| Kátia Massimo |
O sexo dominante
Quando a psicóloga Silvana Case decidiu trabalhar na área de consultoria em Recursos Humanos, há 20 anos, tornou-se uma das primeiras mulheres no país a competir em um segmento até então dominado por profissionais do sexo masculino e sentiu na pele a resistência dos colegas de profissão. Na época, a situação para as mulheres que se aventuravam no mercado de trabalho era de dificuldades: poucas oportunidades, ocupação de cargos menos valorizados e salários nada atraentes. Silvana é vice-presidente da Catho Consultoria em RH, especializada no recrutamento e seleção de profissionais para empresas nacionais e estrangeiras, e hoje atesta no dia a dia uma realidade muito diferente. A distinção de sexo, mesmo para cargos de liderança, é coisa do passado. Ponto para as mulheres. Elas conseguiram conciliar atividade profissional e família, qualificar-se e provar competência, mesmo em áreas antes restritas aos homens.

Imagine sentar-se na cadeira de diretora de uma empresa centenária, aos 28 anos de idade, para comandar duas fábricas, mais de 700 funcionários e produção superior a 1,5 milhão de metros de tecidos por mês, além de 150 toneladas de malha, parte comercializados para o exterior. Foi o que aconteceu com a economista Pollyanne Lessa,
em 2003, quando assumiu a diretoria da Horizonte Têxtil. Filha do fundador do grupo VDL, que adquiriu a fábrica de tecidos nos anos 90, Pollyanne vinha sendo preparada pelos acionistas para o cargo, desde que entrou na empresa, quando tinha apenas 21 anos. Cursou MBA em gestão, trabalhou em várias áreas para conhecer melhor o negócio, mas a saída repentina de um ex-diretor (do sexo masculino) precipitou a ocupação do cargo mais alto da fábrica. “Embora repentina, a transição foi tranquila. Conhecia a fábrica e contava com o apoio das pessoas”, comenta. Passou a trabalhar até 14 horas por dia e enfrentou momentos difíceis de mercado para a indústria têxtil. A concorrência com os tecidos importados, que chegam aqui a preços bem mais baixos, exigiu decisão e reposicionamento da Horizonte Têxtil, que esteve ameaçada de fechar. A estratégia foi inovar e apostar na qualidade, para oferecer diferenciação. A fábrica passou a produzir estampas exclusivas para grifes. Com a crise de 2008, diversificou para o segmento de malha. Resultado, o faturamento de 2009 foi um melhores da história da empresa. “Quase todo o setor têxtil sofreu forte queda, após a crise”, diz ela. “Nossa empresa foi uma exceção”.
Com decisões rápidas e se valendo da sensibilidade feminina que lhe permitiu enxergar oportunidades no mercado de moda, Polyanne fez sua empresa crescer e se tornar referência junto às confecções. A consequência pessoal é que, hoje, ninguém duvida do potencial da executiva. Atualmente, ela dividi o tempo entre a fábrica, o marido e o pequeno Yuri, de apenas 2 anos. “A maternidade me deu mais maturidade e eficiência”, afirma. “Afinal, preciso ser mais objetiva para gerenciar meu tempo”.
“Agora, o que vale mesmo na hora de contratar é a qualificação para a função, interesse e capacidade de trazer resultados, independentemente de sexo”, diz Silvana. Uma visão difícil de imaginar até há bem pouco tempo, e que é comprovada por pesquisa realizada pela Catho, no ano passado, com mais de 100 mil executivos das principais capitais do país. Outro dado surpreendente – pasmem – foi apurado: as mulheres já são maioria entre os que ocupam cargos de chefia (52,7%), como coordenadoras e supervisoras. No entanto, o predomínio dos homens se mantém no mais alto escalão. Mais da metade dos presidentes, diretores e gerentes gerais são do sexo masculino. Mas atenção: esse predomínio vem caindo ano após ano. “A liderança feminina é cada vez mais reconhecida em todos os segmentos”, diz Silvana. “E a tendência é de crescimento, inclusive nos mais altos postos”.
Na há dúvida de que o mercado mudou e rápido, mas não por acaso. Nos últimos anos, as mulheres avançaram por universidades e cursos de pós-graduação e se destacam em número entre as pessoas com curso superior, incluindo mestrado e doutorado. Já são quase 57% a mais, de acordo com o IBGE. Preparadas e determinadas, a conquista de espaços, inclusive em postos de comando, pode ser considerada consequência. Alguns méritos para essa ascensão a postos de comando são apontados pela pesquisa da Catho: as mulheres valorizam mais os subordinados, dão conselhos e feedeback. O detalhe é que a aceitação é maior entre o público masculino: 89,43% dos homens concordam com a afirmativa de que a mulher é melhor chefe, enquanto 80,15% das mulheres são da mesma opinião. Mas quando o assunto é salário, a diferença de ganhos predomina a favor dos homens –23% a menos para elas, no mesmo cargo ou função, segundo o IBGE. “Esse é um tabu que eu estava determinada a mudar”, diz a bióloga mineira Eliana Tameirão, que no ano passado assumiu a presidência do Laboratório Genzyme no Brasil. Antes de aceitar a promoção, Eliana consultou o salário de presidente e descobriu que no grupo – um maiores do mundo – não existe distinção de ganhos em função do sexo. “Foi uma boa surpresa, já que não é prática comum”, observa.
Assim como Eliana, não é difícil encontrar outras mulheres, e muitas mineiras, ocupando cargos importantes, inclusive na cena política, e também dispostas a mudar conceitos e tabus. Que o diga Misabel Derzi, primeira procuradora-chefe de Minas Gerais e ainda a única mulher que responde pela cadeira de direito tributário da UFMG, em quase 40 anos. O mérito de sair à frente e quebrar barreiras ela atribui ao “idealismo” e à “vontade de crescer”.
A determinação, aliás, é componente que não falta às profissionais femininas para fazer valer suas metas. “Nunca permiti que cortassem minhas asas”, diz a diretora da construtora Caparaó, Maria Cristina Valle, que desde cedo definiu o próprios caminhos profissionais. “Não queria ser dondoca. Fui atrás do meu caminho”, diz ela. Pollyanne Lessa, diretora da Horizonte Têxtil, que aos 28 anos assumiu o desafio de comandar uma fábrica de tecidos centenária, pensa de forma semelhante: “Sempre quis crescer”.
Liderar equipes, responder por grandes projetos e, principalmente, por resultados, não assusta essas profissionais. E nem o fato de trabalhar várias horas por dia e viver em constante malabarismo para conciliar família e atividade profissional. Em comum, elas têm como foco grandes metas profissionais, mas sem jamais abdicar da família e do papel de mãe. “No passado, tive de provar que dava para conciliar trabalho e filhos”, diz Mirna Saffran, presidente de uma das maiores empresas de refratários do país. “Hoje, ninguém duvida”. Seguras, as mulheres não duvidam do próprio potencial. “Nós vencemos pela competência”, afirma Patrícia Soutto Mayor, diretora do Buffet Célia Souto.
Mais do que provar que são capazes, o que todas buscam mesmo é a autorrealização. “Sou movida pelo desafio”, afirma a secretária de Planejamento e Gestão de Minas Gerais, Renata Vilhena. “Acho que todas somos”. Ela é responsável por comandar a transferência dos 16 mil servidores estaduais para a nova sede administrativa do governo de Minas, no bairro Serra Verde, e deixar toda a infraestrutura funcionando plenamente, até outubro. E alguém pensa que ela se intimida com a responsabilidade? Nem pensar. “Ninguém questiona mais a capacidade das mulheres. Essa é uma etapa vencida”, afirma Renata.
Prova disso é que, nos últimos sete anos mais de 9 milhões de trabalhadoras entraram no mercado, no país. Em BH, as mulheres são também a maioria da população (vide gráfico). Portanto, caro leitor, prepare-se: se você não tem uma chefe, deve ser questão de tempo. Se já tem, cuide de tratar muito bem dela.

Quando foi excluída do que seria o seu primeiro estágio, aos 19 anos, porque era casada, a então estudante de estatística Renata Vilhena não imaginava que, no futuro, iria entrar para a história como a mulher que comandou o complexo processo de transferência da estrutura do governo de Minas para a Cidade Administrativa, no bairro Serra Verde, zona norte da capital. Na época em que foi rejeitada no estágio, tentou outro emprego, em banco, e de novo esbarrou nas dificuldades de ser mulher e casada. “Todo mundo pensava que logo teria filhos e que deveria ficar em casa”, diz. Hoje, no cargo de secretária estadual de Planejamento e Gestão, Renata é uma das principais lideranças do governo. A bagagem foi adquirida ao longo de mais de 25 anos de carreira pública, a maior parte deles na administração estadual. Ao longo desse tempo, ocupou vários cargos de destaque em diferentes governos. Aos poucos, com paciência e determinação, ascendia na carreira. Paralelamente, criou seus dois filhos, hoje adultos. Chegou a atuar no governo federal e retornou a Minas para ocupar a cadeira de secretária no governo Aécio Neves. As dificuldades do início, ela vê como passado. “As mulheres concorrem de igual para igual com os homens”, diz ela. “Sou respeitada pela minha competência”.

Ela poderia ter seguido a carreira do pai, um dos mais renomados dentistas da capital mineira e, assim, se beneficiar da herança de sucesso profissional. Ou simplesmente
ter escolhido dedicar-se à família e ao marido, engenheiro civil, já que desfrutava de situação financeira favorável. Mas a arquiteta Maria Cristina Valle queria mais . “Sempre quis voar”, diz. Não deu ouvidos aos conselhos de amigos que a estimulavam a fazer odontologia e, aos 22 anos, formou-se em arquitetura.
Logo conseguiu o primeiro emprego, na Construtora Caparaó. Entrou como funcionária do departamento de arquitetura, depois virou chefe do setor, até assumir, há 13 anos,
a diretoria de Projetos e Planejamentos. Hoje, comanda equipe de mais de 50 funcionários, incluindo cerca de 10 arquitetos. Tem absoluta autornomia para decidir sobre os projetos arquitetônicos da construtora, uma das maiores do estado e referência no país em qualidade e luxo. Maria Cristina lembra de quando, ainda recém-formada, chegou a dizer que “pagaria para trabalhar na Caparaó”. Eram tempos em que as mulheres ainda encontravam dificuldade para conquistar postos de maior especialização, principalmente em segmentos dominados por homens, como a construção civil. “Sempre tive muita vontade e determinação”. Alguns anos depois, veio o reconhecimento e o convite para assumir o cargo de diretora. Na época, pensava em deixar a empresa para tocar escritório próprio de arquitetura. “Não nasci para ser empregada”, respondeu ao presidente da empresa após o convite. “Preciso pensar”, disse ela. Uma frase do chefe, selou a decisão: “Mas você esta sendo convidada para dirigir a empresa”. Ela não teve dúvidas. Aceitou o convite, depois de receber o apoio da família.
Agora, 13 anos depois, sente-se realizada. Tem projetos arquitetônicos premiados nacionalmente e, sua atuação, contribuiu para que a Caparaó conquistasse posição
de destaque na construção mineira e do Brasil. “Hoje, somos um escritório de arquitetura que constrói”, brinca Ney Bruzzi, presidente da empresa, em referência ao trabalho desenvolvido por Maria Cristina. Detalhista, faz muitas viagens internacionais para conhecer tendências e trazer inovações. E não foi preciso abrir mão da convivência
com marido e filhas. “O trabalho só tem sentido se minha família estiver feliz”. Chega a trabalhar por 12 horas ou mais, mas preservou hábito de fazer as refeições diárias em casa e cuida de tudo por lá, até do cardápio da semana. “Quando estou na minha casa, fico integralmente com a família. Quando estou no trabalho, meu foco é a empresa”, diz.

A mineira Eliana Tameirão tornou-se ícone no setor farmacêutico ao assumir, no final do ano passado, a presidência da subsidiária brasileira do Laboratório Genzyme, um dos três maiores do mundo.
É a única mulher a ocupar o comando de um laboratório na América Latina. Em reuniões globais do grupo, convive só executivos homens, cerca de 90 na companhia. Teve que bater à mesa, literalmente, para conseguir emitir opinião em um desses encontros. “É um segmento prioritariamente masculino. Eles não estão acostumados a conviver com pares do sexo oposto”, diz. Aos 44 anos, formada em biologia, com MBA em gestão de negócios, tem ampla experiência na área.
Só no Genzyme, está há 13 anos. No comando, está mudando a forma de liderar subordinados e estimulando o diálogo. “Quero humanizar as relações”, diz. “É possível fazer gestão firme, sem perder a ternura”. Dividida entre dois lares – São Paulo e BH –, Eliana priorizou a carreira e fez, no passado, opção por não ter filhos. Atualmente, está revendo a decisão e a maternidade já faz parte de seus planos. Para futuras executivas, sugere: “Quando em postos de comando, a mulher não precisa repetir o comportamento masculino. Tem de ser ela mesma.” Portanto, nada de terninho preto. “Mulheres têm estilos próprios”, diz.

Referência de festas sofisticadas – e bem servidas –, Patrícia Soutto Mayor é a própria cara do bufê da família, Célia Soutto Mayor, que leva o nome de sua mãe, fundadora da empresa. Nos últimos 22 anos, Patrícia é responsável por cuidar do relacionamento com os clientes. É ela quem negocia, sugere, coordena as equipes e também inova. Cria receitas, gosta de valorizar o design dos pratos e também foi a primeira a fazer questão de servir tudo quente, mesmo que isso significasse transportar para o local da festa uma parafernália de forno, fogão e freezer. O que ninguém imagina é que essa empreendedora é formada em pedagogia e já deu aula para crianças. Foi na área de ensino que aprendeu a importância das relações interpessoais, o que se tornou essencial, depois, à frente do bufê. Com seu trabalho, ajudou a empresa a se tornar lider de mercado em Belo Horizonte. Hoje, sente-se recompensada. Recentemente, com o marido, decidiu investir no ramo de café. Seu maior desafio, contudo, é equilibrar tudo isso com os dois filhos. “Pelo menos no finais de semana, tenho conseguido”, diz.

Filosofia é uma área que a atrai, mas a inquietação por questões relacionadas à justiça, desde a adolescência, tornou a escolha pelo curso de direito algo natural. Isso, há quase 40 anos. Era o início da bem sucedida carreira da advogada tributarista e doutora em direito público, Misabel Derzi: única mulher a assumir a cadeira de direito tributário da UFMG, primeira procuradora– chefe do estado e sócia-fundadora da Faculdade de Direito Milton Campos. Hoje, comanda, com outros sócios, uma das maiores bancas do país na área tributária. No início, Misabel sentiu dificuldades para se destacar numa área pouco receptiva para mulheres. Optou por ingressar no mercado por meio
de concurso público para docente da UFMG. Teve atuação destacada, tornou-se procuradora e logo veio o convite para assumir a chefia. Chegou a ser cotada para membro
do STF, em substituição à ministra Ellen Gracie. Hoje, acumula títulos, livros e méritos. Mas de todos os desafios, diz, o maior foi conciliar carreira e família. “O apoio de meu marido, médico, foi fundamental”, diz ela, mãe de três filhos. “A mulher se diferencia porque é generosa e atenta às pessoas, seja com a família, seja com os colegas de trabalho”, afirma. “É a natureza feminina, isso não vai mudar nunca”.

A empresária Mirna Saffran acaba de atingir o posto mais alto de sua trajetória profissional. Assumiu a cadeira de presidente do Grupo Saffran, que era ocupada pelo pai, falecido há dois meses. Embora antes do previsto, a ascensão foi um processo natural e esperado. Mirna é a única de cinco irmãos que optou por seguir carreira no grupo, um dos maiores produtores nacionais de refratários do país, fundado pelo avô dela em 1954, e hoje com atuação também na América do Sul, México e Estados Unidos. Decidida a cuidar dos negócios da família, graduou-se em administração, fez MBA em ciências contábeis e passou por diversas áreas na empresa nos últimos 20 anos. Agora, aos 45 anos, sente-se segura para comandar as três empresas do grupo,com unidades em Betim, Itaúna e Matosinhos. “Passei por um processo lento e gradual
de preparação para o cargo, imprescindível para entender bem do negócio, conhecer o mercado e as pessoas”, explica Mirna. Primeiro, teve de convencer ao pai de que
era capaz de dar continuidade aos negócios, já que o irmão, cotado como o sucessor preferencial, decidiu seguir outros caminhos profissionais. “A família me dava apoio,
mas tinha dúvida por ainda prevalecer uma cultura de que a mulher deveria se dedicar aos filhos. Aos poucos, consegui mostrar que conseguia dar conta das duas tarefas”. Mãe e esposa, queria aprimorar os estudos, além de cuidar da casa e trabalho. Faltou apoio do marido, de quem se divorciou há 18 anos. Para os dois filhos, estudantes de economia e engenharia metalúrgica, tornou-se referência de sucesso e garra. Hoje, orgulha-se disso. “Eles acompanharam meu empenho e me viram crescer. O exemplo é o melhor que podemos dar aos nossos filhos”, considera.
Nos últimos 7 anos, 9,6 milhões de mulheres ingressaram no mercado de trabalho Representam hoje 45% da população ocupada
Os homens continuam ganhando mais: em média, as mulheres ganham 72,% do rendimento dos profissionais do sexo masculino
Entre 1998 e 2008, houve significativo aumento de mulheres na condição de chefes do lar. Passou de 25,9% para 34,9%
Em 2008, havia 94,8 homens para cada 100 mulheres em Belo Horizonte. No Brasil, são 92 homens para cada 100 mulheres
Em 2008, de cada 100 pessoas com pelo menos 12 anos de estudo: 43,3% homens - 56,7% mulheres
No ensino fundamental e básico, as mulheres têm, em média, um ano a mais de estudo.
Fontes: Pesquisa Mensal de Emprego –
Restropectiva 2003-2009 – IBGE / Pnad (Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílio) – IBGE – 2008
Superioridade no preparo acadêmico
Competência e dedicação
Melhor aparência
Remuneração menor
Mais participativo
Valoriza mais os subordinados
Praticam o feedback e aconselhamento com frequência
Valorizam ideias e o trabalho em equipe
Demonstrar insegurança
Mostrar excessiva sensibilidade
Reparar demais na aparência dos outros
Demonstrar inveja do sucesso alheio
Recorrem menos aos vícios de linguagem (aí, né, tá)
Conseguem manter as pessoas mais sintonizadas enquanto falam
Zelam mais pela aparência e marketing pessoal
Transmitem maior sinceridade quando falam
Fonte: Pesquisa A Mulher e o Mercado de Trabalho – 2009 – Catho Consultoria em RH
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