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| Marcelo Fiúza |


Obras de Circuito Cultural Praça da Liberdade entram em fase final e BH ganha espaços de primeiro mundo dedicados à cultura


Igual, só em Berlim

* Nelson Flores

Boas notícias para todos! Nos próximos meses começam a ser abertos à visitação os primeiros equipamentos do Circuito Cultural Praça da Li­berdade (CCPL), grandioso projeto do governo do estado que vai marcar para sempre a capital. A ideia é restaurar e transformar em modernos centros dedicados à cultura os prédios das secretarias e repartições públicas existentes na região e que vão se mudar para a Cidade Administrativa, no bairro Serra Verde, onde funcionará toda a administração direta. Nesta primeira fase do CCPL serão desocupadas e entregues à população as secretarias de Fazenda, de Educação, de Defesa Social, a Reitoria da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), o edifício Rainha da Sucata e o Hospital São Tarcísio. Também integram o CCPL o Palácio da Liberdade, a Bi­blioteca Pública Estadual, o Museu Mineiro e o Arquivo Público Mineiro.
“Agora o Circuito Cultural Praça da Liberdade entrou no trilho, pois4 o projeto é complexo, envolve parcerias com várias empresas e um patrimônio histórico tombado”, explica o secretário de Estado de Cultura, Paulo Brant, lembrando que todo o conjunto arquitetônico e paisagístico da praça da Li­berdade é tombado pelo Instituto Estadual do Patri­mô­nio Histórico e Artístico (Iepha).

* Eugênio Gurgel
Detalhe da fachada da Secretaria de Estado da Fazenda: praça da Liberdade ganhará ainda mais destaque no cenário de BH
“Com a transferência do governo para a Cidade Ad­mi­nistrativa abre-se a possibilidade de ocupação dos imóveis. A ideia do Circuito Cultural é ser realmente um grande centro irradiador da cultura mineira, representando uma visão moderna da arte, com museus, casas de espetáculo, teatros e salas de exposição”, diz o secretário, visivelmente em­polgado com o projeto, cuja inspiração veio de modelo semelhante existente em Berlim, na Alemanha. “Vai ser algo fantás­tico. Belo Horizonte precisava dis­so. Sabemos que a cultura de Mi­nas é muito diversificada e rica e a capital tem esse papel de pólo catalisador, concentrador”. Para a execução da tarefa, ao custo estimado de 90 milhões de reais, segundo informa Es­tevão Fiúza, secretário executivo do CCPL, o governo estadual convidou importantes empresas e instituições nacionais, como a TIM, a UFMG, a EBX, o Banco do Brasil e a Vale, para serem parceiras investindo recursos próprios e sem incentivos fiscais.
Algumas inaugurações se­rão ain­da este ano. O primeiro a abrir, em meados de 2009, deve ser o Es­paço do Co­nhe­cimento, patrocinado pela operadora de telefonia móvel TIM e a UFMG e que vai ocupar o prédio da Reitoria da Uemg. Com museografia de Paulo Schmidt e projeto arquitetônico de Jô Vascon­cel­los, o Es­paço do Conhecimento terá planetário, observatório e exposições temáticas sobre o universo. Um dos diferenciais, destaca Jô, será o revestimento de toda a fachada frontal para projeções audiovisuais. “Des­­montei a fachada e aproveitei a estrutura do prédio, que era dos anos 60, muito em desacordo com os vizinhos. Criei ali uma pele, uma ossatura de vidro de alta performance e que não reflete absolutamente nada, ou seja, quando apagado, é uma fachada normal. Lá teremos 12 retroprojetores passando filmes científicos e artísticos”, diz a arquiteta.

* Geraldo Goulart
Secretário Paulo Brant: “Ideia do Circuito Cultural é ser um grande centro irradiador da cultura, representando uma visão moderna da arte”

A cobertura sofreu mo­dificação para receber a cúpula do planetário, com teto retrátil e telescópio. “Nos outros andares a UFMG vai fazer uma exposi­ção sobre o desenvolvimento do planeta, desde a época do Big Bang até hoje. Na parte de baixo teremos um café com entrada independente, e o Espaço TIM, que conta a história da telefonia móvel”, diz Jô. Para a operadora, participar do CCPL é uma oportunidade. “Desde a apresentação do Circuito Cultural Praça da Liberdade, a empresa acreditou na proposta do Es­paço do Conhecimento e, agora, com o seu desenvolvimento, reafirma a importância do empreendimento no cenário nacional”, explica Jorge Monteiro, gerente da empresa em Minas Gerais. “Fazer parte do projeto que mudará o cenário científico e do co­nhecimento no estado vai ao encontro dos valores em que a TIM acredita. Esses va­lores estão ligados à am­plia­ção e promoção da inclusão social por meio da ciência e da cultura, aproximando o saber e o conhecimento do dia-a-dia das pessoas, de  maneira interativa, inovadora e mo­derna”, diz o executivo.
Ao lado do Espaço do Co­­nhecimento fica o prédio da Secretaria da Educação, transformado no Museu das Minas e do Metal (MMM) pe­la holding EBX, do empresário Eike Batista, mineiro de Go­vernador Valadares, ao cus­to de 20 milhões de reais. Des­de setembro o portentoso prédio de 1897 está sendo res­taurado para conclusão ainda em 2009.

O que será feito: Primeira fase em sete passos

O Circuito Cultural Praça da Liberdade abrange o quadrilátero definido pelas ruas Tomé de Souza, Guajajaras, Bahia e Sergipe, incluindo todo o conjunto arquitetônico da praça e vários prédios públicos da avenida João Pinheiro. Integram o CCPL a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, a praça da Liberdade, o Palácio da Liberdade, o Museu Mineiro, o Arquivo Público Mineiro, o Espaço do Conhecimento (Reitoria da Uemg), o Museu das Minas e do Metal (Secretaria da Educação), o Centro Cultural do Banco do Brasil (Secretaria de Defesa Social), o o Centro de Informação e Apoio Turístico (Rainha da Sucata), o Memorial Minas Gerais (Secretaria da Fazenda), além do Centro de Arte Popular (Hospital São Tarcísio).

1 Centro de Informação e Apoio Turístico (Rainha da Sucata)
Será adaptado para o Centro de Informações e Apoio Turístico, que se destinará a oferecer diversos serviços de informação ao turista e ao desenvolvimento de atividades de apoio ao setor e ao próprio CCPL.
2 Espaço do Conhecimento (Reitoria da Uemg)
Foi construído em 1961, a partir de um projeto do arquiteto Galileu Reis, como anexo da Secretaria de Estado da Educação. Em parceria da TIM e da UFMG, o lugar abrigará o Espaço do Conhecimento, com observatório e planetário.

3 Museu das Minas e do Metal (Secretaria de Educação)
O antigo prédio da Secretaria da Educação foi projetado pelo arquiteto José de Magalhães em 1895 em estilo eclético, com predominância de elementos neoclássicos franceses. Será ocupado pelo Museu das Minas e do Metal, em parceria com o grupo EBX.

4 Centro Cultural Banco do Brasil (Secretaria de Defesa Social)
Em estilo neoclássico, o imponente prédio da an­tiga Secretaria de Defesa Social vai abrigar o Centro Cultural Banco do Brasil, com áreas pa­ra exposições permanentes, teatro, espaços de cinema, audiovisual e música, salas multiuso, centros de convivência, alimentação e comércio.
5 Memorial Minas Gerais (Secretaria da Fa­zenda)
Projetado pelo arquiteto da Comissão Constru­tora da Nova Capital, José de Magalhães, em estilo eclético, em 1895. Recebeu diversas modificações ao longo dos anos e foi tombado pelo Iepha em 1977. Em parceria com a Vale, vai receber o Memorial Minas Gerais.

6 Centro de Arte Popular (Hospital São Tarcísio)
Projetado inicialmente para uso residencial pelo arquiteto Luiz Signorelli, em 1928, em estilo eclético. Será transformado pelo governo do Estado no Centro de Arte Popular

7 Café do Museu
Será construído nos jardins entre o Arquivo e do Museu Mineiro, do fi­nal do século XIX dedicadas, respectivamente, à guarda de documentos do século XVIII ao XXI e ao acervo de quadros, esculturas, peças de arte sacra e de mobiliário de Minas Gerais.

Helena Mourão, diretora da EBX, no interior da Secretaria de Educação: projeto combina com filosofia da empresa
O projeto mu­seográfico é do designer  e curador de exposições Mar­cello Dantas, que tem no currículo a direção artística do prestigioso Museu da Língua Por­tuguesa, em São Paulo. Dantas concebeu espaços que a­presentam as principais minas mineiras, a história da mineração local e a relação histórica do ho­mem com o metal. “É um museu contemporâneo, com imagens ce­nográficas fortes, mas com elementos físicos pre­sentes na coleção do Museu de Mineralogia Professor Djalma Gui­marães. A história das mi­nas e do metal faz a his­tória deste estado e da humanidade”, resume  Mar­­cello, que criou novo espaço para receber o acervo do citado museu municipal, a ser incorporado ao MMM. Aqui se destaca o uso da tecnologia. Ho­lografias, interatividade e audiovisual são algumas soluções do museógrafo para amarrar o assunto e preservar a proposta ar­quitetônica original do prédio.
O toque moderno fica por conta da intervenção do premiado arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que projetou um anexo nos fundos, em estrutura metálica e de cristal. “Teremos um centro virtual de referência do professor, área para consulta, computadores ligados à internet de banda larga, salas de aula, biblioteca. A partir do momento em que o museu estiver aberto, a missão será educar as pessoas”. Participar do Circuito Cultural Praça da Liberdade combina com a filosofia da EBX, “que em todos os seus negócios, seja mineração, logística ou energia, sempre promove ações de desenvolvimento, responsabilidade social e sustentabilidade onde atua”, esclarece Helena Mourão, diretora de projetos sociais e culturais da EBX.
* Geraldo Goulart
Arquiteta Jô Vasconcellos, no Rainha da Sucata: coordenação dos projetos do CCPL

Ainda na mesma calçada da praça da Liberdade, a próxima porta após o MMM será a do Memorial Minas Ge­rais, ocupando o antigo prédio da Secretaria de Fazenda, na esquina da rua Gonçalves Dias. “A museografia é de Gringo Cardia. Lá vai ser o portal de entrada para o Circuito, vai tratar de Minas, seus escritores, literatura, música, fotografia, artes plásticas”, explica Jô Vas­concellos, que também coordena junto aos órgãos públicos a aprovação de todos os projetos do CCPL. “O Memorial vai ter no primeiro andar um auditório, recepção, um café com jornais e revistas e internet gratuita. Vamos tirar os anexos superiores e, atrás da escada monumental, teremos área de leitura e música”, diz Jô sobre o projeto arquitetônico de Humberto Hermeto que deve estar concluído no primeiro semestre de 2010.
A parceira do estado no Memorial Minas Gerais é a Vale. A mineradora, através de sua assessoria de imprensa, confirma a participação na empreitada, mas informa que só se manifestará publicamente sobre o assunto quando todos os acordos e contratos forem firmados. Não é o caso do Banco do Brasil, que promete instalar do outro lado da praça, no prédio da Secretaria de Defesa Social, a quarta unidade do Centro Cultural Banco do Brasil, instituição que em 20 anos de existência se tornou referência nacional na promoção da cultura, com 2,5 milhões de crianças assistidas em programas educativos e 47 milhões de visitantes. Como o projeto atualmente está em fase de licitações e abertura de envelopes, o banco ainda não sabe quanto vai investir no CCBB de Belo Horizonte. Mas, para se ter uma ideia do tamanho dos projetos da instituição, o gerente executivo da diretoria de marketing e comunicação, Lou­ri­valdo Paula de Lima Júnior, informa que este ano está previsto investimento de 41 milhões de reais apenas para a programação cultural do CCBB do Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, e mais 18 unidades itinerantes. “O CCBB faz parte de uma crença explícita na missão do banco de contribuir para o desenvolvimento do país. A cultura é uma forma de in­clusão e desenvolvimento e tem sido um privilégio poder levar isso a Mi­nas Gerais. Temos previsão de inauguração de uma primeira etapa do CCBB em Belo Horizonte em 2010”, completa Lima Júnior, informando que o conceito do CCBB é de um espaço que reúne diversas manifestações artísticas, com teatro, salas de exposição, programas educativos, cinema, biblioteca etc. “Nessa primeira etapa faremos um trabalho de restauro significativo para resgatar as características do prédio. Vamos seguir a linha curatorial nacional e trabalhar a idéia de múltiplas atividades que permite uma construção com o pé-direito alto como aquela”, promete.

Projeto ousado e vitorioso

Quando pronto em sua totalidade, o Circuito Cultural Praça da Liberdade vai a­branger o quadrilátero definido pelas ruas Tomé de Souza, Guajajaras, Bahia e Sergipe, incluindo o conjunto arquitetônico e paisagístico da praça e alguns prédios públicos da avenida João Pinheiro. Nesta primeira fase do projeto, além de realizar parcerias com empresas públicas e privadas, o governo es­tadual tomou para si a responsabilidade de três equipamentos: o prédio da Rainha da Sucata será adaptado para receber o Centro de Informação e Apoio Turístico (Ciat); na rua Gonçalves Dias, o antigo Hospital São Tarcísio foi restaurado para se transformar no Centro de Arte Popular; e, mais abaixo, no cruzamento da avenida João Pinheiro com rua Aimorés, está sendo construído o Café do Museu, entre os prédios do Arquivo Público e do Museu Mineiro. São obras feitas com recursos públicos, explica o secretário de Cultura, Paulo Brant. “O Ciat, o Café do Museu e o Centro de Arte Popular são os projetos desenvolvidos pelo próprio governo. A obra do café deve ser inaugurada este ano, custou 2,5 milhões de reais e será um centro de congraçamento e diálogo para aproximar a população do museu. O custo do Centro de Arte Popular deve chegar perto dos 10 milhões de reais, e o Rainha da Sucata precisou apenas de adaptações, tudo dinheiro do orçamento do estado”, diz Brant. No cronograma, a primeira entrega deve ser o Café do Museu. “As obras terminam em agosto”, informa a arquiteta Jô Vasconcellos, aqui no cargo de empreendedora pública. O projeto é dos arquitetos Marisa Machado e Fernando Maculam. “É uma construção semienterrada no nível do pátio, entre o Museu e o Arquivo, e vai complementar esses dois equipamentos. Terá área que pode servir também para encontros, eventos e lançamentos literários, com entrada independente para o público”, completa Jô. O Centro de Arte Popular tem assinatura do escritório de Janete Costa, arquiteta pernambucana falecida ano passado e que se tornou famosa pelo trabalho de valorização do artesanato popular. Jô Vasconcellos conta que o antigo prédio do Hospital São Tarcísio está sendo restaurado. “Na pesquisa inicial, descobrimos que a casa originalmente era a residência de Luiz Signorelli, um importante arquiteto na construção da cidade, no início do século XX. Demolimos um anexo que havia na frente e ali vamos ter uma galeria de exposição permanente, salas multiuso, um restaurante de comida mineira e uma área técnica de acervo e para restauração de peças”. Projetado no final dos anos 80 em estilo pós-moderno pelos arquitetos Éolo Maia e Sílvio Podestà para ser o Centro de Apoio Turístico Tancredo Neves, o prédio conhecido como Rainha da Sucata, na praça, passa a integrar o CCPL como o Centro de Informação e Apoio Turístico. “O Rainha da Sucata voltará a ser usado para aquilo que nasceu, como um centro de informações turísticas, onde o visitante vai poder tomar conhecimento das atrações de todos os 853 municípios mineiros e também das unidades do Circuito Cultural Praça da Liberdade. O prédio passa por manutenção da fachada, nova pintura, novas divisórias e restauração dos banheiros públicos do subsolo”, diz Jô Vasconcellos. A edificação atualmente é ocupada pelo acervo Museu de Mineralogia Professor Djalma Guimarães – que será, por sua vez, incorporado no projeto do novo Museu das Minas e do Metal. Segundo Paulo Brant, o CCPL terá ain­da uma segunda fase de im­plantação, que depende da transferência de alguns órgãos da administração direta do estado para a Cidade Administrativa, no bairro Serra Verde, na região de Venda Nova. Essa próxima fase prevê a utilização das edificações atualmente ocupadas pelo Ipsemg, Detran, Secretaria de Cultura e outros imóveis de propriedade do governo estadual. Por fim, por sua importância histórica e artística, o Palácio da Liberdade será aberto à visitação pública e também integrará o CCPL.
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