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Gourmet

| Blima Bracher |


Inverno combina com cerveja! Está aberta a temporada não só de loiras, mas de ruivas,morenas...


Gostosa até no frio

* Cláudio Cunha
Pale ale: boa pedida para realçar o sabor acentuado de pratos, como a carne de cordeiro com polenta

Quem imaginava que a loira gelada só servia para aplacar as al­tas temperaturas do verão, se en­gana. No inverno ela quebra o gelo e invade as mesas dos mais disputados bares e restaurantes. A­liás, está aberta a temporada não só das cervejas tipo pilsen – a tradicional loira gelada – mas tam­bém da loirinha feita de tri­go, além das chamadas ruivas e mo­renas. Afinal, as baixas tempe­raturas pedem bebidas mais en­corpadas e com aroma tostado.
 
Por ser leve e ter menos  graduação alcoólica, a cerveja caiu mesmo no gosto dos brasileiros. O consumo na­cional totaliza mais de nove bilhões de litros por ano. Neste mercado nos­so país só perde em volume para a China, Estados Unidos, Ale­ma­nha e Rús­sia. Em média os homens consomem 65 litros por ano e as mulheres cerca de 35. Com a entrada das morenas e ruivas no páreo, neste inverno a cerveja promete disputar palmo a palmo com os vinhos o espaço nas mesas mais exigentes.
 
Entram em cena as bebidas tipo bock e stout já conhecidas do paladar exigente dos europeus e novas queridinhas dos cer­vejeiros brasucas. Essas saborosas morenas harmonizam perfeitamente com o friozinho do in­verno e acompanham bem carnes grelhadas, assados, defumados, salmão e massas com mo­lhos picantes.

Já a ruivinha tipo pale ale (cerveja clara de alta fermentação), especialmente popular nos pubs ingleses e na Irlanda, também desembarcou em terras tupiniquins e mostra que veio para ficar. Com alta fermentação, essa cerveja vai bem com carnes vermelhas de sabor acentuado, comida creolla, queijos emmental e gouda, salsichas e molhos condimentados.

* Geraldo Goulart
O restaurateur Agilberto Martins: aposta nas carnes premium, que realçam o sabor das cervejas gourmets

A loirinha tipo weiss, feita de tri­go, ingrediente que a torna mais den­sa que a pilsen, é ótima com salsicha de carne de vitela, frutos do mar, la­gostas, co­mida mexicana e asiática, especialmente a in­diana. De olho nas novas preferências na­cionais, bares e restaurantes da ca­pital mineira fazem estoque de ruivas e mo­renas neste inverno. Proprietário da tradicional cervejaria Haus Mün­chen, Rodrigo Ferraz explica que o malte utilizado na fabricação vem da Bavária e tem baixa disponibilidade durante o ano. “Por isso, é inviável pro­duzi-las em grande escala em todas as estações.” Rodrigo afirma que “o consumo das cervejas premium e importadas já é percebido em pesquisas do setor e estimula a in­dústria a investir mais nesses produtos”. Exemplo da mudança no perfil do consumidor é a recente compra da Baden Baden, cervejaria de Campos do Jordão (SP), pela Schincariol. Além de seis tradicionais tipos, a cervejaria lança edições sazonais, como a Celebration Inverno, uma doppelbock com  teor alcoólico de 8,2%.
* Fernando Grilo
Kassler ao molho de manga e, ao lado, pato ao molho de laranja: sabores agridoces e picantes harmonizam bem com cervejas encorpadas
* Fernando Grilo


Os gourmets agradecem, já que 4  as cervejas mais  encorpadas acompa­­nham muito bem pratos tradicionais. O restaurante Santafé mantém du­ran­te o inverno carta das principais cervejas harmonizadas com petiscos especiais. “Vamos trabalhar apenas com carnes premium, que realçam o sa­bor das cervejas importadas e nacionais da casa", conta Agilberto Mar­tins da Costa, um dos proprietários.
* Geraldo Goulart
Além dos rótulos importados, já existem boas opções nacionais no mercado das premium

Aliás os rótulos nacionais en­tram cada vez mais no mercado das cervejas gourmets e disputam a preferência com os importados. No Krug Bier, das mais tradicionais cervejarias de BH, o chope golden ale faz tanto sucesso que o proprietário, Theo Dimitrius, anuncia em primeira mão que em breve a família Áustria, cerveja da qual  também é produtor, vai ganhar mais um membro: a Áustria golden ale.  Com seu chope cremoso o Krug Bier fez história no Belvedere. Agora o espaço será alugado, mas os clientes ganham três novos e charmosos endereços: o Krug Bier do São Pedro, o Krug Lounge no Fun­cio­ná­rios e no An­chi­eta um bar em homenagem à cerveja Áustria. Enquanto isto, o chope Krug e a cerveja artesanal fazem sucesso nos bares e restaurantes da cidade.
 
O casamento entre  a culinária contemporânea e alguns tipos de cerveja deu tão certo que o restaurante La Pasta Gialla traz no cardápio sugestões de harmonização. “Re­sol­vemos brindar os amantes da bebida com opções que vão bem com os pratos da casa”, afirma o proprietário João Bosco Fernandes. Prova da aceitação às cervejas de inverno está nos números. “A pilsen representa me­tade do consumo de cerveja no restaurante, a outra metade de vendas é de cervejas tipo pale ale, brown e de trigo”, afirma Bosco. Sinal de que ruivas e morenas começam a disputar com a loira gelada o título de preferência nacional.

* Fernando Grilo
Rodrigo Ferraz: “Aumento do consumo das cervejas premium e importadas já é percebido em pesquisas do setor”

CURIOSIDADES

Bock: Sem dúvida a mais conhecida dos ­brasileiros. Tem tonalidade escura e paladar forte e encorpado, decorrente da baixa ­fermentação e do teor alcoólico ­relativamente elevado –entre 5,5% e 7,5%.
A origem do precioso líquido está envolta em grande mistério. A denominação teria ­surgido na maneira como o nome da ­cidade de origem, Einbeck (Saxônia), era ­pronunciada na Bavária: Einbock. Entretanto, a palavra bock também ­significa bode em alemão, associando esse tipo de cerveja ao signo de ­capricórnio, que coincidiria com o rigoroso inverno europeu – explicações ­mitológicas dão conta de antigos povos que, procurando o auxílio e a proteção
dos deuses, produziram a cerveja somente durante este signo. Outra justificativa ­estaria nos mosteiros medievais ­germânicos, onde se produzia uma ­cerveja forte e nutritiva para ajudar os monges a suportar os longos
períodos de jejum.

* Divulgação
Sucesso do chope golden da Krug Bier inspira a produção da nova cerveja Áustria golden ale, do mesmo grupo

Stout: cerveja mais apreciada entre os irlandeses, a stout – uma das subdivisões
do tipo ale – tem sabor bem forte pela alta concentração de lúpulo e malte. É escura
por causa da torrefação do malte. A mais conhecida, a Guiness, foi criada por Anthony Guiness depois de uma distração em que deixou torrar demais o malte. Por ser ­servida mais quente do que o habitual ­chopinho e pela cremosidade, cai bem nos dias frios do inverno.

Pale ale: também da família das ales,
tem este nome por ser mais clara, daí
seu nome pale ale ou ale palha, do inglês. Especialmente popular na Inglaterra e na Irlanda, tem fermentação alta, sendo ­extremamente saborosa, incluindo uma variedade de cereais durante a ­fermentação que lhe conferem aroma ­frutado.

Weissbier: originária da Alemanha, é ­produzida com leveduras especiais e malte de trigo, ingrediente que a torna mais densa e com cor mais acentuada que a ­pilsen. Teor alcoólico entre 2,7 e 5%.

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