EDUCAÇÃO
FACULDADE
DA POLÊMICA
Outra instituição de ensino superior será inaugurada
em BH: a Oxford. Nada a ver com a universidade inglesa
SILVÂNIA ARRIEL
Quem passa pela avenida Raja Gabaglia, no bairro Cidade
Jardim, zona sul de Belo Horizonte, e vê a placa Faculdade
Oxford do Brasil e o brasão com as cores da bandeira
da Inglaterra (foto), pode pensar que se trata da universidade
britânica. Mas não é. Ela não tem nenhuma ligação com
a centenária Oxford, que já abrigou em seus corredores
personalidades como o escritor J. R. R. Tolkien (autor
da trilogia O Senhor dos Anéis), e os políticos
Bill Clinton, Tony Blair e Indira Gandhi. O certo é
que o caso deve acabar na Justiça. Segundo o British
Council, organização internacional do Reino Unido para
assuntos culturais e educacionais, o departamento jurídico
da universidade inglesa estava no mês passado tomando
providências para evitar o uso indevido do nome.
Quem está por traz da faculdade no Brasil, que ainda
não está funcionando, são os sócios Luiz Soares, administrador
de empresas e autor de livros evangélicos, e Luiz Carlos
Ribeiro, empresário. Os representantes informaram que
só vão dar entrevistas quando forem acionados na Justiça,
mas afirmam que o departamento jurídico da faculdade
garante estarem dentro da lei. Mas não é bem assim,
de acordo com o Instituto Nacional de Propriedade Industrial
(Inpi), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio, responsável pelo reconhecimento de marcas
e patentes.
O pedido de registro da marca ainda tramita no Inpi
e até o início deste mês pode receber contestações.
"Mesmo se não houver recurso, a tendência é que o registro
não seja acatado, porque a universidade Oxford é reconhecida
em todo o mundo. Pode ser indeferido também por anterioridade",
diz Suzana Barros, analista de marketing do
Inpi. O instituto trabalha com o Protocolo de Madri,
sistema alternativo de registro internacional de marcas.
Por esse instrumento, pode-se consultar nomes conhecidos
em todo o mundo.
No Brasil, há a lei 9.279, de 1996, que regulamenta
os direitos e os deveres no âmbito da propriedade industrial
e intelectual, garantindo a quem primeiro fizer o registro
da marca o uso exclusivo em todo o território nacional,
em seu ramo de atividade. O artigo 189 diz que comete
crime quem reproduz sem autorização do titular marca
registrada ou a imita de modo que possa induzir a confusão.
Há também o artigo 191, que proíbe a reprodução ou imitação
de armas, brasões ou distintivos oficiais nacionais,
estrangeiros ou internacionais. É justamente aí que
entra outra questão envolvendo a Faculdade Oxford do
Brasil. Ela usa logotipo que lembra o da Cultura Inglesa,
tradicional escola de idiomas da capital mineira. Segundo
o Consulado Britânico em Belo Horizonte e o British
Council, a escola também está recorrendo à Justiça.
A Cultura Inglesa prefere manter silêncio sobre o caso.
Segundo a especialista em direito de empresa Eduarda
Mamede, os consumidores não podem ser induzidos a erro.
"A preservação da identidade das empresas é essencial
em nossos dias, com forte reflexo em seu patrimônio",
diz.
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