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| André Lamounier |
| Marcelo Fiúza |


Como Alberto Pinto Coelho se tornou o mais influente deputado mineiro e, por isso, pode ser decisivo na sucessão de Aécio Neves em 2010


Pelas beiradas

* Cláudio Cunha
Alberto Pinto Coelho, em seu gabinete, na Assembleia: “Sou cumpridor de acordos”

“O candidato com que ele compuser para uma chapa majoritária ao governo do estado vai receber adesão de 60 deputados mineiros e centenas de prefeitos”. A frase do legislador mineiro Arlen Santiago (PTB) traduz bem a força política do atual presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Alberto Pinto Co­elho Júnior (PP). “Que fique claro”, con­tinua Arlen, “isso é numa composição para disputar o governo, porque, do ponto de vista administrativo da Assembleia, ele tem apoio da totalidade dos seus 76 pares”.

Parece exagero. Mas não é. Al­berto Pinto Coelho é hoje absoluta unanimidade entre seus colegas de legislativo estadual, independentemente do partido ao qual pertença o parlamentar. “Aqui, todos estamos com ele”, afirma o deputado Carlin Moura (PC do B), um dos líderes da oposição. “É, sem dúvida, um dos grandes políticos mineiros”, diz Moura. “Ele é brilhante. Reúne todas as condições de ser nosso representante no governo ou fora dele”, atesta o deputado Mauri Torres (PSDB), ex-presidente da Assembleia e atual líder do governo.
 
Entender os motivos que explicam a enorme capacidade de aglutinação de Alberto Pinto Coelho não é difícil. Basta olhar para sua história. Filho de político (seu pai, Alberto Pinto Coelho, foi deputado constituinte em Goiás e presidente da Assembleia da­quele estado), ele constuma definir o pai, de quem ficou órfão aos 12 anos, como “homem afável, que cativava as pessoas”. Executivo de carreira do setor de telecomunicações, Alberto era identificado pelos colegas de trabalho como uma pessoa diplomática. “Na empresa, as pessoas diziam que eu era diplomata e, por isso, deveria ser político”, diz ele.


* Arquivo pessoal
Com a família: a mulher Célia e os filhos Alberto e Alexandre (de pé) e Daniel e Paula

Foi uma questão de tempo. Por influência do embaixador José Apa­recido de Oliveira – cujo irmão casou-se com a irmã de Alberto –, lançou-se na política em 1994, concorrendo a vaga na Assembleia estadual. Elegeu-se com quase 30 mil votos.
 
Político hábil, conciliador e extremamente gentil, Alberto foi, aos poucos, conquistando seus pares. Con­quistou também todos os postos a que um parlamentar pode chegar. Foi presidente de comissão, líder de bancada, líder do governo Itamar, depois líder do governo Aécio, até se tornar presidente da Casa Legislativa, car­go para o qual se reelegeu em dezembro de 2008. Atualmente, também preside o  colegiado nacional de presidentes de assembleias legislativas do Brasil e, para completar, foi por duas vezes  governador interino do estado de Minas Gerais.

Em seu quarto mandato consecutivo, Alberto Pinto Coelho tornou-se um líder incontestável. É, de longe, o mais influente parlamentar mineiro. O traço conciliador é sua marca também na vida pessoal. “Ele sempre ouve todos os lados e prioriza a conversa”, afirma o filho, Alexandre Pinto Co­elho, 31 anos, que acompanha o pai em viagens, solenidades e até em en­trevistas. Alexandre e seu irmão mais velho, Alberto Neto, deverão ser os futuros sucessores políticos do pai.

Como líder do governo na As­sembleia, a prova de fogo de Alberto Pinto Coelho foi convencer os deputados a aceitar o pacote de leis intitulado Choque de Gestão, no primeiro mandado do governador Aécio Neves. “Era fundamental a aprovação para se fazer a reforma administrativa do estado”, diz ele. Na época, 2004, o PT possuía destacada bancada dentro do parlamento. O apoio do partido era essencial. “Meu desafio era buscar entendimento com a oposição e consegui”, afirma.
Quem é?

Administrador de empresas, foi diretor do Dentel/MG (1986/90) e da Telemig (1990/94)

Ao longo de sua vida profissional, acumulou 30 anos de experiência no setor de telecomunicações, sendo 21 em gerências das áreas de marketing, comercial, planejamento e controle, serviços a assinantes, operações e relações públicas

Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, foi presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia (1995/96); líder da bancada do PPB (1997/98); coordenador da Frente Mineira Contra a Privatização da Companhia Vale do Rio Doce e da Frente Parlamentar Jorge Hannas contra a Privatização de Furnas (1999); líder do governo Itamar Franco (1999/2000) e de Aécio Neves (de fevereiro de 2003 a janeiro de 2007). Também foi 1º vice-presidente (2001/02) e é presidente do Diretório Regional do PP/MG

Desde 2007, preside o Colegiado de Presidentes de Assembleias Legislativas

* Cláudio Cunha

Os anos de exercício de liderança do governo na Assembleia ensinaram lições valiosas ao deputado. “Aprendi que a palavra do líder, por traduzir a posição do governo, só deve ser usada em última instância. É a palavra final. O debate entre governo e oposição deve ser assumido por outros representantes da base aliada, como o lí-­4 der da bancada. À liderança de governo não cabe fazer o contraditório, isso cria dificuldades na hora de buscar os entendimentos”, diz. “Em política, uma andorinha faz verão. Basta só um de­putado. Meu papel é convencer e, se não for possível, buscar a compreensão e harmonizar”.

A obstinação do parlamentar na busca do consenso fez com que Alberto transitasse em outras esferas de poder, como o Tribunal de Contas do Estado e o judiciário. “Com ele na presidência, o parlamento conseguiu dialogar com todos e em igualdade de condições”, disse Arlen Santiago. Também fora do parlamento, sua liderança é reconhecida. “A influência do Alberto é inquestionável”, afirma Da­nilo de Castro, o supersecretário  de Aécio, homem responsável por toda a articulação política do governo.
 
– O senhor se considera um político influente?, perguntou a revista En­contro.

– Sim, respondeu Pinto Coelho

– Por quê?

– Sou cumpridor de acordos. Quando fui convidado para ser líder de governo, disse aos governantes: “Eu topo, mas tem uma condição: o que eu combinar com meus pares, aqui dentro, tem de ser cumprido pelo executivo lá fora”.
Alberto Pinto Coelho é o exemplo de parlamentar que simboliza a máxima ‘política se faz de forma solidária, e não solitária’.  “Ele conseguiu elevar a autoestima dos deputados”, afirma o colega Arlen Santiago, um dos mais votados nas últimas eleições, em 2006. “Ele é companheiro e fácil de lidar”, disse outro deputado, Jairo Lessa (DEM). “Além de cordial e respeitoso, tem um traço marcante: prefere o diálogo, ao embate”, completa o secretário Danilo.

Com características como esta, Alberto Pinto Coelho tornou-se bem aceito em todas as bancadas. Ex­tremamente corporativista, trata i­gual­mente a todos os deputados. A­liás, não apenas parlamentares. Os funcionários da Assembleia também merecem dele atenção, indistintamente. “Ele é um lorde”, diz o servidor Luis Antonio Prazeres, procurador-geral da Assembleia e ex-diretor-geral da Casa, substituído no cargo quando Alberto assumiu a presidência.
 
“Ele é aberto e procura o caminho do meio, do consenso. Tem postura  de magistrado em questões polêmicas e, apesar de pessoalmente ter ideologia diferente da minha, não contamina o debate. Pelo contrário, é a voz da ponderação. Tem palavra e sempre cumpre acordos”, afirma o deputado Carlin Moura que, ressalte-se, é das maiores lideranças de oposição ao governo estadual.

A ascendência de Alberto sobre seus pares ficou caracterizada em dezembro de 2008, quando teve o nome lançado em tribuna pelos deputados Dinis Pinheiro (PSDB) e Gil Pereira (correligionário do PP) como pré-candidato ao governo mineiro em 2010. A proposta ganhou apoio entre parlamentares de outras legendas, como o deputado Durval Ângelo (PT). "Pensar em um governador de Minas Gerais que tenha sido deputado e presidente do legislativo é uma valorização muito grande desse poder. É um nome próprio, correto, não precisamos de nome melhor", disse o petista, na ocasião.

Cacifado pelo enorme prestígio que desfruta, Alberto transformou-se num símbolo de político capaz de aglutinar e que não cria problemas para quem caminha a seu lado. Por isso foi líder de Itamar – a quem trata com muita deferência – e, depois, de Aécio. Como corolário, começou a cristalizar a ideia de que ele reunia  o perfil ideal para ser vice de qualquer  candidato à sucessão de Aécio.
 
Não é à toa que Alberto tem recebido elogios ou, poderíamos dizer, ga­lanteios dos principais nomes já colocados na disputa. Todos os pré-candidatos já manifestaram apreço por ele, publicamente. No PT, tanto Patrus Ananias quanto Fer­nando Pimentel, pré-candidatos do partido, enaltecem o deputado. Hélio Costa, do PMDB, atual líder das pesquisas, idem. Com Costa, o deputado Al­berto tem relação de muita proximidade. Em 1990, quando o peemedebista lançou-se candidato ao governo mineiro, Pinto Coelho foi seu coordenador de campanha. Mas é do atual vice-governador, Antonio Anastasia, pré-candidato pelo PSDB ao governo, que o nome de Alberto Pinto Coelho é ainda mais propalado. Homem de reputação ilibada, Anastasia, todos sabem, tem perfil técnico e sobressai quando o assunto é ajuste do estado. Mas em se tratando de política, falta a ele justamente o que Alberto tem de sobra: articulação com as bases e apoio de lideranças das mais diferentes facções. Segundo avaliação do deputado Arlen Santiago, o grupo de 60 deputados – que acompanha Pin­to Coelho numa eventual composição para disputa das eleições majoritárias – traz consigo mais de 600 prefeitos em todo o estado. Isso representa perto de 70% do total de 853 municípios mineiros.

“Não tenho dúvida: qualquer candidato gostaria de tê-lo como vice”, disse o secretário Danilo de Castro. “E ele tem absoluta legitimidade para o cargo”. A avaliação feita pela maioria dos parlamentares que apoia Alberto é de que a tendência é de uma dobradinha entre ele e Anastasia. Isso só não acontecerá se Aécio sair candidato a presidente e conseguir compor com o PMDB nacional. Nesse caso, o PSDB mineiro abre mão da cabeça de chapa em favor de uma ampla coligação. Mas Alberto continua cotado para ser vice. O mais improvável, por sua vez, é que se alie ao PT para disputar as eleições em Minas.
 
Publicamente, ele afirma que seu partido deve lançar candidatura própria – a dele, claro – ao governo mineiro. Mas, no fundo, sabe que o que está em questão é a vaga de vice. “Nenhum partido tem como objetivo ter nomes como vice”, afirma. “Ser vice é decorrência do processo e de uma identidade com o candidato majoritário”.
 
Formado em administração de empresas, nascido em Rio Verde (GO), morador da capital, casado e pai de quatro filhos, Alberto Pinto Coelho Júnior, 64 anos, é um típico político mineiro. Bem humorado, adora contar piadas entre seu grupo de amigos. Sua biografia e forma de agir: cordial, reservada, e de quem faz “política de bastidor”, fazem lembrar grandes nomes da política do estado como Rondon Pacheco e Hélio Garcia.  Herdou do pai o caráter sereno e conciliador. Também herdou o nome, mas bem que poderia ser simplesmente, Aberto – sem o “L”.


Trajetória de sucesso

1994 - Em campanha

* Divulgação
Com quase 30 mil votos, Alberto Pinto Coelho se elege deputado estadual pelo PP, pela primeira vez
2005 - Com Mário Soares

* Divulgação
Elege-se deputado estadual pela quarta vez, com quase 100 mil votos. Um ano depois, assume a presidência da Casa, cargo que ocupa até hoje
Início de 2007 - Mérito Legislativo

* Divulgação
Com Francisco Dornelles e Márcio Fortes, lideranças nacionais do PP
Junho de 2007 - No centro do poder

* Divulgação
Com Lula, Pimentel, Patrus, Dulci e Aécio: inaugurando obras em MG
Outubro de 2007 - Governador em exercício

* Divulgação
Pela primeira vez, no comando do estado

“Se o PSDB tiver juízo e quiser ganhar as eleições, lança Aécio para presidente”

ENCONTRO – Quais são suas pretensões políticas?
ALBERTO PINTO COELHO – Do ponto de vista de alguém que fez carreira na iniciativa privada e começou na vida pública exercitando um mandato de deputado, diria que o fato de eu chegar à presidência do Poder Legislativo dá uma sensação de realização, de que estou deixando para os meus filhos um legado, uma biografia de quem se dedicou aos interesses coletivos. Em chegando a essa posição e sendo estimulado como estou sendo, não só pelo meu partido, mas pelos meus pares que têm a legitimidade de representar o estado como um todo, colocando meu nome numa posição majoritária, sinto grande estímulo de aceitar esse desafio. Agora, esse processo não depende da minha vontade ou desse estímulo, tem de haver uma construção e uma convergência.

ENCONTRO – O sr. já ocupou o cargo de governador de Minas Gerais. Como foi a experiência?
ALBERTO PINTO COELHO – Tive a consciência da responsabilidade do mandato. Há um choque, porque qualquer er­ro ou deslize pode ter efeito devastador. E o voto é a credibilidade, a confiança renovada a cada eleição. Quan­do, pela primeira vez, o governador me comunicou que ia se ausentar,  fui para lá pensando que, a meu ver, naturalmente o interino tem de exercer o cargo com a maior discrição possível, mas com a consciência da dimensão e responsabilidade de estar governador.  O que me deu conforto foi pensar que, se eu ali estava, não o era indevidamente, foi porque construí aquele caminho e tinha as condições de tomar as decisões que fossem necessárias.

ENCONTRO – Em sua opinião, Aécio Neves sai candidato a presidente da república?
ALBERTO PINTO COELHO – Cada dia mais me convenço de que o Aécio reúne as condições pessoais e políticas necessárias e representa a melhor opção para ser o futuro presidente do país, como consequência de sua capacidade política, de liderança e de gestão pública. Se o PSDB tiver juízo e quiser ganhar a eleição para a presidência da república, o nome tem de ser o do governador Aécio Neves. Costumo brincar dizendo que nunca vi ninguém praticar arakiri (ritual suicida japonês) em política. Vamos ver o que vai fazer o partido.

ENCONTRO – Caso isso aconteça, ou seja, Aécio saia candidato a presidente, ele tem chances de enfrentar a candidata de Lula?
ALBERTO PINTO COELHO – Mais do que Serra, indiscutivelmente. Cinco partidos (PP, PR, PDT, PV e PTB) já declararam apoio explícito a ele. Veja bem, todos esses partidos têm ministros no governo Lula. Mesmo assim, suas cúpulas vieram a Belo Horizonte e declaram esse apoio. Parte do PMDB de São Paulo, idem. Ciro Gomes fez o mesmo. Abre mão de sua candidatura para apoiar Aécio.  Ademais, analise as pesquisas. Serra tem 36% dos votos e é conhecido por 90% dos eleitores. Aécio tem 21%, mas é conhecido apenas por 33%. Ou seja, o potencial de crescimento dele é enorme.

ENCONTRO – Quem tem mais chances de chegar ao Senado?
ALBERTO PINTO COELHO – O quadro em Minas depende fundamentalmente do destino de Aécio Neves. Se ele vier a ser candidato à presidência teremos um quadro. Se sair para senador, outro. Mas o ex-governador Itamar Franco é um nome que se coloca para qualquer posição significativa, tanto no estado quanto nacionalmente.

ENCONTRO – O PT vai lançar candidato ao governo mineiro. Quem será?
ALBERTO PINTO COELHO – Tudo indica que sim. Vejo o quadro regional como algo que depende do cenário nacional. O PT vai lançar canditado à presidência? Acho que sim. Então ele terá que ter candidato em todos os estados. Em Minas, o partido tem dois nomes qualificados: Patrus Ananias e Fernando Pimentel. Vejo essa candidatura com naturalidade e até como imprescindível ao quadro político.

ENCONTRO – Como o sr. avalia o governo Lula?
ALBERTO PINTO COELHO – Teve os méritos de ter mantido a estrutura macroeconômica. Também incrementar e capitalizar os avanços sociais. Mas nada fez pelas reformas estruturais (tributária, previdenciária e política). O governo Lula também conseguiu nivelar o PT com todos os demais partidos do Brasil. Tirou do PT o rótulo de ‘partido ético’ e, com isso, o lulismo vem se distanciando cada vez mais do petismo. Mas, do ponto de vista eleitoral e político, não se discute, o presidente Lula é um fenômeno.

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