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Comportamento

| Blima Bracher |


Por que tirar um dia na semana para sair só com os amigos pode fazer bem ao relacionamento a dois


Proibido para namorados

* Eugênio Gurgel
As amigas Amanda, Suelen, Patrícia e Samanta: toda quinta-feira o encontro feminino é sagrado

Pode reparar: às quintas-feiras os bares e botecos da capital mineira se enchem de mesas só de homens ou mulheres. E antes de achar que o clu­be da Luluzinha ou do Bolinha tem como objetivo a paquera, vá com cal­ma... Saiba que a grande maioria dos ‘solteiros’ na mesa, costuma ter compromisso... e muito sério. Uma e­ven­tual tentativa de paquera pode vi­rar ‘mico.’ “Achamos engraçado quando alguém manda torpedo ou fica o­lhan­do”, diverte-se a jornalista Valéria Mer­cadante, uma das adep­tas da saída se­manal para espaire­cer.

Aliás quem olha a mesa de Valé­ria se espanta: quatro mulheres bo­nitas, que todas as quintas se a­rrumam, e muito bem, para en­contrar amigas de in­fância. “Gostamos de ter nossa independência”, ga­rante a administradora Denise Beno­ne, ca­sada há anos. A saí­da ‘solteira’ tem todo o aval dos maridos: “Quan­­­­do chegamos em casa eles­ querem sa­ber das novidades”, en­trega a funcionária pú­blica De­nise Merca­dante, também mui­to bem casada, obrigada! Na mesa, a única que não tem compromisso é Tereza Pi­nheiro, mas, di­vorciada, a conta­dora ga­rante: a noite é exclusiva para botar o papo em dia e rir muito.

* Eugênio Gurgel
Vinícius, Frederico, Paulo e Roberto: há assuntos que são só para homens; se chega mulher, o papo acaba

Aliás, dizem que rir é um santo remédio. Deve ser por isso que em  vez de horas no divã discutindo a relação, alguns casais garantem: a fórmula mágica para o bom relacionamento está em manter este compromisso se­manal com os amigos. Isso, claro, sem os respectivos maridos, esposas, na­morados... Pode parecer estranho, mas a terapia informal é indicada até por psicólogos e psicanalistas. “O respeito à liberdade de escolha também pesa como prova de amor. Amigos são como pontos de apoio na jornada. Se não os tivermos, muitas vezes seguiremos em uma eterna solidão a dois”, explica o psicólogo José Marcos Silva, da clínica Espaço Aberto.
* Eugênio Gurgel
Robson Caetano, Dorinha e Ronaldo, com Elaine Matildes: “É comum nas quintas-feiras mesas só de homens ou de mulheres”, diz a maîtresse

E se a recomendação é médica, os amigos Roberto Dabes, Frederico Du­arte, Paulo Neves e Vinícius Senna a seguem à risca. Desde os 15 anos de idade, os amigos se reúnem toda se­mana. Hoje, todos namoram sério, mas na agenda de quinta as namoradas não entram: “É um ritual para manter nossa sanidade mental”, brinca Paulo, que é médico. “Há assuntos que são só para homens”, justifica o administrador Vinícius. “Conheço pessoas que não fazem isso e são infelizes”, en­trega o fisioterapeuta Roberto.
 
O isolamento social costuma mesmo ser o motivo da separação de muitos casais, explica o psicólogo José Marcos Silva: “No tocante à relação a dois faz-se necessário uma pergunta i­nicial: – O que estou criando, um laço ou um nó? Amar é bom a­té o momento em que nos vemos presos a um nó que vai se apertando cada dia mais, nos sufocando, privando da vida e po­dando.” Quem não conhece algum ca­sal assim? “Tenho a­migas que ficaram presas aos namora­dos e se isolaram de tudo e, quando o namoro acabou elas ficaram sozinhas e sem nenhum convívio social”, diz Suelen Corrêa, que na­mora há quatro anos, mas to­das as quintas-feiras sai com as amigas de in­fância. “Muitos casais  fe­cham-se em um mundo imaginário, excluindo-se da convivência so­cial. Por mais que isso possa pa­­recer ro­mântico, de­monstra adoecimento da relação ou uma forma subjetiva de do­minação por parte de um dos parceiros”, a­firma o­ doutor­ Mar­cos.
* Eugênio Gurgel
Isabela, Denise, Tereza e Valéria: ­capricho na produção e risadas com eventuais torpedos

Colegas de faculdade, Telma Trad e Amanda Toledo não dispensam o chopinho juntas desde que se formaram em direito. “Meu marido também sai com os amigos”, diz A­manda. “A­cho fundamental manter a individualidade. Não tem mais essa de grude o tempo todo e monitoramento”, revela Telma, que namora há alguns meses. “Os casais de hoje tendem a assimilar i­deias mais contempo­râneas na forma de se relacio­narem. Entretanto, ainda se vê muito ciúme. Evidentemente, isso depen­de mui­to do lugar em que se vive e Minas é ainda extremamente conservadora. Mas, o importante de se va­lorizar uma cer­ta individualidade é que isso favorece até a aproximação entre os cônjuges, possibilita maior cres­cimento e realização pessoal”, lembra a psicóloga Cristina Cor­deiro.
* Geraldo Goulart
Carlos, Sérgio e Paulo: trocando a ­terapia no divã pelo chope e bate-papo semanal, onde “menina não entra”

A confiança é mesmo fundamental para quem aceita as saídas sem o parceiro. É proibido ficar monitorando ou chegar de surpresa para conferir se ele(a) está falando a verdade. “Is­so á pagar ‘mico’, só serve para es­tres­sar”, entrega o empresário Car­los Be­zerra. Ele e os amigos Sér­gio Aze­vedo e Paulo Al­buquerque mo­ram em Alagoas, mas a trabalho na capital mi­neira quiseram conhecer a noite local. “É para desopilar o fígado. Troco pela terapia” diz o brinca­lhão Sérgio. Já quan­do perguntamos se as esposas têm a mesma mo­leza: “Não, elas têm GPS e monitoramen­to direto”, diverte-se Paulo. Cal­ma, feministas, é tudo brincadeira. As esposas também saem sozinhas, garantem.
 
Algumas até eventualmente acompanham os maridos. É o caso da gerente de marketing Dorinha Cae­ta­no. “Sempre o incentivo a sair  com os colegas, mas às vezes saímos juntos, pois te­mos grandes amigos em comum”, diz. O marido Robson Ca­etano brinca: “Cuidado, quando es­tamos sozinhos ficamos ro­deados de mulheres.” Mas Do­rinha dá de ombros: “Me sinto até orgulhosa com isso”, devolve ela, segura de si. A maîtresse Elaine Matildes confirma a tendência das quinta-feiras: “É o dia em que a mai­oria das me­sas são só de homens ou de mulheres. Quando começam a tocar os celulares, é hora de ir”, diz.
* Geraldo Goulart
Amanda e Telma: encontro semanal entre amigas é ritual desde a faculdade. “Temos que manter a individualidade”, afirmam as advogadas

Sair sozinho pode ser muito bom, mas toda combinação tem sua regra: “Se ro­lar paquera, que isso sirva apenas para massagear o ego”. Outra regra básica: se ficou em casa, ligue apenas uma vez... nada mais chato e inseguro que chamar uma, duas, dez vezes. Nesse caso experimente sair também; afinal, chumbo trocado não dói. E lembre-se da receita do doutor Marcos: “Por mais que ame alguém, guarde um pouco desse amor para si e para seus amigos, pois eles serão, em caso de falência do amor romântico, sua poupança para vencer os dias difíceis.”



Dicas para sair com amigos
sem criar problemas a dois:


Seja sincero: conte aonde vai e nunca minta sobre seu destino.
Mantenha sempre o celular ligado e nunca deixe de atender.
Bares e choperias estão liberados, já boates e lugares de azaração são tabus.
Evite chegar em casa alcoolizado(a) ou tarde demais.
Nunca fale mal dele(a) na frente dos amigos.
Tenha sempre dias na semana reservados só para o parceiro, isso mantém o romantismo.

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