O hip hop é o conjunto de quatro formas artísticas chamadas de elementos. São eles: Break, DJs, Gafite e MCs. O movimento surgiu em Nova Iorque (EUA) nos anos 60 para os 70 e veio da mistura de vários movimentos. O fundador do hip hop é o DJ Afrika Bambaataa, nova-iorquino líder da Zulu Nation, ONG que tem como princípio a paz, o amor, a união e a diversão, que formam o verdadeiro espírito hip hop

Turma de MCs, durante duelo embaixo
do viaduto de Santa Tereza,
no centro da capital: conscientização
sobre igualdade social e racial
Quatro Elementos
- Break: dança de rua surgida na década de 70 entre negros e hispânicos de Nova Iorque. Representada pelos B-Boys e pelas B-Girls, que dançam o estilo
- DJs: iniciais de Disc Jockey. O DJ é o animador da festa, aquele que seleciona as músicas de acordo com o público e que coordena a sincronia das batidas por minuto
- Grafite: a palavra significa marca ou inscrição feita em um muro. O grafiteiro aproveita os espaços públicos para mostrar sua arte através de uma linguagem própria.
- MCs: sigla de Mestre de Cerimônia. O MC surgiu nos Estados Unidos com a cultura hip hop. O MC diverte o público com suas letras enquanto o DJ cria os sons para acompanhar. No Brasil, os MCs se desviaram um pouco da raiz do hip hop e foram para o funk

Estilos de MCs
1) Cronista: são rimadores que costumam descrever os fatos e acontecimentos no estilo policialesco
2) Intelectual: usam palavras consideradas difíceis com temas profundos e de difícil entendimento
3) Romântico: rimas que falam de amor
4) Livre: rimas despreocupadas, chamado também de Freestyle
5) Rua: as influências vêm da cultura hip hop e falam do Break, do Grafite e dos Djs
6) Raga: as músicas falam de mulheres e festas
7) Radical: fala de histórias de comunidades e seus conflitos, como drogas e polícia
8) Festa: baladas, sexo, mulheres estão incluídos nesse estilo
9) Gospel: as músicas falam de paz, esperança e temas bíblicos
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sobre igualdade social e racial, tudo por meio da música e da arte. O público é diversificado: ricos e pobres, moradores de condomínios e de favelas e até mesmo alguns convidados da Serraria, atraídos pela movimentação, se unem pela diversão consciente e pela paz.
O Duelo de MCs foi idealizado pelo designer e MC Leonardo Cezário, com o propósito de ressuscitar em BH a cena hip hop. “Achei que seria legal criar um lugar único na cidade para as pessoas se conhecerem, se encontrarem, trocarem idéias e se divertirem”, relembra Leo, como é conhecido. Ele chamou vários amigos para juntos fazerem uma batalha Freestyle, estilo livre para músicas compostas na hora, sem ensaio prévio.
O primeiro encontro aconteceu de maneira improvisada: num canto da praça da Estação, uma turma de 30 pessoas se juntou ao redor de um carro e, sem microfone, sem estrutura, somente com o som do carro, começou a duelar. Quem não era MC se transformou naquela noite, já que todo mundo quis participar. Na sexta-feira seguinte, o número de participantes já era de 60 pessoas. “A cada semana o público aumentava, assim como o improviso. Chegamos a montar equipamento de som em cima de um skate, que ficou sendo o nosso skate sound system”, brinca Leo Cezário. Foi aí que o grupo de MCs se juntou ao Projeto Miguilim, que tem sede na própria praça da Estação. “O Miguilim nos forneceu a energia e um caminhão de carreto, que se transformou em palco. Naquela noite o duelo já reunia uma média de 100 pessoas e foi aí que a gente viu que tinha força para ir além”, conta Leo.
A mudança da praça da Estação para o Viaduto Santa Tereza, em novembro de 2007, foi por causa da chuva. O lugar estava escuro, com todas as lâmpadas quebradas. Há um mês o grupo conseguiu nova iluminação para a parte de baixo do viaduto, além de alvará para o evento. A filosofia do movimento hip hop pontua o evento com a junção dos quatro elementos: MCs, Dj’s, Grafite e Break, este último representado pelos B-Boys. Leo Cezário, que além de ser um dos organizadores do evento é o mestre de cerimônia, chama o público pedindo energia positiva. Todos gritam, participam. Os MCs da noite se inscrevem para o duelo pagando a taxa simbólica de dois reais. O público presente, que hoje já alcança média de 400 pessoas, se organiza em frente ao palco para curtir o som. Quem está mais à frente sorteia os adversários da noite, que colocam as inscrições dentro de um boné. Ao todo são oito MCs por duelo, sendo eliminados para
quatro, depois dois e no final somente um vencedor. O prêmio? O dinheiro arrecadado nas inscrições, total de 16 reais.
No duelo Freestyle, palavras positivas, rimas com o cotidiano e improviso em resposta ao adversário. “Você não vai agüentar e eu vou te atropelar, vou te pôr no chão porque aqui é união”, rima um MC. “Não importa se é favela ou condomínio, eu sigo a minha vida rimando bem tranqüilo”, responde o adversário. Enquanto o duelo acontece no palco do viaduto, skatistas fazem performances e grafiteiros expressam sua arte ao redor do público. Wemerson Silva, conhecido na cena como Wera, participa sempre que pode. “A idéia é interagir em espaços públicos, porque isso aqui é nosso”, diz Wera, que é MC, ilustrador, cartunista e grafiteiro. No intervalo do duelo, pocket shows acontecem na noite. São rappers que procuram divulgar o trabalho. Enquanto isso, um grafiteiro pinta uma tela durante o evento.
Entre o público, pessoas de todas as cores, profissões e dos mais diferentes bairros, como Mayra Aspaham, estudante de Medicina, moradora do Sion. “Tenho muitos amigos que são grafiteiros e que já freqüentavam esse ambiente que tem a ver com arte urbana”, conta. Há também muitas crianças no local, que são levadas pelos pais. O clima é tranqüilo e os pequenos se entusiasmam com as músicas e com o break, muito bem representado pelos B-Boys, que dão show de coreografia do estilo de dança de rua.
As rimas continuam: “Você não conhece o que é samba, não conhece o hip hop, então aperta a tecla stop”, canta um MC. “Eu sou do carnaval porque carnaval é cultura. E não adianta fazer cara feia que eu tenho rap na veia”, rebate o adversário. Na platéia, plaquinhas feitas de madeira com os dizeres Wou, Aplausos e Esse é o cara são erguidas. O público obedece a cada placa levantada, com gritos animados que levantam a torcida de cada MC. No fim, após quase três horas de evento, todos saem com a sensação de paz: nunca um evento gratuito, em pleno centro da capital, num lugar marginalizado pela sociedade, conseguiu igualar as diferenças em clima de total tranqüilidade. Ali, todos são iguais.
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