encontrar Franco – desta vez numa galeria de arte em Belo Horizonte – e ele não perdeu tempo. “Por que você não me mandou seu trabalho? Eu continuo esperando!”
“Mas eu fui trabalhando e o tempo passou...” Simples assim, explica a pintora Beatriz Abi-acl, que tem a paisagem brasileira como tema para expressão.
A princípio, foram as montanhas; limites que, a partir do que a artista chama de convívio íntimo, transformaram-se em seres vivos. “Formas femininas que abraçam o corpo do mineiro.” A série Das Brumas às Dunas, que iniciou em 1985, revelou paisagens áridas, planas; iluminadas, porém de cores unificadas. Ocupamentos desordenados, marinhas e a série Possibilidades – composta de 102 aquarelas que instigam os sentidos – completam sua produção. “São dois, três anos pesquisando. É preciso definir, observar, mastigar o traba-lho que passa a fazer parte do corpo. Inicialmente a cor mostra-se superficial, mas à medida em que faço cortes na paisagem conheço sua essência, de rica coloração.”
Interessante que a observação – diurna ou noturna – materializa-se nas telas à noite, quando o silêncio aguça a concentração. No dia seguinte Beatriz revê o resultado. E no outro, no outro, no outro... até considerá-lo maduro. “O artista, quanto mais trabalha, apura a técnica. Pra mim tanto faz pintar em aquarela, óleo ou acrílica. O que quero é me expressar.” Em sua opinião é o que possibilita aos artistas que as obras se sustentem sem discursos e de modo independente.
Para ela, a cor não precede a forma. E a beleza – que considera fundamental – resulta da alquimia entre cor, forma, composição e estética: é sua maneira de registrar a linguagem de forma agradável ao público. E ela parte do princípio que sem exceção de classe social ou nível cultural, todos gostam de arte. “A obra verdadeira sempre vai encontrar proprietário; é questão de paixão. E a partir do momento em que o artista assina-a, aquilo já não é mais dele. É do mundo.”
O mundo é grande... mas nele também moram pequenas coincidências que em minutos levaram as telas de Beatriz para a Itália e Estados Unidos. “Em 1990 estava em Roma, participando de exposição com um grupo de brasileiros. Levei uma tela ao moldureiro e o adido cultural passou por lá. Na hora que viu a pintura, quis me conhecer. Daí fui convidada para representar o Brasil com telas de paisagens mineiras, numa festa na cidade Ponte d’ella Priula, no Veneto.” Suas telas foram parar nas mãos de colecionadores.
Mas agora, em 2008, a artista quer dar outro passo. “Não importa só chegar e vender na Europa. Quero meus quadros nas galerias de lá. Estes espaços não são apenas pontos de negócio, mas aval para o artista.” Mas ela não revela nenhum tipo de ansiedade. “É preciso persistir e pensar no trabalho. Tudo o mais, inclusive exposições e lucro, vem dele.”
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