Editora Encontro
   
   
     
































 
  economia
 
| Janaína Oliveira |
Muitas pessoas se endividaram neste período de crédito fácil. Com a volta da inflação, o orçamento pode apertar

CALMA DRAGÃO

 
 

Adormecido durante alguns anos, o dragão despertou e voltou a atrapalhar o sono dos brasileiros. Às voltas com as parcelas do carro zero quilômetro, do apartamento novo, dos móveis da sala e da última viagem de férias – adquiridas nos tempos de crédito farto e pagamentos a perder de vista –, o consumidor anda ressabiado. Com a inflação chegando ao supermercado e à geladeira, e o conseqüente achatamento do seu salário, a preocupação é honrar todos os compromissos em dia, já que, além de tornar o almoço mais indigesto, o monstro também encarece aluguéis e prestações de imóveis, serviços, contas de

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Alimentos mais salgados
(variação nos últimos 12 meses)
Feijão – 138,33
Óleo de soja – 67,48
Arroz – 45,58
Carne – 43,88
Pãozinho de sal – 31,27

 

 

 

água e de luz. Mesmo diante de tanta fúria, a recomendação dos especialistas é muita calma. O momento, segundo os economistas, é de atenção por parte dos chefes de família, que devem organizar o orçamento enquanto esperam a tempestade passar.

“Ninguém sabe quando vai parar a chuva. Mas, na minha opinião, a inflação deve continuar incomodando neste ano. E só deve mesmo perder força no final de 2009”, acredita o especialista da LCA Consultoria, Rafael Castro. “Até lá, o jeito é ter cautela na hora de ir às compras, restringir os gastos e o endividamento, pesquisar preços e abusar do poder de barganha”, aconselha o professor do Ibmec, o economista Sérgio Birchal.

Um dos trunfos do dragão para vencer a queda-de-braço com o bolso do consumidor esconde-se em forma de siglas, alertam os especialistas. Elas podem não fazer parte das conversas do dia-a-dia, mas, com certeza, impactam o balanço financeiro doméstico no fim do mês. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), por exemplo, que é usado como indicador oficial de inflação pelo governo, mantém-se em curva ascendente. A alta, nos últimos 12 meses, chega a mais de 5%. E como o cálculo considera gastos com alimentação e bebidas, artigos de residência, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, e reflete o custo de vida de famílias com renda mensal de um a 40 salários mínimos, está aceso o sinal amarelo da classe média. “A inflação registrada nos últimos meses vai influenciar, principalmente, famílias com renda de até seis salários mínimos mensais. Já em casas onde o orçamento varia de seis a quarenta salários mínimos, este percentual cai, mas não desaparece”, diz o diretor adjunto da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis, professor Wanderley Ramalho.

Outro índice pouco falado, mas que já colocou as garras de fora, foi o INCC (Índice Nacional da Construção Civil), cujo acréscimo nos últimos 12 meses foi de 8,26%. “Até a entrega das chaves, os contratos de compra de imóveis são regidos pelo INCC, que é regulado pelos preços dos materiais e pelo custo da mão-de-obra, que já apresentaram aumentos”, explica o vice-presidente da Área Imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Jackson Câmara. Com a mudança para a casa própria, sai o INCC e entra em cena o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), monitorado pela Fundação Getúlio Vargas. Ele registra a inflação de preços variados, desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais. É muito usado na correção de aluguéis e tarifas públicas, como conta de luz, e serve para todas as faixas de renda.

“Como os indexadores estão subindo muito, o consumidor acaba pagando mais. É difícil, mas em alguns casos, como no do aluguel, ele pode tentar uma negociação”, recomenda Miguel de Oliveira. E como na economia há períodos de chuviscos e tsunâmis, a ordem é equilibrar as finanças. “Só o tempo dirá o caminho da inflação. Mas o ideal é que não se comprometa mais de 30% da renda com prestações”, adverte Câmara.


SOPA DE LETRINHAS

O que significa cada índice e qual sua aplicação

IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo
é usado como indicador oficial de inflação pelo governo.
O cálculo considera gastos com alimentação e bebidas, artigos de
residência, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, e reflete o custo de vida de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos

INCC – Índice Nacional da Construção Civil
rege os contratos de compra de imóveis. É regulado pelos preços dos
materiais e pelo custo da mão-de-obra.

IGP-M – Índice Geral de Preços do Mercado
registra a inflação de preços variados, desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais. É muito usado na correção de
aluguéis e tarifas públicas, como conta de luz, e serve para todas as faixas de renda. O IGP-M é composto por: 60% pelo IPA (Índice de Preços ao Atacado), 30% pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e 10% pelo INCC (Índice Nacional da Construção Civil).


   
   
 
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