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Cotidiano

| Marcelo Fiúza |


Na estação mais quente e chuvosa do ano, as temidas baratas, pernilongos, formigas e ratos são comuns por todo lado. O que fazer para combatê-los?


Pragas de verão

* Cláudio Cunha
Geraldo Ferreira: “Infelizmente, o controle domiciliar normalmente não é preventivo, mas corretivo, as pessoas só chamam o profissional de controle de pragas quando têm uma infestação”

Verão, época calor e de casa cheia com as crianças em férias. Infelizmente, é também a época em que surgem com maior intensidade alguns visitantes indesejados, como pernilongos, aleluias, formigas e baratas, além de outros mais perigosos, como ratos e escorpiões. Todos esses bichos são pragas urbanas que trazem consigo doenças, como o atual surto de dengue, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Por isso, quando a infestação aparece, deve ser logo controlada, sempre por um profissional especializado e com produtos químicos concentrados. Mas o que pouca gente sabe é que a maioria dessas pragas deve ser combatida também quando não é vista, ao longo de todo o ano, com uma série de medidas preventivas que qualquer um pode adotar em casa. Nesse caso, literalmente, prevenir é muito melhor do que remediar.

 Que o diga a gerente comercial Cláudia Casassanta Peixoto, que há dois anos viu-se diante de uma infestação de cupins em sua casa, no bairro Nova Suíça, em Belo Horizonte. Preocupada, contratou uma empresa de controle de pragas para solução imediata e aprendeu a necessidade da prevenção. “Nunca tinha tido problemas com cupins. Ficamos em pânico e chamamos uma empresa especializada. Eles resolveram os cupins e sugeriram também uma desratização, que fizemos antes que aparecesse algo. Como todo ano faço também a limpeza da caixa de gordura e havia muitas baratas, aproveitei e fiz a dedetização. Percebi que  neste verão, a infestação foi muito menor. Tenho jardim e, nesse calorão, ainda não apareceu nenhuma barata, nem formiga doceira, nem cupim. Prevenir faz a diferença”, ensina Cláudia.

* Cláudio Cunha
Cláudia Casassanta Peixoto, gerente comercial: “Depois de uma infestação de cupins, fizemos uma dedetização e uma desratização. Este ano notei que a infestação de pragas foi bem menor”

 Experiência semelhante teve o contador Jânio Rodrigues, síndico de um edifício no bairro Sagrada Família e que aprendeu do jeito difícil como lidar com os pragas. Ano passado, um morador do prédio em que Jânio mora tratou de maneira inadequada um foco de cupins e o inseto logo se espalhou para outros apartamentos.  Como síndico, chamou logo o especialista. “Quando aparece a praga, é melhor dedetizar logo. No caso do cupim, há necessidade de se retirar as coisas de dentro dos armários, ver como está a situação, procurar por colônias. Se você acha o foco no início, o tratamento não custa quase nada”, ensina o síndico.
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 Quem melhor explica a lógica da prevenção no controle de pragas é a bióloga especializada em saúde pública Lucy Ramos Figueiredo, diretora técnica da Associação Brasileira de Controle de Vetores e Pragas (ABCVP).  “A gente tem a impressão de as pragas aparecerem só no verão, mas elas ocorrem o ano inteiro. No verão tem mais porque se reproduzem, pois  os ciclos evolutivos dos insetos são mais curtos no calor. Um mosquito, por exemplo, que no inverno leva 12 dias para completar o ciclo de ovo a indivíduo adulto, no verão faz isso em até seis dias e aí  temos mais gerações e abundância do inseto. Por isso o certo é prevenir. Quando há menos pragas o combate é mais fácil e o custo é menor”, diz Lucy, que sugere a adoção coordenada de medidas higienizadoras, de manejo ambiental e preventivas, como vedar frestas, manter o ambiente limpo, não acumular objetos em desuso, não deixar água parada ou acumular lixo.
 
Segundo a bióloga, quando se percebe a presença de pragas urbanas em fase inicial, indivíduos isolados e pequenos focos, pode-se, sim, lançar mão de medidas paliativas, como os inseticidas e os repelentes. “O inseticida de supermercado adianta se houver um rato ou dois. Temos também os repelentes tópicos, de passar na pele, e os ambientais, como aqueles de tomada elétrica recarregáveis ou mesmo a vela de citronela, natural, que são eficientes apenas em uma área de proteção limitada. São produtos inseticidas de baixa concentração, que não chegam a matar a praga, só repelem. Mas quando a situação é crítica, a infestação causa desconforto, não é uma barata que se consegue matar com chinelo, tem de chamar uma empresa especializada”, diz Lucy que, entretanto, faz um alerta: é preciso ter muito cuidado na hora de contratar uma empresa de combate a pragas e evitar o que ela chama de “Zé Bombinha”. “A empresa tem de ser regularizada pelo órgão de saúde ambiental, a vigilância sanitária, porque lida com produtos químicos concentrados e tóxicos. Há muitos profissionais autônomos que não estão estruturados ou treinados devidamente para aplicar corretamente e com segurança esses produtos, usam pesticidas agrícolas e não orientam sobre medidas preventivas”, diz.
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Médico veterinário e autoridade sanitária da coordenadoria de vigilância sanitária de Minas Gerais na região de Belo Horizonte, Fábio Remi concorda com a bióloga Lucy Figueiredo. Segundo ele, o assunto é previsto em lei. “A empresa de controle de pragas tem de ser especializada e cumprir legislação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que exige o devido alvará para fiscalização”, afirma Remi, destacando ainda que o combate às pragas deve ser feito através de um controle integrado e observando-se as características de cada região. “Em Minas Gerais estamos no auge da infestação do mosquito da dengue, sendo que o escorpião é também um problema sério em Belo Horizonte”, exemplifica.
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De acordo com o gestor da Associação Mineira das Empresas Controladoras de Pragas (Minasprag), Flávio Cançado Murta, o animal precisa de alimento e abrigo. “Temos em Belo Horizonte muitos escorpiões, que se alimentam das baratas que há em todo lugar. Uma maneira de combater o escorpião é controlar a barata: isso é o controle integrado de pragas. O inseticida é a última coisa que vamos utilizar”, diz. E, nesse caso, mais uma vez é melhor agir com antecedência, como ensina o presidente da Minasprag, Geraldo Lúcio Ferreira. “Infelizmente, o controle domiciliar normalmente não é preventivo, mas corretivo. Isso é algo cultural, as pessoas só chamam o profissional de controle de pragas quando têm uma infestação diante de si, quando seria muito mais fácil e econômico ter uma atitude preventiva”, garante.

como contratar a desinsetização

- Solicite o alvará da Vigilância Sanitária e confira o histórico da empresa no mercado
- Pergunte o nome e a formação do responsável técnico e exija o uso de equipamento de proteção individual
- Procure conhecer o produto a ser utilizado, sua toxidade e contra-indicações
- Faça mais de um orçamento e desconfie de ofertas de vantagens excepcionais
- Não aceite orçamentos por telefone e não contrate serviço com preço relacionado à quantidade de produto aplicado
- Exija nota fiscal de serviço

Calendário das pragas

Verão - dezembro, janeiro e fevereiro

Época de altas infestações de insetos (baratas, mosquitos e moscas), que transmitem doenças como dengue, causada pelo Aedes aegypti. Baratas podem causar alergias e contaminar o ambiente e os alimentos, causando infecções alimentares. Há também nesta época aumento da população de ratos, que saem do esgoto e migram para edificações fugindo de enchentes e alagamentos das chuvas. A urina do rato transmite a Leptospira, bactéria causadora da leptospirose.

Prevenção e medidas de controle:

- Estocar e descartar lixo adequadamente
- Manter regras de higiene e limpeza
- Vedar vãos, frestas e quaisquer locais de passagem e abrigo
- Desobstruir galerias de esgoto
- Remover recipientes cumulativos de água parada
- Desinsetizar as residências, áreas de alimentação e demais locais críticos para infestação de baratas e moscas
- Desratizar áreas de ocorrência de enchentes, com presença de roedores

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outono - março, abril e maio

Momento pós-chuvas, em que aumenta a densidade populacional do mosquito Aedes aegypti. Clímax do período epidêmico da dengue.

Prevenção e medidas de controle:

- Furar vasilhames cumulativos de água de chuva
- Manejar o lixo adequadamente
- Não deixar pneus a céu aberto
- Não cultivar plantas aquáticas
- Não deixar os pratinhos suportes de plantas com água
- Vedar bem os recipientes de água potável, como cisternas e caixas-d’água
- Evitar quaisquer possibilidades de acúmulo de água parada


inverno - junho, julho e agosto

Época mais fria e, portanto, de menor densidade populacional de pragas. É o momento mais indicado para adoção de medidas preventivas. É também o período de reprodução dos cupins que, após o acasalamento, perdem suas asas e buscam um local na madeira para formar seu ninho e uma nova colônia, destruindo móveis e construções.

Prevenção e medidas de controle:

- Verificar a presença de pó granulado nas bases de móveis, pois este é um vestígio importante de cupins de madeira seca
- Verificar a existência de túneis ou galerias, sinais de cupins subterrâneos
- Arejar bem os ambientes, reparar infiltrações e inspecionar móveis
- A qualquer sinal de cupins, providenciar o controle profissional imediato


primavera - setembro, outubro e novembro

Período que precede o verão, em que devemos estar atentos a ocorrências iniciais e mais aparentes de pragas urbanas, como os cupins, que continuam seu ciclo reprodutivo até outubro. Embora não sejam pragas urbanas, abelhas e vespas causam sustos e a primavera também é a época de reprodução desses insetos.
 
Prevenção e medidas de controle:

- Inspecionar armários, vãos de escadas, sótãos, áreas de manipulação de alimentos e outros locais passíveis de infestação.

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