
maltrata coração
Cerca de 310 mil pessoas
devem morrer por problemas cardíacos em 2008

haja fralda
Em torno de 2,5 milhões
de bebês vão nascer
este ano no Brasil

óbito
Pouco mais de um milhão
de pessoas devem morrer durante o ano no Brasil
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Fará os manuais dos produtos, numa economia estabilizada. É uma espécie de Wikipédia (enciclopédia feita pelos usuários) do mundo real.
Não se importará com as relações, o que vale é você, o centro da foto, só que há problema aí: ninguém vive só; está num país com cerca de 186,6 milhões de habitantes e num mundo de 6,7 bilhões de pessoas. Mais que suficientes para desfocar a imagem, com os massacres da nossa violência: 122 morrerão por dia com a criminalidade e 109 em acidentes de trânsito, como se caísse um avião a cada 24 horas.
Granulada com a corrupção em ano eleitoral, com a alta incidência do câncer, impulsionada pelo aumento da velhice, com as doenças do coração, número 1 em causa de mortes.
É o retrato antecipado deste 2008, ano bissexto, que começa a desfiar seus 366 dias, tirado pela revista Encontro, com a colaboração de projeções e previsões de especialistas e futurólogos. Numa dicotomia entre o futuro, ou o já presente, sombrio e promissor. “O horizonte econômico é o de céu de brigadeiro”, diz o economista Paulo Brant.
O país vai crescer um pouco abaixo do ano passado, até porque começa a faltar mão-de-obra especializada. O dólar encontra o ponto de equilíbrio em 1,75 real e a inflação (tão preocupante em outros tempos), fica, segundo a previsão, em 4,10%. Nem a dificuldade da crise de hipotecas imobiliária nos Estados Unidos, nem o fim da CPMF, que vai retirar 40 bilhões de reais das previsões de arrecadação, poderão afetar a economia, prevê Brant.
Este cenário propício, onde o consumo se expande, atinge mais pessoas, firma os alicerces para acelerar a massificação personificada de produtos e serviços. “Teremos um mundo co-criado pelos usuários”, diz o engenheiro Jean Paul Jacob, pesquisador da IBM nos Estados Unidos. Resultado do desenvolvimento da tecnologia da informação, da globalização e da concorrência, que levam o consumidor a ser parceiro no que há ou no que ainda virá: da TV digital ao celular, meios de comunicação, carros e serviços. “Com a vantagem enorme de que quem participa da criação mais facilmente aceitará o produto.”
Os manuais serão traduzidos numa linguagem popular, nada técnica, até porque deverão ser escritos pelos próprios consumidores. Tudo será simplificado. “Por que pagar por telefone celular com várias funções se você só usa algumas delas?”, questiona Jacob. Não é necessário, e aí ele poderá ter, ao gosto do freguês, dispositivo para quitar compras, bafômetro, testes de sangue e outras funções especiais que nem imaginamos. Mas se for para o seu bem será criado, ou melhor, co-produzido.
Você é o centro. E até nos relacionamentos não se faz a vontade do outro: está aí o aumento de 6,6% do número de casamentos e também de 7,7% dos divórcios. Casa e se não der certo, separa. “Hoje cada um pensa em si, não quer dividir, ceder”, afirma a terapeuta familiar Roberta Palermo, autora do livro 100% Madrasta – quebrando barreiras. Ela acredita que as pessoas, principalmente as mulheres, querem mandar, não são compreensivas e não lutam para manter os relacionamentos. “Separam por bobagens. Antes, faziam terapia na crise dos sete anos, hoje procuram ajuda para saber se casam ou não.”
Abrir mão em favor do outro se rareia na sociedade, na política. A história da corrupção, mesmo com os 40 mensaleiros denunciados ao Supremo Tribunal Federal em 2007, deve se reprisar neste ano de eleições municipais. Na última escolha de prefeitos e vereadores, 9% dos eleitores foram instados a vender o voto, número que pode se repetir este ano. “A corrupção se combate pela prevenção das condições que a propiciam e, como não são tomadas medidas, pode-se esperar continuidade dos padrões verificados no passado”, diz Cláudio Abramo, diretor-executivo da ONG Transparência Brasil.
Não pára por aí. A previsão é que a corrupção continuará no Congresso, onde 28 dos 80 senadores e 160 dos 513 deputados federais estão envolvidos com problemas na Justiça ou tribunais de contas. “É difícil prever, mas não me surpreenderei se ocorrerem novos escândalos. A coalizão que apóia o governo, o projeto de poder do PT, certas práticas políticas tradicionais, enfim todos os fatores relevantes são os mesmos”, afirma o cientista político Bolívar Lamounier, autor do livro Da Independência a Lula: dois séculos da política brasileira.
A mesmice na política que respinga no combate à criminalidade e aos acidentes de trânsito. Especialistas acreditam que, se não forem tomadas medidas concretas, os4 números do início desta reportagem tendem a aumentar ao longo dos tempos. Neste ano, mais de 44,6 mil devem morrer na guerra da criminalidade e quase 40 mil no trânsito, numa estatística fria, diluída, que não causa espanto diante da queda de um avião, a não ser para os que perderam alguém na tragédia. “É necessária uma boa gestão. Não precisamos diminuir a pobreza para alcançarmos índices satisfatórios no combate à violência”, argumenta o sociólogo Luiz Flávio Sapori. E lista o que deveria ser feito: investimento na área de segurança, com melhoria do sistema penitenciário e valorização dos policiais; planejamento de ações de curto e médio prazo, adoção de medidas de repressão e prevenção social.
“É preciso sair deste discurso fatalista, de que tudo ocorre por causa do social. Isto tem atrasado a solução do problema”, diz Sapori, autor do livro Segurança Pública no Brasil: Desafios e Perspectivas e professor da PUC Minas. Atraso que faz vítimas também no trânsito nosso de cada dia, onde mais de 40 mil devem perder suas vidas este ano. Fora as pessoas que morrem depois em decorrência das seqüelas dos desastres. “Este número pode dobrar”, estima o engenheiro Márcio José de Aguiar, professor de Engenharia de Transporte e Trânsito da Fumec. Culpa dos brasileiros que não respeitam a legislação, da falta de fiscalização e de gerenciamento e de estradas mal conservadas. “Se a lei de trânsito for cumprida, estes números abaixam em 50%”, garante.
Está nas mãos do governo cobrar e na nossa em ser educados para conviver bem no trânsito. Tem jeito, asseguram os especialistas. Como há para resolver as outras mazelas, é só agir. Logo este verbo que em 2008, na numerologia, resulta da soma: “É o ano da ação total. Por isso surgirão líderes fortes, que vão transformar idéias em realidades”, prevê a numeróloga Aparecida Liberato.
Foi em anos de soma que acabou a Segunda Guerra Mundial, em 1945, caiu o muro de Berlim, na Alemanha, em 1990, ocorreu o lançamento do euro, em 1999. Acontecimentos, números, que neste ano do rato no calendário chinês, da prosperidade, dão todos os indícios para sacudir a sociedade a refazer a foto antecipada dos especialistas ouvidos pela revista Encontro. Está sob nosso controle o ajuste desta imagem para que não fique desfocada. É só co-produzir o roteiro neste ano seu.
Sem Abalos
:: A economia deve se manter estável, com crescimento um pouco menor se comparado ao ano passado 4,4% a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), tudo o
que é produzido no país.
:: Em 2007, foi de 4,7% 1,50 a 2 reais será a variação do dólar.
O economista Paulo Brant acha
difícil ele abaixar ou subir destes valores.
Deve ter ponto de equilíbrio em 1,75 real
:: 10,50% a 10,75% deve ser a taxa básica de juros
no final do ano
:: 4,10% será a inflação, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA). O centro da meta é de 4,5% do IPCA com margem de
tolerância de
dois pontos para cima ou para baixo
:: 4,50% é a aposta de crescimento da
produção industrial
:: 25 bilhões de dólares de superávit da balança
comercial, que é o saldo positivo
entre as importações e exportações
Fonte: Boletim Focus, do Banco Central, e economista Paulo Brant
Massacre
Quantas pessoas vão
morrer no trânsito: Mais de
44,6 mil
devem ser
assassinadas: 122 a cada 24 horas
40 mil devem perder a vida em
acidentes nas rodovias e vias
urbanas. São 109 mortes por dia
Pesquisadores estimam
que o número deve ser mantido este
ano, com perspectiva
de aumento se não forem implementadas políticas
de segurança pública
Fonte: Ministério da Saúde, engenheiro Márcio José de Aguiar, sociólogo Luiz Flávio Sapori e defensor público Renato de Vito, do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (Ibccrim)
Doença em alerta
No Brasil, 466.730 casos novos de câncer São 234.870 mulheres e
231.860
homens que vão ter a doença neste ano.
O tumor mais incidente será
o de pele do tipo não melanoma, com 115 mil casos seguido pelo de próstata, mama, 49 mil, pulmão, 27 mil, cólon de reto, 27 mil, estômago, 22 mil e colo do útero 19 mil.
310 mil
devem morrer
com problemas
cardíacos.
A metade de
morte súbita
Fonte: Instituto Nacional do Câncer (Inca), Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac)
Morte, separação
:: 1,07 milhão vai
morrer
:: Número de
separação
cresce 8% 287 mil
casais devem
se separar
Vida, casamento
:: 2,5 milhões devem nascer durante
este ano
:: Número de
uniões cresce
em média 6%
948 mil
casamentos
Só meu
:: O que vem por
aí na tecnologia
:: Produtos
personalizados
ocupam de
vez as prateleiras do comércio.
Este ano
marca a
aceleração da
co-criação: “Eu e
os outros é que vamos
escolher como vão
ser os serviços”, diz o
futurólogo Jean Paul Jacob,
pesquisador da IBM nos Estados
Unidos. Telefones celulares e carros,
por exemplo, vão ser adaptados aos
gostos e interesses do consumidor
específico. O primeiro poderá ter dispositivo
para pagar contas (a loja precisa de terminal
especial), bafômetro ou realizar teste médico.
:: TV digital está aí para reforçar
essa personalização. Pode
ter canal individual, com
programas só de seu interesseOs manuais serão escritos
por um grupo de consumidores
Nas asas do AeroLula
:: Presidente mantém viagens ao exterior
:: 30 viagens é a média anual de visitas do presidente Lula ao
exterior. Desde que assumiu a Presidência, ele já viajou mais
de 135 vezes para outros países
:: Fará mais uma viagem à África, manterá sua rotina de idas aos países
latino-americanos e vai seguir novo roteiro, desta vez no sudeste asiático: Malásia, Tailândia, Vietnã, Filipinas e Indonésia
Fonte: Ministério das Relações Exteriores e site da Presidência da República
Para marcar o ano
Confira os acontecimentos mais importantes
Ano da ação
2008 vira 1 na numerologia e aponta novo ciclo. “O mundo
está diante de possibilidades e decisões importantes, que terão
grande implicação no futuro”, diz a numeróloga Aparecida Liberato.
Exemplos não faltam em anos que somam 1:
1945 fim da 2ª Guerra Mundial
1954 a suprema corte dos Estados Unidos declara ser
ilegal a discriminação racial nas escolas públicas
1981 é lançado o primeiro ônibus espacial, o Columbia
1990 ocorre a reunificação da Alemanha
1999 o euro passa a ser moeda única
de 15 países da União Européia
Olimpíadas de Pequim, em 16 dias de jogos em agosto, reunirão 16 mil atletas de todo o mundo e 2 milhões de turistas
Centenários de
Machado de Assis e da
imigração dos japoneses
200 anos da chegada da família real ao Brasil, no dia 7 de março
Eleições municipais, no dia
5 de outubro, vão levar mais de
130 milhões de eleitores às urnas para escolher cerca de 5.600 prefeitos e mais de 51.800 vereadores
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