| André Lamounier |
As mulheres e a educação

Ao contrário do que muita gente pensa, a informação em seu aspecto mais puro pode ser fascinante. Afinal, nada pode ser mais surpreendente do que a própria realidade. Basta enxergá-la. Uma das importantes notícias sobre o Brasil nos últimos anos tem passado despercebida. Trata-se da impressionante ascensão das mulheres aos postos de comando das empresas e da administração pública.
Não é por acaso que também pela primeira vez na história do Brasil, há duas mulheres candidatas à presidência da República, Dilma Rousseff e Marina Silva, e, ao menos uma delas, com reais chances de vitória. Isso é reflexo da transformação social que vem ocorrendo no país.
Transformações desse vulto acontecem aos poucos, silenciosamente, e – pode apostar – têm profundas implicações para as pessoas. Em Minas Gerais, é natural, não poderia ser diferente. Por essa razão, a matéria de capa desta edição é dedicada ao tema.
A reportagem é assinada por Kátia Massimo, outra mulher que vem brilhando em nossa redação. Na matéria, Kátia revela como a maneira de trabalhar e de ver o mundo de algumas executivas e empresárias mineiras também contribui para transformar o ambiente corporativo de suas empresas. Assim como o mercado que nos cerca, nossa redação é dominada por mulheres. À frente da equipe, a experiente editora Neide Magalhães, 48. Outras três mulheres também exercem cargos de comando na revista: Jamile Lage, 28, gerente comercial, Solange Rabelo, 34, gerente administrativa e financeira, e Sandra Bicalho, 42, diretora de operações. Publicitária, Jamile trabalhou durante 7 anos na editora Abril, até ingressar na Encontro há 1 ano. Sandra Bicalho, ex-diretora da operadora Vivo, está na revista há 6 meses, onde responde por toda a área administrativa e operacional. Por fim, Solange é a prata da casa que recentemente assumiu função gerencial. Em comum, as quatro têm uma característica: a dedicação ao trabalho.

A explicação do porquê as mulheres estão adentrando cada vez mais em postos antes ocupados somente por homens é simples: está na educação. Segundo o IBGE, em geral as mulheres estudam 1,2 ano a mais do que os homens. Hoje, elas são a maioria entre os estudantes universitários. Quando o assunto é pós-graduação, mestrado ou doutorado, a distância em relação aos homens é ainda maior. O primeiro lugar geral no vestibular da UFMG, um dos mais concorridos do país, neste ano, é de uma mulher, como mostra outra matéria desta edição, intitulada “Calouros Nota 10” (pág. 32). Educar nossos jovens e crianças é, de longe, dos mais importantes fatores para o futuro do Brasil. Outro, urgente, é acabar com a corrupção.
O episódio da prisão preventiva de José Roberto Arruda, governador do DF, nos enche de esperanças. Sem deixar que mazelas como essas nos ceguem, é possível enxergar uma boa notícia: se quisermos mudar de patamar como país e como sociedade é indispensável extirpar essa chaga que atravessa governos e gerações. E esta parece ser a melhor hora.
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