conseqüências
Miséria e propagação de doenças são
possíveis
conseqüências do aquecimento global
Dengue e malária
doenças que podem causar epidemias catastróficas devido ao
aquecimento global

êxodo
Com a
desertificação em
algumas regiões do planeta, haverá migração de
pessoas para áreas menos
afetadas

doenças
O clima seco favorece o
crescimento de casos de doenças
respiratórias nas
crianças

vetores
Com a elevação da
temperatura
aumentam as chances de
proliferação de doenças vetoriais, como a malária e
a dengue
Inundações
recorrentes podem provocar aumento
de casos de
leptospirose, hepatite, cólera, tifo e outras enfermidades

vítimas
Idosos e
crianças são as maiores vítimas das mudanças bruscas de clima e temperatura

de olho nos pés
Aparecimento de frieiras e micoses de unhas: os pés também sofrem com o clima quente
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alarmista ou pessimista, e que levantou com os entrevistados possíveis conseqüências do aquecimento do planeta na saúde – portanto, não há nada comprovado cientificamente.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica – Regional Minas Gerais, Oswaldo Fortini Levindo Coelho, o aquecimento global deve ser analisado em duas frentes: os locais afetados pelas secas e aqueles atingidos por inundações. “Cada situação causa uma série de problemas.
Com a desertificação do planeta, por exemplo, populações da zona rural, sem comida e água, vão migrar para a urbana, o que pode causar um caos na saúde pública”, adianta o médico. No caso das inundações, haverá o aumento das doenças vei-culadas pela água contaminada, além de maior proliferação de mosquitos transmissores de doenças, como dengue e malária.
Mais: estudos mostram que, com as mudanças climáticas, cerca de 20% a 30% dos vegetais e animais poderão ser extintos. Com isso, haverá redução do alimento. Menos alimento, mais fome, mais desnutrição e morte. Sabe-se também que a água potável vai ficar mais escassa. Menos água, mais desidratação e morte. E o efeito-cascata está formado.
Fortini, que também é professor de Clínica na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acredita, ainda, que haverá maior incidência de doenças respiratórias. Um problema que é percebido no presente. “Hoje se tem uma série de alterações por causa do clima. Este ano, por exemplo, devido ao clima frio e seco, aumentou muito o índice das doenças de inverno, como pneumonias, asma e descompensação de doença pulmonar obstrutiva crônica. As crianças, cujo sistema4 imunológico não está bem desenvolvido, e os idosos são os que sofrem mais”, explica.
O aquecimento global também traz preocupação quando o assunto são as doenças vetoriais, como a dengue e a malária. Oswaldo Fortini prevê que o aquecimento possa provocar “epidemias das duas doenças, com efeitos catastróficos”.
A epidemiologista Waleska Caiaffa, professora associada da Faculdade de Ciências Médicas da UFMG, explica que a alteração climática facilita o ciclo do mosquito transmissor da dengue (Aedes aegypti), o que pode fazer com que os surtos comecem a se tornar endêmicos (sempre constantes). “Em todo o país, o número de casos de dengue notificados até meados deste ano superou em 20% o total do mesmo período de 2006. Pode ser por causa do aquecimento global, que favorece a proliferação do mosquito durante todo o ano. Em alguns locais, existem sinais de que a dengue ficou endêmica. Com o clima mais quente, a perspectiva é de manter a doença em patamares altos ao longo do ano”, afirma a epidemiologista.
Outra preocupação é com a malária transmitida pelas fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles. Concentrada no norte do país, a doença pode se disseminar com o aquecimento do planeta. “Os mosquitos que transmitem a doença vivem em regiões mais quentes, mas os extremos de calor são bons para sua sobrevivência e proliferação. Não tratada, a malária pode matar”, diz Fortini.
Com o aquecimento, são previstas também grandes inundações em várias partes do mundo. O problema aqui está na contaminação da água, que pode causar, segundo Fortini, hepatites, leptospirose, esquistossomose, cólera, tifo e até poliomielite. A epidemiologista Waleska Caiaffa prevê a contaminação, por bactérias, de moluscos de consumo humano, que pode levar a uma intoxicação alimentar. Waleska explica que a água quente favorece o crescimento mais fácil de determinados parasitas em moluscos e frutos do mar. “Daí, maior possibilidade de conta-minação, principalmente quando as pessoas comem essas iguarias sem cozinhá-las”, alerta.
Os efeitos das mudanças climáticas também preocupam os dermatologistas. O professor da especialidade na Faculdade de Ciências Médicas da UFMG, Antônio Carlos Martins Guedes, afirma que, teoricamente, as doenças de pele serão mais incidentes. “Principalmente as relacionadas ao verão, como câncer de pele, assaduras, micoses e foto-envelhecimento”, exemplifica. Os problemas devem ser mais freqüentes nos países tropicais.
Os raios ultravioletas também podem ser maléficos aos olhos. Segundo o oftalmologista Ricardo Guimarães, do Hospital de Olhos, os órgãos mais suscetíveis à lesão da luz ultravioleta são a córnea, a retina e o cristalino. “Quanto mais a pessoa ficar exposta ao sol, principalmente sem a proteção de óculos escuros, maiores as chances de desenvolver pro-blemas oculares, como a catarata.”
A temperatura mais quente propicia ainda o aparecimento, nos pés, de frieiras e micoses de unha. Quem afirma é a enfermeira Cláudia Garcia Rodrigues, do Centro Integrado de Podologia. Outra conseqüência, na opinião da especialista, é o distúrbio da sudorese. “Ora a pessoa vai transpirar muito, ora vai transpirar pouco. Isso pode levar ao distúrbio da sudorese, que causa o aparecimento de cravos plantares.
Isso por que a glândula sudorípara se calcifica”, explica. Claudia diz que tem aumentado o número de pacientes com o problema. “Eles reclamam muito da dor, dizem que parece que estão pisando em um alfinete”, destaca a enfermeira, acrescentando, ainda, que o aquecimento térmico do ambiente propicia o aumento de edemas nos membros inferiores. Normalmente, no fim do dia, as pessoas estão com os pés um pouco inchados (isso é o edema). “A longo prazo, os edemas constantes podem causar varizes e até mesmo erisipelas. Estas últimas, quando atingem a circulação sangüínea, podem levar à septicemia”, alerta.
E o coração, como fica nessa história toda? “Felizmente, o coração tem uma capacidade de adaptação muito grande. Ele sofre variações mais amplas ao longo de um único dia, com a mudança sazonal da pressão arterial, do que com o aumento da temperatura em uma década”, afirma o presidente da Sociedade Mineira de Cardiologia, Marcio Kalil. Pelo menos, para ele, tudo será uma questão de adaptação. Ufa!
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