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| Roberto Braga Cardoso da Silva |


Lutar pra ter direito ao depois...

Roberto Braga
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... Esta é a postura que precisamos, de imediato, ter em relação ao meio ambiente: prevenir, racionalizar, discutir, alardear, enfim, ir a campo com garra e sensibilidade ecológica em prol do desenvolvimento sustentável das atividades humanas. Isso se quisermos – como diz a bela canção da novela Pantanal – que nossos filhos e netos tenham qualidade de vida, fartura de matérias primas e recursos naturais, afastando para um futuro re­moto a desarmonia e as guerras que, fatalmente, se multiplicarão en­tre os povos. Tudo por causa do uso ir­racional da natureza para o nosso sustento.

“Já faz um bom tempo que milhares de pessoas vivem à mercê dos desígnios da natureza, oriundos das mazelas políticas, administrativas e discriminatórias”

Sabemos que a pobreza existe des­de tempos remotos. Mas, eram fa­mintos renegados por decisões de reis e conquistadores. Raramente um e­vento natural gerava desgraça de grandes proporções. No entanto, já faz um bom tempo que milhares de pessoas vivem à mercê dos desígnios da natureza, oriundos das mazelas políticas, administrativas e discriminatórias das decisões humanas. Fruto disto, é que temos mais de dois bilhões de seres humanos abaixo da linha da pobreza ,sem acesso aos recursos hídricos de qualidade. O que gera, de imediato,    u­ma existência sem perspectivas de fu­turo; centenas de crianças morrem, qua­se ao nascer, não de doenças – que fatalmente, ainda tenras as teriam – mas de sede. Apenas nove países, dos mais de 200 que existem, detêm 60% das fontes renováveis de água doce; destas, 12% estão no Brasil, que é o terceiro em recursos hídricos, depois da Rússia e dos Estados Unidos. Enquanto isso, os consumidores dos países desenvolvidos estão em um dilema: que filtro comprar pra degustar uma água mais pura! A velha talha de barro – que nos oferece um líquido fresquinho e inodoro – breve será peça de museu. Hoje, todos querem um filtro com minerais, carvão ativado ou raios ultravioleta. Nada adianta, porém, mi­tigarmos a  nossa sede, se não tomarmos medidas concretas para que a fonte – as nascentes, os rios, os reservatórios naturais – sejam devidamente protegidos. O uso predatório dos recursos naturais (sabe-se hoje que consumimos mais de 20% que o planeta é capaz de produzir, sem estragos) com devastação indiscriminada das matas, já fez da Terra um doente crônico: ela vem sofrendo de uma alteração de temperatura provocada por um desequilíbrio das suas funções vitais. Resumindo, ela está com febre, prova de que existe em seu organismo um distúrbio a ser corrigido. E compete a nós, seus hospedeiros mais predatórios, salvá-la de uma UTI ou de uma doença terminal. No Brasil está 1/3 das florestas tropicais do mundo, onde a biodiversidade tem segredos de espécies animais e vegetais ainda não desvendados. Quem sabe é lá que estão as sementes de um futuro limpo e sustentável?

O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oli­vei­ra de Azevedo, diz que a atual crise econômica é resultado de  crise ambiental e energética. Segundo ele, “a dificuldade de compreensão dessa perspectiva se deve ao escandaloso déficit moral e humanístico que vai presidindo a so­ciedade contemporânea”. Mas, felizmen­te, não estamos de todo perdidos. Em Copenhague, capital da Dina­mar­ca, todo o lixo doméstico é incinerado e transformado em aquecimento central para 70 mil residências. O vento – energia eólica – responde por 28% da eletricidade. Assim, com esperança de que as discussões no Fórum Mundial das Á­guas, acontecido em março de 2009 em Istambul, na Turquia, sejam um mote contínuo das concretas a­ções ambientais e da consciência dos dirigentes das nações, comungado pela maioria dos seus povos, volto ao re­cen­te sucesso de audiência, em todo o país, da reprise de Pantanal: a primeira novela ecológica brasileira, produção da extinta TV Manchete. Em mais um esperançoso refrão do seu tema de abertura,  profetiza: “A terra é tão verde e azul, e os filhos dos filhos, dos filhos dos nossos filhos verão!”

* Roberto Braga Cardoso da Silva é jornalista do terceiro setor

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