| Eliza Peixoto |
Mercado em alta

A palavra crise, ao contrário do que vem acontecendo em outros setores, não consta no dicionário do mercado imobiliário da capital mineira, que vem se mantendo aquecido em 2009. Esta situação confortável é garantida pelo eterno sonho da casa própria, pelas condições favoráveis de financiamento e pelo fato de os imóveis serem investimento seguro diante das oscilações do mercado financeiro.
Ariano Cavalcanti de Paula, presidente do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (Secovi-MG), diz que 2008 fechou com saldo positivo para o setor. O fato foi comprovado por pesquisa do Secovi-MG e do Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas da UFMG (Ipead) por meio do ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis). O ITBI registra toda a movimentação imobiliária da cidade e indicou que o mercado imobiliário movimentou cerca de 4 bilhões e 420 milhões de reais em 2008, com 30,7 mil imóveis comercializados. “Diante desses números está consolidada a tendência de crescimento do setor” diz Ariano.

A visão otimista é comprovada por empresas do setor. Frederico Kessler, diretor regional da incorporadora paulista Rossi, acabou de lançar seu segundo empreendimento na capital mineira. Ele comenta o sucesso do lançamento pelo preço muito atrativo e facilidades de pagamento. “Hoje, a mensalidade de um apartamento de dois quartos é, em média, 250 reais, valor abaixo da maioria dos aluguéis na cidade. Nosso último empreendimento já tem metade das 96 unidades comercializadas". Kessler diz ainda que as vendas de sua empresa, em janeiro e fevereiro deste ano, foram semelhantes às do mesmo período de 2008 e aposta no crescimento, dada a demanda por imóveis e pelo interesse do governo federal, já que o setor é grande empregador.
A MRV, tradicional construtora mineira, viu suas vendas de janeiro aumentarem em 31%, se comparadas ao mesmo mês de 2008. Em fevereiro o aumento ficou em torno de 25%. Sandro Ricardo Reis Perin, gestor de vendas da empresa, credita o fato ao pacote de incentivos que o governo federal lançou através da Caixa Econômica Federal. “A redução dos juros sobre os financiamentos da casa própria e o aumento do subsídio permitiram ao consumidor acesso a um financiamento maior. Isso favoreceu as famílias com renda entre 1.875 a 2 mil reais. Já a faixa com renda familiar entre 2 mil e 3.900 reais teve redução de 1% nos juros. Por isso, quem obteria financiamento de 50 mil reais pelas regras antigas, pode chegar hoje a 55 mil reais o que, sem dúvida, incentiva o mercado. Com a queda dos juros o valor da prestação pode ficar bem menor que o aluguel”, diz Sandro. Na MRV os apartamentos de dois quartos garantem 70% das vendas, seguidos pelos de três e quatro quartos. Uma tendência observada é que os compradores do primeiro imóvel procuram algo mais simples e menor, para depois trocar por apartamentos maiores.

A Caixa Econômica Federal prevê aplicar, este ano, em Minas 2 bilhões e 200 milhões de reais. O mês de novembro, por exemplo, foi encerrado com cerca de 37 mil contratos assinados no valor de 1,984 bilhão de reais. Esses números representam crescimento de 51% em relação ao mesmo período de 2007.
Alexandre Soares, diretor da empresa Habitare, informa que no mês de janeiro de 2009 foram comercializadas 43 unidades, 5% a mais que em janeiro do ano passado. Já em fevereiro deste ano foram 83 unidades, 10% a mais que em 2008, gerando o valor global de vendas de 19 milhões de reais – acréscimo de 20% sobre o mesmo período de 2008. Ele acrescenta que a perspectiva da Habitare para o resto do ano é ainda melhor: “Vamos intensificar a publicidade, o que deve incentivar a tendência de aumento das vendas”. Segundo Alexandre, “investir na casa própria é investir em qualidade de vida e no futuro. As pessoas procuram, mesmo que tenham de fazer algum sacrifício, atingir esses objetivos. Junte-se a isso a facilidade de financiamento, em que os juros foram colocados em torno de 1%.”
Os recém-casados Rômulo e Priscilla Machado adquiriram seu primeiro imóvel da Incorporadora Rossi. Foi um apartamento de dois quartos com o terceiro reversível, no bairro Jaraguá. Rômulo destaca que o casal procurou um imóvel que facilitasse as condições de pagamento acessíveis. “Achamos este, em que as primeiras parcelas equivalem ao aluguel e a vantagem é que estamos pagando por algo nosso e que será valorizado. É um imóvel pequeno, mas é o primeiro passo para adquirir outro maior, quando vierem os filhos.”

A empresária do ramo de segurança eletrônica, Leila Maria de Souza, é cliente antiga da construtora MRV. Para ela não há nada mais seguro do que investir em imóveis e por isso, sempre que as finanças lhe permitem, aplica na compra de apartamentos. “Recentemente adquiri uma casa pela MRV no empreendimento Vila Royale, um condomínio fechado em Nova Lima. Neste caso as condições de pagamento pesaram na decisão, pois dei uma entrada e tenho 36 meses para quitar o restante, enquanto o empreendimento fica pronto. Vale a pena.” Basta procurar uma construtora idônea, com história no mercado e pontualidade na entrega.
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