| Gabriel Pascoal |
Melhor ou pior?

Apesar de comemorar os bons resultados com a implantação da faixa exclusiva para ônibus na avenida Nossa Senhora do Carmo, situada na divisa dos bairros São Pedro e Carmo-Sion, na região centro-sul de BH, em que houve um aumento no ganho da velocidade dos ônibus no trecho e diminuição das retenções de veículos nos dois sentidos, a BHTrans planeja realizar novas intervenções naquela via. O objetivo agora é melhorar a fluidez no tráfego na saída da trincheira da rua Rio Grande do Norte para a avenida, onde antes não aconteciam congestionamentos.
O problema é que os carros que vão para o acesso ao bairro Anchieta têm de cruzar a pista central para a esquerda e escapar da faixa exclusiva. Em contrapartida, os ônibus que seguem pela trincheira, geralmente pela direita, têm que pegar a faixa da esquerda para acessar a mão. O resultado é lentidão em virtude do tráfego que vem da avenida do Contorno para aquela faixa da avenida.
Técnicos da BHTrans farão levantamentos naquele trecho,4 para verificar a viabilidade de permitir o acesso de veículos na pista central apenas para aqueles que farão o acesso para o bairro Anchieta pela rua Rio Verde. Neste caso, a partir dali somente os ônibus poderão continuar no sentido BR-356.

“Pesquisas mostraram que o número de veículos que seguem em direção à rodovia é muito menor aos que vão pegar o acesso ao Anchieta. Daí a ideia de proibir o tráfego naquele sentido após o acesso para a rua Rio Verde”, disse Jussara Bellavinha, diretora de Desenvolvimento e Implantação de Projetos da BHTrans. Se a medida for aprovada, os motoristas serão orientados a utilizar somente a pista da direita da Nossa Senhora do Carmo, no sentido centro/bairro, para acessar a BR.
Outra intervenção já foi implantada no sentido oposto, quase no cruzamento com a avenida do Contorno. Foram criadas duas faixas exclusivas, uma que segue pela pista central e dá acesso aos ônibus para a Contorno, em direção à Savassi ou Santo Antônio, e uma outra, que permite o acesso pela Contorno à rua Professor Moraes.
O projeto original fazia com que os ônibus que vinham pela faixa exclusiva da pista central, passassem para a pista da direita, antes do cruzamento com a Contorno. Os que seguiam para a Savassi e região faziam a conversão naquela interseção. “Percebemos que a presença dos ônibus na pista central não provocava retenções naquele cruzamento e decidimos pela continuidade da faixa até ali. O acesso será fechado com obstáculos removíveis para servir de variante caso haja interrupção da faixa central”, informa a diretora.
As pesquisas realizadas após a primeira semana de volta às aulas do segundo semestre mostraram aumento significativo na velocidade dos ônibus. “Antes do projeto, a velocidade média dos ônibus em horários de picos era de 9 km/h. Pesquisas e simulações em computador mostraram que era possível chegarmos a 18 km/h. Mas os levantamentos feitos nos horários de pico apontaram que a velocidade média dos ônibus subiu para 26 km/h”, explica Jussara. Um ganho de 69% em relação ao previsto. Os usuários do transporte coletivo, estão contentes com a rapidez dos ônibus, mas reclamam da demora em passar da faixa central para os passeios laterais da avenida, pelo tempo de abertura dos sinais para pedestres, que consideram prolongado.
O estudante universitário Igor Nunes, 21 anos, retorna do trabalho, na alameda Vila da Serra, em Nova Lima, por volta das 18 horas. Ele conta que, antes da implantação da faixa exclusiva, perdia muitos minutos no cruzamento da BR-356 com a avenida Uruguai, no final da Nossa Senhora do Carmo. Os ônibus que desciam a avenida tinham que acessar a faixa da direita, bem como os veículos que iriam seguir para a Professor Moraes ou subir a Contorno em direção à Serra e região. “Agora está bem mais rápido. A viagem não demora 10 minutos”, conta ele. Igor, entretanto, aguardou pacientemente por vários minutos a abertura do sinal para pedestres para atravessar a avenida em frente ao Chevrolet Hall. “Se se ganha de um lado, perde-se do outro. Mas é preciso ter paciência, já que o horário ´é de pico”, conta ele. A assessoria de comunicação da BHTrans informa que o funcionamento dos sinais para pedestres obedece horários e dias da semana diferentes para priorizar o tráfego de veículos na avenida e evitar retenções.
A diminuição dos congestionamentos foi observada pela psicó- loga Maísa Campos Pádua, 39 anos. Diariamente, ela leva os dois filhos do bairro Santo Antônio para o colégio, no Sion, e passa pela Nossa Senhora do Carmo, mesmo que por um pequeno trecho, nos horários de maior pico. “O trânsito ficava sempre mais lento na pista da direita de quem descia a BR em direção à Savassi, já que os ônibus passavam por ali. Isto refletia nos outros acessos. Desde a implantação da faixa exclusiva os congestionamentos diminuíram bastante, pois o tráfego de carros na pista central não é tão intenso como na da direita”, observa Maísa.
De bronca mesmo estão os taxistas, principalmente os que têm ponto na pista da direita da Senhora do Carmo, no sentido bairro/centro. A faixa exclusiva forçou o fechamento do acesso da pista da direita para a central que existia um pouco antes do cruzamento da avenida com a rua Outono. “Agora temos que dar uma volta imensa para seguir para a praça da Liberdade ou para a Contorno em direção ao Santo Antônio ou Santo Agostinho”, contou o taxista Marcelo Pedro da Silva, 43 anos. O caminho agora é descer a Senhora do Carmo até a Contorno, retornar pela Grão Mogol e entrar na Montes Claros para pegar a pista central da avenida e, dali, a Contorno. Ou, então, descer até a Contorno e pegar a Professor Moraes até a rua Santa Rita Durão, para seguir até a praça da Liberdade ou outros bairros da região centro-sul. “Difícil é convencer os passageiros de que não temos outra alternativa senão dar esta volta toda”, considera o taxista.

Os motoristas têm até fevereiro do próximo ano para se adaptar ao novo sistema. Jussara Bellavinha informa que provavelmente naquele mês serão instalados sensores de registro de avanço de faixa, que fazem a seleção pelo peso do veículo. Até lá, fiscais da BHTrans estarão ao longo da avenida para, primeiro, orientar os motoristas que trafegam pela faixa exclusiva a retornar para sua mão. Caso haja insistência os fiscais da BHTrans estão orientados a autuar o infrator. A multa é de R$ 53, mais três pontos na carteira.
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