
um dos projetos
“A cada ano é feita
a inspeção veicular
e regulados os motores
dos carros para evitar
emissões desnecessárias. Considero essa
medida muito
importante”
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águas e despoluição do ar despertam seu interesse.
Nesta entrevista à Encontro Ambiental, Gabeira falou desses assuntos, mas também revelou a consciência de que é preciso lutar pelo meioambiente.
Encontro – O senhor é muito envolvido com a área ambiental, seu partido tem filosofia ecológica; então qual é o projeto na Câmara Federal que chama mais a sua atenção no momento?
Gabeira – Na área ambiental, o problema central no momento é a questão do aquecimento global e de como cada país vai reduzir as emissões de gás e começar a se preparar para as conseqüências que virão independentemente do seu trabalho. Temos de lutar, de um lado, pela redução de emissões e, de outro lado, na adaptação do país para essa nova situação, porque aquecimento haverá, de qualquer forma.
Encontro – Há alguma outra coisa a ser feita, agora, no Brasil, para evitar a aceleração do aquecimento global?
Gabeira – Existe um projeto meu que considero muito importante, que determina que o país faça um inventário de suas emissões. Que tenha a cada ano, e no máximo a cada dois anos, uma visão de quanto estamos emitindo, um processo de avaliação da situação no Brasil, mas também da situação do ar, a quantidade de partículas de gás carbônico que a atmosfera brasileira tem.
Encontro – Que mais o Congresso Nacional tem feito nesse sentido?
Gabeira – Há outro projeto, que não é meu, mas que acompanho há algum tempo. Trata-se de um projeto na área urbana, de inspeção veicular anual. A cada ano é feita a inspeção veicular e regulados os motores dos carros para evitar emissões desnecessárias. Também considero essa medida muito importante.
Encontro – A floresta amazônica desperta o interesse internacional. Como esse tema é tratado politicamente?
Gabeira – A questão da Amazônia é a menina dos olhos de todos nós, no Brasil, porque faz coincidir a questão das emissões com a salvação da floresta, o que fazer com ela, como desenvolver um trabalho que a proteja, que permita que ela sobreviva e que reduza o seu desmatamento. Para se ter idéia, o fogo na floresta é responsável por 80% da emissão de gases no Brasil.
Encontro – Quando se fala em aquecimento global, o mundo se refere ao Brasil como se fosse o ponto nevrálgico. Como o senhor vê essa preocupação com as nossas reservas naturais, esse olhar mais agudo sobre o país?
Gabeira – Do ponto de vista de emissões, o país que hoje é mais observado é a China, porque não está à vista dos países obrigados pelo Protocolo de Kyoto a reduzir suas emissões. É o segundo, e em algumas pesquisas é até o primeiro maior poluidor mundial. Então, o foco das atenções e as expectativas são em torno da posição da China.
Encontro – Para o senhor, quais são as diferenças entre o Brasil e a China na área ambiental?
Gabeira – O Brasil tem, ao contrário da China, que destruiu seu meio ambiente, essa floresta para preservar. A preservação da floresta amazônica é vista como coisa fundamental quando se fala em aquecimento global e importante em si mesma. Mesmo se não houvesse as conseqüências para o aquecimento global, a preservação é necessária, por causa das águas, da diversidade biológica que existe na Amazônia, e até por causa da diversidade cultural, com as diferentes comunidades indígenas que existem lá. A China tem uma produção industrial violenta, sem grandes cuidados ambientais. O Brasil, o mundo olha como um lado selvagem, primitivo, exótico, que ainda precisa ser preservado. E esse olhar está concentrado nos países emergentes em geral, sobretudo China, Índia e Brasil.
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