Cecília Reinaldo: “Um imóvel comprado hoje
em Dubai pode render até 100% em apenas um dia”
Vista aérea de extensões de terras artificiais mar adentro: um canteiro de obras de luxo
Detalhes de imóveis construídos em uma das centenas de ilhas: investimento de menor risco
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mundo. Além das dificuldades naturais em território desconhecido, ela também teve de enfrentar o preconceito por ser mulher e muito jovem em um cenário dominado pelos homens, típico do mundo árabe.
Seus maiores clientes no Brasil, quem diria, são os mineiros (por isso mesmo, ela teve uma passagem rápida por Belo Horizonte no início de julho), seguidos dos paranaenses. Cecília começa a conquistar também o Nordeste do Brasil via Rio Grande do Norte. Interessados em investir em empreendimentos supervalorizados em Dubai, eles vêem no país uma nova fronteira, atraídos, sobretudo, pelos incentivos fiscais. “Lá não existem impostos ou taxas sobre ganhos de capital”, informa a especialista.
Formada em Relações Internacionais e com MBA em Marketing, Cecília conta que se encantou por Dubai quando foi visitar a mãe, funcionária do governo brasileiro, durante as férias, em 2001. Como já trabalhava na área de exportações, no Rio de Janeiro, conseguiu a vaga em Dubai na empresa brasileira e se transferiu para lá. “Sempre fui muito inquieta e depois de um ano nesse ramo comecei a pensar em outras possibilidades”. A novidade veio em forma de convite para trabalhar na corretora da qual é uma das sócias hoje. “O primeiro ano foi péssimo e quase fechamos as portas”. Após fazer grande negócio com um cliente árabe, Cecília e Sheridan perceberam que era preciso ousar e mudar o foco. “Resolvemos buscar os mercados internacionais, especialmente os europeus, que investem muito em outros países. Os eslavos, por exemplo, são muito atraídos pelo clima quente de Dubai”.
O Brasil somente entrou em sua rota no ano passado, quando a Emirates Airlines passou a operar vôo diário direto de São Paulo a Dubai. “O fluxo de turistas brasileiros aumentou muito e eles começaram a se interessar pelos empreendimentos como forma de investimento”. Aliás, um investimento que pode dar bons frutos. A população de Dubai (na casa do um milhão) aumenta 20% ao ano e a construção civil não consegue atender à demanda. “Os aluguéis são caríssimos, mais altos do que os do Rio de Janeiro e São Paulo, e têm de ser pagos com seis meses de antecedência, no mínimo”. Por isso mesmo, explica, o mercado vive em polvorosa. O investimento em imóveis é uma classe de negócios de menor risco. O giro é muito grande. “Um imóvel comprado hoje pode render 100% de lucro em apenas um dia. Este é um mercado extremamente especulativo”, afirma Cecília. Tanto que ela tem viajado muito para a Europa, convidada para falar sobre os investimentos em Dubai. E o governo de lá trabalha avidamente para atrair mais gente e, claro, mais dinheiro de fora. Hotéis de incontáveis estrelas, prédios de apartamentos, vilas residenciais, shopping centers, resorts de luxo, torres de escritórios de conglomerados multinacionais, tudo isso faz de Dubai uma efervescência sem limites.
A empresa de Cecília atua como se fosse um banco de investimentos, ou seja, o cliente quer empregar seu dinheiro em algo lucrativo e ela o apresenta ao mercado imobiliário de Dubai. Apartamentos, casas, mansões, lojas de shopping ou escritórios e até ilhas podem ser comprados por quem deseja aplicar lá. “A maioria dos nossos clientes é formada por empresas com a visão de diversificar seu portfólio de investimentos fora do país de origem, sem ficarem presas às bolsas de valores e fundos de investimentos”. As preferências desses novos investidores, segundo ela, levam em consideração mais a localização do que o empreendimento em si. “Existe muita demanda para lugares como Palm Jumeirah, um dos ícones da cidade”. É nesse bairro luxuoso, um dos aterros no mar do Golfo Pérsico em forma de palmeira, que se encontra o famoso e opulento hotel Jumeirah Emirates Towers, o 23º edifício mais alto do mundo, com 309 metros de altura e 56 andares.
Além deste ponto turístico, a empresária recomenda os hotéis Burj al Arab, sete estrelas de extremo luxo com seus 321 metros de altura (o prédio mais alto do mundo), e Madinat, resort à beira-mar com arquitetura tipicamente árabe, “quase uma cidade”. Outra atração é o Ski Dubai, pista de esqui na neve artificial dentro de um shopping. “A cidade tem tudo: praias lindas, boates, restaurantes”, avisa Cecília, que mora em Dubai 90% do ano e vem ao Brasil com certa freqüência. A faixa etária da maioria da população vai dos 25 aos 50 anos, 80% estrangeiros, europeus, norte-americanos, asiáticos e indianos, como ela avalia. A empresária, que fala português, inglês e espanhol, já está tão familiarizada com a vida do país que está aprendendo árabe, “por curiosidade”. E mesmo tendo conquistado posição invejável, não descansa: trabalha “quase 24 horas por dia”, vivendo o que chama de “uma vida muito doida por conta dos fusos horários”. Pelo tom de animação de sua voz é possível perceber que isso Cecília Reinaldo tira de letra.
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