| Graziele Raposo |
Tendência de crescimento

A quarta edição do Minas Trend Preview, que mostrou o que virá para a primavera/verão 2009/2010, trouxe de volta o que muitos mineiros sentiam falta desde a era do Grupo Mineiro de Moda: o retorno ao calendário nacional do setor fashion. Com crescimento de 20% em relação à edição anterior, de acordo com a Fiemg – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, esta edição foi a que reposicionou Minas no cenário e consolidou o evento como o terceiro maior do país.
Em quatro dias de feira, em megaestrutura montada na Lagoa dos Ingleses, no condomínio Alphaville, o evento recebeu 8 mil visitantes entre compradores nacionais e estrangeiros, lojistas de Belo Horizonte, do interior do estado e de outras cidades do país, formadores de opinião e imprensa.

Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro apresentam semanas de moda voltadas para o glamour em desfiles que mostram lançamentos, o MTP aposta na força da prévia, sendo o evento que abre a temporada de cada estação no país. De acordo com René Wakil, vice-presidente da Fiemg e presidente do Sindicato das Indústrias de Confecções de Minas Gerais, “o evento cresceu e ficou maior no nome e em todos os sentidos”. Ele conta que há muitos compradores nacionais e internacionais que a própria Fiemg e a Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção – trazem. São compradores da Ásia, Europa e Estados Unidos, além de todas as regiões do Brasil. “Isso é bom para o evento e para a cidade, pois movimenta hotéis e até empresas que não participam da feira”, conta Wakil.

Muitos lojistas sentiram a evolução do evento. Karla Thibau, proprietária da marca Alphorria Cult, que participa desde a segunda edição, vê o evento de maneira positiva. “Já fazíamos o nosso pré-lançamento em convenções para lojistas, mas o cliente não acreditava no formato. Com essa feira, tudo mudou. O cliente recebe 100% de sua compra na data certa para o lançamento”. Quem também percebe o crescimento é a designer de acessórios Mary Figueiredo, da grife Mary Design. “Do primeiro para esse há um crescimento em todos os sentidos. Temos que agradecer à Fiemg, afinal o evento reposicionou Minas no mercado”. Dentre os compradores da marca estão clientes de Salvador, Vitória e Brasília, além do Japão, França e Argentina.

Mesmo para quem participa desde o começo, a presença maior de compradores internacionais foi sentida. A marca Patachou teve, entre tantos compradores, a presença do empresário francês Hugues Renoux, que em sua loja na França só vende produtos brasileiros. “A moda brasileira passa uma mensagem de algo fresco, com elegância e toques artesanais. O interesse pela moda mineira é que é uma moda urbana que responde bem à de Paris.” Pela segunda vez no Minas Trend Preview, Renoux conta que em sua loja vende os calçados Cavage e Luíza Barcellos, acessórios de Mary Design, bolsas Getúlio e adorou conhecer as marcas mineiras Chicletes com Guaraná e Patachou, que adquiriu pela primeira vez, mais baratas que a moda de São Paulo.
O empresário Luiz Stangherlin, proprietário da Patachou, percebeu a profissionalização do evento, que vem cada vez com mais corpo. “O momento mais importante da moda são os lançamentos e as datas especiais”, afirma Stangherlin. Já a designer de calçados Débora Germani, que tem marca com seu nome, também sentiu mudança notável nesta quarta edição do Minas Trend Preview. Participando desde o começo e com seis feiras no país em sua agenda anual, ela faz análise positiva. “Não há como ignorar que a crise está aí. O que fiz para driblar foi trabalhar dobrado para trazer uma coleção completa, não só um preview. Meu objetivo foi não perder venda e o resultado foi satisfatório. Além de meus clientes do Brasil e de lugares como Roma e Canadá, meu grande cliente é Londres, com o comprador indiano Ajay Sobti, que sempre vem ao MTP.” O mesmo sentiu Lucas Viola, da marca de bolsas Balaia. “O que me rendeu mais volume de vendas foram exportações para o Japão e Kuwait, graças à feira”, comemora.

A quarta edição do evento trouxe um retorno tão positivo que até quem participou pela primeira vez sentiu. É o caso da marca de moda praia Cila, há 34 anos no mercado. “O incentivo ao confeccionista mineiro é fundamental, e isso estamos tendo da Fiemg”, elogia Cila Borges, proprietária da marca. A jovem designer Ana Carolina Turchette, de família italiana, se diz encantada e surpresa com o evento. Com menos de três anos no mercado, com a marca de bolsas Ana Turchette, ela diz que veio para mostrar os produtos e reencontrou antigos clientes, além de ter feitos novos. “Com peças feitas de couro bovino e até mesmo de peixes, como arraia e pirarucu, os nordestinos foram grandes compradores”, revela.
Com quase 200 marcas expositoras e uma fila de espera de outras 50, o MTP só tende a crescer. O evento gera negócios, empregos e coloca Minas em posição de destaque no calendário nacional da moda.
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