| Carolina Godoi |
Uma nova velha mania?

Uma cena vem atraindo jovens, e aqueles nem tão jovens assim, nos fins de semana na praça da Liberdade. Um grupo de jogadores faz demonstrações de incrível habilidade com ioiôs muito diferentes daqueles propagados na década de 80 por uma famosa marca de refrigerante. A diferença é o uso do ioiô de rolamento, praticado sem prender o ioiô àquela conhecida cordinha, muitas vezes usando um contrapeso no seu lugar. Eles começam a jogar e todo mundo para só para assistir à exibição.
O que faz toda diferença é que o ioiô de rolamento pode ficar girando mais tempo que os comuns e o jogador pode fazer manobras mais elaboradas, que não eram possíveis por causa do antigo eixo fixo. O resultado é que o ioiô praticamente voa nas mãos de quem sabe manipulá-lo. O desafio fez com que o estudante de informática, o mineiro Fernando “Alucard” William, 21 anos, se dedicasse cerca de seis horas diárias, até que conseguisse ser vencedor da modalidade 5 A no Campeonato Brasileiro de Ioiô Freestyle em 2008 e vice-campeão no ano passado. “Parece mais difícil do que realmente é. Hoje, é possível pesquisar como fazer as manobras pela internet e aprender sozinho. É só não desistir,” afirma. Ele conta ainda que foi com o ioiô, algo descontraído e alegre, que aprendeu a superar seus limites, conquistar amizades e até a decidir qual profissão seguir.

O presidente da Associação Brasileira de Ioiô, o paulista Rafael Matsunaga, afirma que o perfil dos jogadores mudou: em vez de crianças, adolescentes e jovens adultos com os mais diferentes tipos de perfis. “É um passatempo de roqueiros, skatistas, mas também de nerds ou mauricinhos; é totalmente sem distinções”, diz. Além de ser juiz em eventos nacionais e internacionais, Rafael coordena fórum na internet que tem mais de 2 mil participantes. Apesar de já ter sido campeão mundial na modalidade 5A, ele confessa que já não pratica tanto como profissional e sim como passatempo. As novidades, porém, não tiraram a atenção de quem gosta do brinquedo à moda antiga. A paixão pelo ioiô tradicional fez com que o instrutor de robótica Paulo “Takezo” Philipe passasse a colecioná-los. Tem 15 diferentes e joga todos eles, além de ser responsável pelos encontros e viagens em grupo dos mineiros para campeonatos. Aos que pensam em começar a se aventurar nas manobras desse brinquedo ele dá a dica: “Comece pelas mais básicas, não importa a modalidade, o principal é a diversão”.
1 A – É mais popular atualmente; consiste quase que exclusivamente em manobras de corda
2 A – É a mais clássica, praticada sempre com dois ioiôs, com manobras de voltas e mais voltas
3 A – Consiste em jogar dois ioiôs realizando truques de corda
4 A (Offstring) – É praticado sem prender o ioiô à cordinha
5 A (Freehand) – É praticado sem prender o ioiô ao dedo, colocando-se um contrapeso no lugar
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