NEWSLETTER:
Receba novidades da Encontro em seu e-mail
EDIÇÕES ANTERIORES:
Ano:
Mês:              
ACERVO:
Capas
Finanças

| Gabriel Pascoal |


Classe média brasileira investe no mercado de ­capitais de risco e escolhe a bolsa de valores como prioridade


De volta à Bolsa

* Geraldo Goulart
Allan Paul compra e vende ações em um mesmo dia, o chamado day trade

Antes reduto de empresários e industriais, o investimento na bolsa de valores atrai cada vez mais a participação de pessoas físicas, sobretudo da classe média brasileira. Gente disposta a arriscar não mais que 20 mil reais em um mercado que oscila diariamente e onde a escolha errada de com­pra ou venda de ações pode significar a perda de considerável so­ma em minutos. Nem mesmo a crise fi­nan­ceira observada desde o final do ano passado retraiu estes investimentos. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bo­vespa), que engloba as principais transações do país, já opera na normalidade média de 50 mil pontos diários, um indicativo de que os investimentos re­tornaram com força. O boletim de ju­nho da Companhia Brasileira de Li­quidação e Custódia (CBLC) mos­tra que os investimentos de pessoa física subiram para 521.196 em relação aos 516.874 registrados em maio, uma alta de 0,83%. Minas Gerais ocu­pa a terceira colocação no ranking de investidores pessoa física. Em junho, fo­ram pouco mais de 31 mil investidores responsáveis pela movimentação de 4,6 bilhões (5,82%) dos 79,1 bilhões registrados no período.

Para o economista e professor u­ni­­­versitário Ricardo Augusto Reis, tam­bém sócio-diretor da Ondas Cla­ras Investimentos, a classe média passou a ter interesse em investir na bol­sa de valores, em detrimento de opções mais seguras como a poupança, por exemplo, por haver possibilidade de lucro em menor tempo. “O retorno integral do investimento na bolsa ocorre em média em oito anos, en­quanto nas opções de renda fixa fica em torno de 20 anos, para se ter um lucro de 100% do investido”, afirma. Ricardo Reis conta que o pequeno investidor perdeu o medo de aplicar na bolsa depois que o governo permitiu o uso de parte do Fundo de Ga­rantia por Tempo de Serviço (FGTS) para a compra de ações da Vale e da Petrobras. “As pessoas tiveram um lucro considerável diante do valor in­vestido e passaram a procurar maiores informações sobre este tipo de investimento”, diz.

* Cláudio Cunha
Charlene Cássia: possibilidade de ganho em menor tempo despertou o interesse

Na opinião do diretor-presidente da InCapital Finance, Marcelo Fer­reira Guimarães, o crescimento econômico observado nos últimos cinco  anos no país formou maior gama de poupadores. Segundo ele, tudo foi resultado da melhoria salarial obtida pela classe média brasileira diante do fortalecimento econômico das indústrias e comércio ao longo daquele pe­ríodo. “Isso per­mitiu maior consumo pela po­pulação, acarretando au­mento das vendas pelo comércio e consequente crescimento da produção in­dustrial. O resultado foi ganho salarial por parte dos funcionários destas em­presas e lojas. Todo este ciclo trouxe uma nova gama de poupadores e fez crescer a procura pela bolsa”, observa Marcelo Guimarães.

O investimento de parte de seu FGTS em ações da Petrobras foi que abriu caminho para que o representante comercial Marco Túlio Lima, 44 anos, investisse parte da indenização recebida em 2006, após sua demissão em uma instituição financeira onde  trabalhou por 21 anos. “O lucro obtido com o investimento do FGTS  foi significativo e não tive dúvidas em aplicar novamente na bolsa parte do dinheiro resgatado com a demissão. Percebi que é a melhor opção em médio ou longo prazo”, conta.

Com esta nova gama de investidores, muitas empresas que lidam com investimentos e consultorias passaram a oferecer cursos e palestras para orientar e direcionar este novo público. Como a Ativa Corretora, com sede no Rio de Janeiro, e que há cinco meses estabeleceu filial em Belo Ho­rizonte. O motivo foi justamente Mi­nas ser o terceiro estado com maior número de investidores pessoa física na classificação da CBLC, atrás apenas de São Paulo e Rio. A empresa, que até 2005 tinha 25% de sua carteira de cli­entes composta por pessoas físicas e que atualmente representam 93% do total, criou o Ativa Educar, 4 onde o investidor pode ter acesso a milhares de informações, dicas e conselhos de experts do mercado. “Vi­samos a incutir uma educação monetária aos nossos clientes,  para que equilibrem suas despesas mensais, inclusive com dicas para sair do vermelho ou do uso de cheques especiais”, conta Leonardo De­vecchi, diretor da Educar. De janeiro a junho des­te ano, cinco filiais promoveram pa­lestras gratuitas e cursos ministrados por professores para 9.300 pessoas. Em Belo Horizonte foram feitas 43 pa­lestras e três cursos neste ano, além de eventos em Ipatinga, João Monlevade e Lavras. Em sites de algumas instituições financeiras ou de pu­blicações econômicas, como a Folha­invest, por exemplo, é possível fazer simulação do mercado para vi­venciar na prática o cotidiano da bolsa.
* Eugênio Gurgel
Marcelo Guimarães: Crescimento econômico formou poupadores

Foi o que aconteceu com o farmacêutico Allan Paul Fonseca de Castro, de 27 anos. Quando ainda estava na faculdade, em 2005, gostava de ler sobre economia e finanças e um colega de sala, que tinha interesse no mercado de ações, onde já aplicava algumas economias, o incentivou a participar. “Passamos a procurar informações sobre este tipo de investimento, lendo livros e indo a palestras e cursos, onde tínhamos oportunidade de conversar com pessoas do setor, e acessando sites específicos”, conta. Hoje, Allan Paul se caracteriza como um investidor arrojado, que prefere comprar e vender ações em um mes­mo dia, o chamado day trade.
 
Especialistas do setor, entretanto, não aconselham uma estratégia ousada como a de Allan Paul, a não ser que a pessoa tenha vivência de mercado para tal risco. O conselho é que o in­vestidor comece no mercado com aplicações baixas, na ordem de 5  a 10 mil reais, o que é considerado irrisório no meio, já que a média gira em torno de 200 mil reais. Com o aprendizado e os resultados obtidos, aí sim o investidor pode tentar alçar planos mais altos e passar a utilizar o home broker, programa que permite realizar suas transações de mercado, bastando fazer o depósito das cotas em uma instituição financeira ou de corretagem. Mas a dica essencial é que os investimentos sejam divididos em vá­rias cotas, para que as perdas em umas sejam amenizadas.
* Geraldo Goulart
Alexandre de Miranda e Geraldo da Silva, da GV: negociações estão sujeitas a taxas de manutenção, e tributação de Imposto de Renda

 É o que procura fazer a analista de sistemas Charlene Cássia de Re­sende, 27 anos. Há apenas 10 meses ela se aventurou a aplicar em ações e tem preferência por dividir o valor em cotas de empresas variadas, mas bem posicionadas no mercado. Charlene diz que incrivelmente passou a ter maior ganho a partir da crise financeira, que balançou o mercado. “Man­tive meu investimento e procurei comprar na baixa  e vender imediatamente após uma alta”, adianta.
 
Mas os lucros obtidos, seja em grandes ou pequenos investimentos, podem se tornar prejuízo se o investidor não tiver alguns cuidados. O advogado e contabilista Alexandre Alfredo de Miranda, da GV Auditoria & Con­sultoria, alerta que as negociações es­tão sujeitas a cobrança de taxas de manutenção das cotas e de corretagem, que variam de 15 a 20% do valor investido.  Além disso, as negociações acima de 20 mil estão sujeitas a tributação de Imposto de Renda e cabe ao investidor fazer o acerto com o leão.

Sugerir matéria


Mais lidas

© Editora Encontro Importante Ltda - 2009
Rua Haiti, 176, 3º andar, Sion 30.320-140, Belo Horizonte - MG, Fone (31) 2126-8000


Desenvolvido por eutsiv
uaiGo