| Zu Moreira |
Agora é lei

É notória a paixão do brasileiro por carros, mas infelizmente poucos se preocupam com sua segurança, apesar de o país registrar altos índices de acidentes de trânsito, muitos deles com mortes. Essa realidade está prestes a ser mudada. Mais pela força da lei do que pela conscientização do motorista brasileiro. Em março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que obriga o setor automotivo a fabricar a partir do próximo ano veículos nacionais e importados, com o air bag instalado para o motorista e o passageiro dianteiro. O dispositivo de retenção vem sendo oferecido como opcional, principalmente nos carros populares, os mais vendidos. A partir de 2014, todos os veículos zero-quilômetro vendidos no país terão que sair de fábrica com o item.
De acordo com a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), o air bag será obrigatório nos veículos de transporte de passageiros com até nove lugares (incluindo o motorista) e para veículos de transporte de cargas que tenham massa máxima não superior a 3,5 toneladas.
A implantação obrigatória do equipamento será gradativa e nos veículos zero-quilômetro deverá ser iniciada em primeiro de janeiro de 2010, com a produção mínima de 8% da frota. Em 2011, o percentual sobe para 15%; no ano seguinte, para 30%; em 2013 para 60%, até atingir 100% em 2014. Atualmente, apenas 5% da frota nacional têm o equipamento. “É uma medida importante, uma vez que os nossos hábitos em relação à segurança de trânsito são muito precários”, avalia o diretor científico da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), José Montal. Sozinha, a bolsa inflável aumenta de 6% a 8% a proteção do condutor e passageiro em caso de colisão. Com o cinto, esse percentual sobe para quase 80%.
Até o momento, as montadoras nacionais não oferecem nada além do que o consumidor brasileiro exige. Hoje, o preço do conjunto do air bag frontal (para motorista e passageiro) fica entre 1,5 mil reais e 2,8 mil reais, dependendo do carro. Segundo as fabricantes, o item equipa de 20% a 25% dos veículos novos vendidos no país, a maioria sedãs médios como Honda Civic, Toyota Corolla e Ford Focus, e outros, como Fiat Stilo, Renault Logan e Citroën C3. Neste ano, os fabricantes calculam que cerca de 530 mil automóveis serão vendidos com o equipamento, de um total aproximado de 2,8 milhões de veículos previstos para todo o país.
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