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Turismo

| Carolina Godoi |


Turismo temático e personalizado: nova tendência no ­mercado de viagens internacionais


Especial em tudo

* Divulgação
Opção de exclusivo safari à cavalo, na reserva Grumetti

O mundo está se tornando cada vez menor e é muito mais fácil ir aos lugares mais interessantes ou exóticos do planeta. A internet proporciona hoje a facilidade de se fazer tudo com apenas um clique. Quase todo mundo já teve a experiência de viajar por conta própria, sem ne­nhum a­poio, consultoria ou planejamento. Ser jovem é se aventurar, certo? Feito isso uma, duas, três, vár­ias dezenas de vezes, porém, surge a sede de ex­plorar a fundo o que culturas novas e diferentes podem proporcionar. É se­guindo essa expectativa e demanda dos viajantes que várias companhias de turismo, operadoras, agentes de via­gem e até profissionais que não estavam diretamente ligados no ramo do turismo estão oferecendo uma série de opções de viagens personalizadas, que aliam luxo, co­nhe­cimento e criatividade. A aposta é agradar o público elitizado intelectu­al­mente, com vi­vên­cias específicas que exploram determinado tema.

* Cláudio Cunha
Ana Beatriz Piacenza Assumpção: “vivi o melhor do que cada lugar pôde oferecer”

Como escolher? Tudo depende dos interesses de quem vai fazer a viagem. Uma delas é voltada para as artes plásticas e está sendo oferecida pela Maison Escola de Arte em parceria com uma agência. Para acrescentar conhecimentos aos alunos de teoria (história da arte) e prática (desenho, pintura e escultura) o galerista e crítico de arte Glauco Moraes quer formar futuros consumidores conscientes de arte e contribuir para a busca do caminho artístico próprio. Para isso convidou a artista plástica Yara Tupinambá para montar um roteiro especial na Turquia e na Grécia, dar um curso preparatório antes do embarque e acompanhar todos os momentos da viagem. “Para se entender uma obra de arte é preciso ter conhecimentos da política, economia, geografia e religião do lugar, e é tudo isso que quero transmitir in loco. Viajar é uma janela aberta para o mundo, mas é preciso abrir a cortina para ver, e essa cortina é o conhecimento”, diz Yara.
* Divulgação
Intercâmbio gastrô: viagem para Vichy, na França tem encontros culinários e renomados chefs

Além da presença da artista e do crítico de arte, outro diferencial da viagem é o tempo dedicado a museus e galerias, que chega a mais de seis horas diárias, além de passeios fora do circuito tradicional, transporte, hotel, café da manhã e almoços incluídos e agendados com antecedência. A farmacêu­tica aposentada e aluna de his­tória da arte mineira, Elza Fortes Marinho, fez a viagem com a filha mais no­va, Ro­sana Fortes. “Já é mi­nha se­gunda vez: quero a­pren­der coisas novas de que eu ainda não tinha tido chance”, conta. Bárbara Hele­na Eus­táquio, decoradora, artista plástica e aluna da escola, está buscando lançar-se no mercado de arte e se preparar para a primeira exposição individual. “Chego de uma viagem dessas com mil ideias para usar na mi­nha pintura. Todo o co­nhe­ci­mento que capto quero transmitir em minhas telas”, diz.
 
Segundo Gilda Calza­va­ra, atendente internacional da Ello Turismo, nos últimos dois anos cresceu em Belo Horizonte em 50% a procura por programas especialmente elaborados como este. “Os motivos são as facilidades, o suporte, a segurança e os di­ferenciais oferecidos”. É essa demanda que a consultora em marketing de moda, Na­talie Oliffson, proprietária da Bureau Tour, quer suprir. Por ser franco-brasileira e por ter morado muitos anos em Paris, onde se especializou em moda, foi natural fazer a ponte entre o público do Brasil interessado no assunto e o fértil terreno para a pesquisa de tendências de estilo na Fran­ça. Chamou o projeto de Fashion Trip Paris, que te­rá a quarta edição em se­tembro.
* Divulgação
Jantar à luz de velas no deserto em Dar Ahlan, Marrocos, luxo oferecido pela Chris Biagioni Viagens Especiais

Dentro do incrementado programa da viagem está a visita aos salões profissionais de design e mo­da, visita a exposições ligadas a esses temas, ida à outlet fora de Paris, o La Vallée Village, que tem as melhores marcas com descontos irresistíveis, e o percurso de rua. “Minha pre­sença durante a viagem, além da assistência em relação à língua e o con­teúdo, é a possibilidade de personalizar o roteiro de acordo com o perfil do cliente, já que o grupo não é muito grande, só de 25 pessoas”, diz Natalie. A troca de ideias e informações foi o que encantou Cláudia Ma­risguia, formada em Belas Artes e  proprietária de uma loja de bijuterias. Acos­tu­mada a fazer sozinha pesquisas de tendências de estilo, ela conta que a criatividade aflorou bem mais facilmente de­pois de participar da Fa­shion Trip. “Cheguei de Pa­­ris com sede de criação. A nossa mais recente coleção foi inspirada na visita que fizemos ao Palácio de Versalhes, tem in­flu­ência das damas do passado adaptada ao presente”, explica Cláudia.
* SXC
Grécia é cenário para pesquisa em artes plásticas

Até o antigo intercâmbio cultural está se modificando por causa dessa tendência. A de­manda maior de adultos (jovens ou bem mais ve­lhos) tirou o viajante da sala de aula das universidades. Um dos mais no­vos programas da Master Exchange é de gastronomia na cidade de Vichy, na França, voltado para amantes da culinária, que não necessariamente te­nham experiência na área. De ma­nhã, o grupo de apenas 12 alunos tem aulas de francês, de tarde assiste a conferências sobre a história da gastronomia francesa, o pão, o queijo, o vinho, os rótulos, os guias e críticas gastronômicas e participa de encontros com viticultores, padeiros pasteleiros e chocolateiros. Além disso, o programa contém ateliês culinários diversos e a presença do chef fran­cês Jacques Dé­coret, vencedor do prêmio Best Workman in France. “Oferecer programas em cidades fora do circuito comercial e turístico tem sido um diferencial, além do fato de que o programa pode ser adaptado ao tempo que a pessoa quiser, desde uma semana até um ano”, comenta a diretora da Master Ex­change, Flávia Werneck.
* Geraldo Goulart
A consultora de moda Natalie Oliffson e Cláudia Marisguia: rumo à pesquisa de estilo em Paris

Outro tipo di­fe­rente de viagem é de cair o queixo, não pelo aprendizado, mas pelas mordomias e mi­mos irresistíveis. A começar com uma consultoria para identificar que tipo de destino combina com o perfil do cliente, com atendimento per­so­na­li­zado aonde quer que ele esteja. Uma vez nesse pa­cote de luxo não é preciso fazer check-in no aeroporto, nem no hotel,  preocupar-se com transporte e muito me­nos carregar as malas. É só esperar, tomando um suco ou se refrescando com lencinhos umedecidos oferecidos pela equipe. Aliás, como todos os hotéis selecionados são cinco estrelas, o mordomo é previamente avisado para desfazer a bagagem, passar todas as roupas e arrumá-las. No primeiro dia no hotel, uma lembrancinha de boas-vindas espera os viajantes na chegada, e em ca­sa um cartão de agradecimento no fi­nal: tudo é milimetricamente pensado. Todos os passeios, massagens e afins são previamente marcados e o grupo tem motorista e carros privativos. Além do guia tu­rístico da cidade, está incluído um guia brasileiro, presente em todos os momentos, para cuidar das pessoas durante os passeios:  um remédio para dor de cabeça, um copo d’água ou para resolver algum contratempo. Em Belo Horizonte fica Christiana Dias Bia­gioni, proprietária da agência de viagens especiais, com o celular ligado 24 horas para atender seu cliente vip. “Meu cliente é aquela pessoa que já viajou muito, que sabe o valor de um serviço bem prestado, de um hotel de primeira linha e quer ter uma experiência diferenciada, sem nenhuma preocupação”.

Christiana trabalha em parceria com a operadora paulista Teresa Pe­rez, há 18 anos no mercado. Se­gundo o diretor Tomas Perez, es­te ano hou­ve incremento de 25% nas vendas de pacotes de luxo. “En­ten­demos que as viagens são experiências de vida únicas e as pessoas têm cada vez menos tempo para o lazer; ele é precioso, por isso tudo tem de ser feito com o máximo de atenção e cuidado. Isso é o que na nossa visão significa luxo”, completa. Ana Beatriz Piacenza As­sump­ção, terapeuta reikiana e escritora, fez uma dessas viagens especiais ao Viet­nã, Tai­lândia, Laos e Cambodja. “Eu realmente pude descansar sem pensar na burocracia da viagem. Pude curtir a simplicidade, a força e a es­piritualidade das pessoas da­queles lugares sem me preocupar. Nunca faria essa viagem sozinha, acho que assim vivi o melhor do que cada local pôde oferecer”, avalia Ana.

Se além de mordomias o cliente ainda quiser mais, como por exemplo, fazer safáris com elefantes e camelos, buscar o tigre-real-de-bengala, assistir ao sol nascer do Taj Mahal em carruagem, passear de ba­lão em Jaipur e jantar com o Ma­rajá, tudo bem, já existe algo nesse nível de exigência. “For­matamos um roteiro diferenciado para no­vembro deste ano pela Índia e Bu­tão – país que até pouco tempo estava completamente fechado para o turismo – porque sentimos que as pessoas estão buscando mais do que uma viagem, querem um mergulho total em diferentes culturas em todos os sentidos”, conta Flávio Geo, da Visa Turismo. E esse mergulho começa voando pela Emirates com hospedagem nos belíssimos hotéis-palácios das cadeias Oberoi e Taj. Será preciso dizer mais?

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