| Carolina Godoi |
A dança da bambina

A bailarina e estudante de psicologia Izabella Mattar, 23 anos, está iniciando este mês na capital um projeto com a maître e coreógrafa cubana formada pelo Instituto Superior de Artes de Havana, Mercedes Beltrán. É o Interdança, que vai disponibilizar aulas de balé clássico e contemporâneo para meninas que têm o sonho de ser bailarinas profissionais e para adultas que nunca tiveram oportunidade de aprender. O projeto tomou corpo depois que Izabella voltou de intercâmbio de um ano na Itália onde estudou dança moderna com Annadora Scalone, bailarina reconhecida na região. Izabella chegou a dançar no maior e mais antigo teatro da cidade, o Teatro Comunale di Bologna. Além disso, a bailarina mineira se apresentou como convidada no espetáculo de formatura das alunas de Nicoletta Sacco, precursora da dança expressiva na Itália. “Foi muito emocionante ser tão bem recebida”, diz ela, que começou a estudar balé aos 6 anos de idade na escola do Grupo Corpo, trabalhou com Izabel Costa, da Aquarela Cia. de Dança, e se graduou no Centro de Formação Artística do Palácio das Artes. O tempo da moça atualmente é curto, já que dá aulas de línguas e ainda tem tempo para trabalhar na empresa do pai, uma importadora de produtos – adivinhe? – italianos.

Não por coincidência, os músicos mineiros mais conhecidos no cenário nacional caíram de amores pelas ideias do videomaker belo-horizontino Conrado Almada, 30 anos. Skank, Pato Fu, Jota Quest, Tianastácia, Sideral e a cantora Marina Machado já fizeram clipes com a assinatura de Almada, que acaba de fazer associação com a Brokolis do Brasil. Formado em publicidade e propaganda pela PUC Minas, ele começou a carreira na produtora do cineasta Helvécio Ratton e se aprimorou na Fábrica, Centro de Pesquisa em Comunicação do Grupo Benetton, em Treviso, na Itália. Dono de linguagem jovem, Almada conquistou o prêmio de melhor videoclipe, em 2009, com o trabalho que fez para o Skank com a música Sutilmente, em concurso promovido pela MTV. A visibilidade lhe deu a chance de encarar outro importante desafio: assinar o clipe da música Jogo Sujo, que comemora os 50 anos de carreira de Erasmo Carlos. “Faz 25 anos que o Tremendão não grava um clipe”, conta. O músico desembarca em BH no início de março para as gravações, que serão feitas durante dois dias em estúdio, utilizando a tecnologia de cinema em alta definição. O clipe vai mostrar Erasmo em sua essência roqueira num contexto lúdico e contemporâneo. A ideia é intercalar a performance dele com personagens da vida real, fazendo uma metáfora com o jogo da vida.

Entender a relação de pessoas singulares com a literatura e como ela entra em suas vidas é o que propõe a Coleção AmorÍmpar, idealizada pela psicanalista e escritora mineira (com mais de 30 livros publicados) Lúcia Castelo Branco, que também é professora titular de estudos literários da UFMG. São cadernos com filmes documentários encartados sobre a elaboração primeira da escrita, no sentido mais rudimentar. Os dois primeiros, que estão sendo lançados agora, têm ilustrações de Maria José Vargas Boaventura, e são sobre o poeta matogrossense Manoel de Barros e a escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol. Ambos tiveram ligação íntima de amizade com Lúcia, com quem trocaram correspondência por mais de vinte anos. “Escolhi fazer cadernos, pois queria tirar o escritor deste lugar consagrado em que é colocado. Além disso, os autores têm ligação forte com estes objetos, escrevem sem parar neles e isso quase nunca vem a público. É aí que se vê a relação mais íntima do escritor com a letra”, diz. A escritora está produzindo ainda um caderno-filme, ainda sem data de lançamento, com Maria Bethânia, realizado em Santo Amaro da Purificação, terra natal da cantora, que vai mostrar o dom e a ligação da baiana com a literatura.

O jovem cineasta belo-horizontino Cesar Raphael, 24 anos, não imaginava o alcance que um curta-metragem poderia ter em tão pouco tempo. Em quatro meses de exibição em festivais, o seu segundo curta, Pedaço de Papel, já arrebatou quatro prêmios: melhor filme pelo júri popular no Festival Internacional de Cinema de Itu (SP); segundo melhor curta e melhor diretor no Los Angeles Reel Film Festival (EUA) e prêmio de mérito na Competição Accolade (que premia cineastas e produtores de televisão de várias partes do mundo), na Califórnia (EUA). Produção independente – os 30 mil reais gastos foram bancados por ele e pela produtora mineira Lumiart, já que não conseguiram captar a verba aprovada duas vezes pela Lei Rouanet de Incentivo à Cultura –, o filme critica a forma como as pessoas utilizam o dinheiro e até onde chegam por ele. Aliás, a cédula especialmente criada para o filme é a personagem central, que transita entre diversas narrativas – todas sem nenhum diálogo. Cesar Raphael se formou na primeira turma da Escola Livre de Cinema de Cláudio Costa Val, mas antes de se arriscar como diretor foi continuísta, produtor, ator, assistente de direção e fotografia. “Só assim me senti seguro para saber o que pedir de uma equipe”, conta. Mesmo depois do lançamento em BH, o diretor ainda corre atrás de verba para a distribuição do curta e já começa a escrever o roteiro de seu primeiro longa.

“Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo...”. O trecho da música de Peninha, interpretada por Caetano Veloso, traduz bem o que aconteceu na vida da designer e estilista mineira Renata Amaral, que na infância, junto com a prima Flávia Matos e as amigas Cíntia e Débora Falabella (hoje atrizes conhecidas em todo Brasil), brincavam de fazer filmes e ainda cobravam ingresso da família e dos amigos. Era Renata a responsável pelo figurino de todas as produções infantis. A menina cresceu, trabalhou como assistente de estilo de Aristides Neto e Graça Otoni, se formou em Design de Moda na Fumec e Produção de Moda e Stylist em Saint Martins College of Art & Design, em Londres. Desde 2008 ela comanda a própria loja em Lourdes, que tem móveis e adornos para casa e roupas superdiferenciadas com espírito jovem, urbano e chique. Além de oferecer doze marcas diferentes de estilistas de todo o Brasil, ela está lançando agora a própria produção, a Good Mood Label, que tem peças básicas de malha com estampas de bicho, muitos bordados e paetês. Outra novidade é que a mineira traz com exclusividade a partir de abril, a Gaina, marca carioca que faz sucesso entre atrizes globais como Fernanda Machado e Mariana Rios.
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