devidos a esses cuidados” Bruna Signoretti Jardim, arquiteta

O Brasil se tornou referência em cirurgia plástica: segundo pesquisa do  Datafolha ocupa o segundo lugar na relação mundial, perdendo apenas para os Estados Unidos, e é considerado o número um em relação ao a­per­feiçoamento de técnicas e à qualificação dos cirurgiões. A excelência dos médicos, a preocupação do brasileiro com o corpo e os valores dos procedimentos feitos no Brasil, mais baratos que em outros países são fatores que podem explicar o sucesso da especialidade. “Nesse caso, sucesso é sinônimo de cicatrizes discretas, menor tempo de recuperação, menos dores, segurança e resultados mais naturais”, diz Jorge Antônio de Menezes, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Minas Gerais está em terceiro lugar no país em número de cirurgiões plásticos e em segundo em número de intervenções, de acordo com a SBCP.
 
  Entre os procedimentos mais procurados estão  as técnicas de retirada de gordura. Hoje a hidrolipoaspiração já é a preferida dos cirurgiões plásticos. Em relação à lipoaspiração tradicional, a cirurgia evoluiu bastante:  cânulas, com o diâmetros menores promovem a retirada mais uniforme da gordura, evitando irregularidades. Acompanhando a evolução surge a lipolaser: antes da introdução da cânula na área a ser aspirada, utiliza-se fina fibra ótica que emite radiação a laser, com o intuito de dissolver as células gordurosas, facilitando, posteriormente, a aspiração com as cânulas tradicionais. Outro novo procedimento é a lipoultrassônica. Neste caso um aparelho, que emite  ondas de ultrassom,  destrói as células adiposas, facilitando  a as­piração.  “O  risco consiste na ocorrência de aspiração irregular nas áreas a serem tratadas, trazendo um resultado insatisfatório”, alerta o doutor Múcio Leão Pessoa de Castro, cirurgião plástico e membro da SBCP. Ele frisa que o custo/benefício dessas novas técnicas é discutível, pois a lipo, quando bem indicada, pode ser resolvida com tranquilidade pela técnica tradicional.

* Cláudio Cunha
” Depois da cirurgia de reconstrução mamária tive minha autoestima resgatada, voltei a ter prazer em estar viva” Raquel Tolentino consultora de imagem

Mas a grande vedete dos consultórios atualmente é o implante mamário de silicone, que ultrapassou a lipoaspiração. O que mudou nas cirurgias mamárias é a qualidade. A cápsula que as envolve é feita em várias camadas dificultando a passagem microscópica do gel. Além disso, o endurecimento da mama, ou seja, a contratura da cápsula que envolve o silicone, complicação que no passado acontecia em 40% dos casos, diminuiu para 1 a 4%. É o que afirma o cirurgião plástico e titular da SBCP, Teófilo Taranto. A incisão preferida por ele ainda é a no sulco submamário. “Quando o implante é feito pela axila há uma dúvida quanto à preservação do gânglio sentinela, estrutura importante no tratamento de câncer de mama”, diz. Já a técnica aureolar implica em um corte no interior da mama, o que pode dificultar o exame radiológico futuramente.
* Cláudio Cunha
Vânia Diniz adotou uma técnica belga para o lifting do rosto feita com anestesia local

Devido aos avanços e às facilidades, Bruna Signoretti Jardim, arquiteta, 31 anos, se submeteu, no mesmo dia, a dois procedimentos:  lipoescultura  e troca de implantes mamários, nove meses depois de ter  gêmeos. O resultado superou as expectativas: “Não fui descuidada. Antes fiz todos os exames possíveis e depois usei macaquinho e fiz drenagem linfática três vezes por semana. Sei que 50% do resultado são devidos a esses cuidados” comemora ela que voltou às atividades no dia seguinte.

Para o rosto, o avanço existe pela busca da naturalidade, com técnica capaz de voltar a musculatura que caiu com a força da gravidade e o começo do envelhecimento. Vânia Marília Diniz, membro da SBCP e da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, realiza, em mulheres de 35 a 85 anos, técnica avançada de face lifting com incisões mínimas. A técnica foi criada por Patrick Tonnard e Alexis Verpaele, cirurgiões belgas que difundiram o procedimento em todo o mundo. “É feito um descolamento mínimo da pele, tracionando para cima somente os músculos. A pele acompanha naturalmente, sem haver necessidade de retirada de tecido. O resultado é muito natural”, explica. Devido aos cortes pequenos, a cirurgia é feita com anestesia local e sedação leve, por isso o paciente pode ser liberado no mesmo dia. Na opinião da cirurgiã a intervenção é melhor do que os preenchimentos com substâncias químicas, que perdem o efeito em seis meses, com o agravante de comprometerem a expressão facial.
* Eugênio Gurgel
Ticiano Cló: “A nova cirurgia de nariz pede intervenções sutis e mais naturalidade”
 
Teófilo Taranto destaca outra técnica que evita grandes incisões no rosto: de origem americana, o lifting frontal endoscópio se baseia no balanço muscular. São feitas cinco pequenas incisões dentro do couro cabeludo e com o uso da endoscopia são trabalhados os músculos que abaixam o supercílio, liberando-o completamente. O tônus do músculo frontal – da testa – faz uma elevação natural do supercílio, não havendo portanto necessidade de retirada de pele. “A recuperação é de 10 dias e o resultado final é alcançado de três a seis meses”, relata. Renner Emília dos Reis, de 47 anos, define este lifting ao qual se submeteu como algo sutil e leve. “Tive inchaço só na primeira semana e as cicatrizes são quase imperceptíveis”, diz.
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Teófilo Tarântulo e a paciente Renner Emília: endoscopia para o lifting facial, feito com cinco pequenas incisões
 
O cirurgião plástico Ticiano Cló pontua que as técnicas cirúrgicas se renovaram com o próprio bisturi. “O modo de usá-lo evoluiu”, diz. Exemplo disso é a cirurgia de nariz, onde se transforma mais o formato das cartilagens em vez de retirá-las e cortá-las. Por isso ele compara a profissão com a do alfaiate. A essência é a mesma: o cirurgião tem de fazer com que a pele caia bem sobre a estrutura tratada.  “De maneira geral, continua como um processo artesanal, porque depende do planejamento e da boa preparação do profissional.”

Uma técnica nova também resolve em definitivo o problema da hiper-hidrose, incômodo para homens e mulheres. “O processo é parecido com uma pequena lipo na região da axila, que destrói as glândulas sudoríparas”, relata Vânia Diniz. Novamente o corte é mínimo e feito com anestesia local.

Algo que abriu nova perspectiva na vida de mulheres que passam pela mastectomia em consequência do câncer de mama é a reconstrução dos seios. Taranto explica que um dos métodos é a expansão tecidual, que consiste na introdução de uma bolsa de silicone vazia na região mamária com uma pequena válvula. Semanalmente é infundido soro fisiológico para que a pele possa se expandir. Depois, o expansor é trocado por uma prótese de silicone. A aréola é refeita, com pele retirada da virilha e o mamilo com retalho local da mama. Raquel Tolentino, consultora de imagem, 46 anos, amamentava o segundo filho quando foi diagnosticada. Lembrou-se amedrontada do que tinha passado a avó paterna, que teve câncer de mama em 1972. “Ela entrou para o bloco cirúrgico para tirar o caroço e saiu sem a mama e o músculo peitoral,” relembra. Entretanto, o avanço da cirurgia plástica aliviou o sofrimento. Ano passado ela terminou a reconstrução dos dois seios.  “Não são iguais aos seios que perdi, mas ficaram perfeitos. A autoestima foi resgatada, voltei a usar camiseta, fazer ginástica, enfim, a ter prazer em estar viva.”

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