Março - 2004 - Ano II - nº 25 Anuncie na Encontro Fale Conosco Receba a Encontro
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Casa no condomínio Paragem do Tripuí: expansão antecipada devido ao sucesso do empreendimento

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Vista aérea do condomínio Serra Morena: 60% dos terrenos comercializados em quatro meses

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


O corretor Fernando Drumond: crescimento da demanda explicado pelo novo perfil de clientes formado por jovens casais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Ribeiro: mudança motivada pela qualidade de vida e segurança

 

TENDÊNCIA


EU QUERO UMA CASA NO CAMPO

Morar em condomínio fechado nos arredores da cidade é a mais forte tendência entre a classe média alta de BH


JOÃO POMBO BARILE E RICARDO THEODORO

A mais forte tendência do mercado imobiliário em Belo Horizonte caminha na direção de Nova Lima. É lá que pipoca dia após dia número crescente de condomínios fechados. Pesquisa realizada pela Fundação João Pinheiro de novembro de 2001 a abril de 2002, já aponta a mudança. Depois de ouvir 32 mil famílias em 34 cidades da região metropolitana de Belo Horizonte, a Fundação constatou que Nova Lima já tem a melhor renda por domicílio entre os municípios, ultrapassando inclusive a capital. A pesquisa, que detectou ainda o deslocamento residencial para o sul da Grande BH, principalmente para os chamados condomínios, é um indício de que esta tendência veio para ficar.

Exemplo disso são os dois mais novos empreendimentos da região: o Vale dos Cristais (veja matéria a seguir) e o Quintas do Sol. Juntos, os dois empreendimentos esperam abrigar mais de 10 mil moradores. "Nova Lima oferece qualidade de vida que as pessoas não têm encontrado em BH, como segurança, facilidade de acesso e grande área verde", explica o gerente de Projetos e consultor de Desenvolvimento Econômico da prefeitura da cidade, Waldir Salvador Júnior. Só no município existem 29 condomínios. "Tudo isto bastante próximo de Belo Horizonte", completa.

Além disso, a iluminação de toda a estrada que liga Nova Lima à capital mineira, a MG-30, deve ficar pronta até o final de julho, o que deve impulsionar ainda mais a tendência de lançamentos. "Nos próximos anos devemos assistir a um grande número de condomínios se instalando ao longo de toda a MG-30", explica Salvador.

Esta migração de pessoas que moram em Belo Horizonte para condomínios fechados nos arredores da capital mineira vem se constituindo como forte tendência de 98 pra cá. "Nos últimos cinco anos a procura por este tipo de imóvel só aumentou", revela Ivan Silva, presidente da Câmara do Mercado Imobiliário de Minas Gerais. "Se antes as pessoas achavam muito longe morar fora de BH, o discurso agora é outro: elas perceberam que se pode gastar até menos tempo no trânsito morando próximo à cidade do que vivendo dentro da capital."

Além da fuga do trânsito, a busca por qualidade de vida também é um forte apelo. Afinal, quem nunca sonhou em morar numa casa com quintal, sem muros altos ou grades? Ou poder dormir com a janela aberta e despertar com o sopro da manhã cheia de pássaros? Um sono e um sonho quase impossíveis nas cidades brasileiras atuais, onde a "arquitetura do medo" é o estilo dominante.

A grande procura por lotes e casas em condomínios obrigou alguns empreendimentos a antecipar expansões previstas para os próximos anos. É o caso do Paragem do Tripuí, às margens da BR-040, que alterou de 2005 para este ano sua primeira expansão. “De 2001 para cá, o setor tem verificado aumento de cerca de 20% nos negócios, a cada ano. Caso se confirmem as boas perspectivas para a economia em 2004, nossa expectativa é de demanda ainda maior”, comemora Olímpio Naves, diretor da J. Naves e da Terral Empreendimentos.

Este otimismo é plenamente justificável. No ano passado, embora o mercado imobiliário tenha registrado os piores resultados dos últimos 13 anos, a demanda de imóveis em condomínios apontou para movimento contrário. "Em apenas quatro meses vendemos 60% dos terrenos", afirma Nelson Rigotto de Gouvêa, empreendedor do Parque Ecológico Serra Morena, outro exemplo de sucesso em se tratando de condomínio fechado.

  | VANTAGENS E DESVANTAGENS DE MORAR EM CONDOMÍNIO


VANTAGENS
Muros que cercam o condomínio e guardas rondando as ruas internas 24 horas por dia são uma garantia de segurança para os moradores.

Casas sem muros na frente, os terrenos espaçosos e fartura de áreas verdes dificilmente são encontrados na capital.

Deixar seu filho saber o gostinho de poder brincar na rua é uma experiência que hoje só nos condomínios é possível.

As taxas de condomínio e os impostos municipais, quase sempre inferiores ao que se paga num edifício de alto padrão, é outro grande atrativo. É comum o condomínio de um prédio bem localizado em BH custar mais de mil reais. Nos condomínios fechados a taxa quase sempre varia entre 200 e 400 reais. Com a vantagem de oferecer muitos mais serviços pela taxa.

DESVANTAGENS
A dependência do automóvel pode tornar-se total: trabalho, escola das crianças, supermercado. Ir de chinelo à padaria para comprar um pãozinho quente, nem pensar, a não ser nos condomínios que possuem comércio.

O velho "tudo à mão" que nem sempre pode ser substituído: amigos, cinema, teatro e restaurante não se mudam junto com você.

Morar retirado traz ainda uma dor de cabeça adicional para quem tem filhos adolescentes. Quando eles chegam aos 15, 16 anos, começam a freqüentar bares, danceterias em áreas mais centrais. Ou os pais se transformam em verdadeiros motoristas particulares ou ainda acaba acontecendo uma outra situação ainda pior: os jovens começam a dirigir em rodovias perigosas. Em Alphaville (SP), o maior condomínio do Brasil, a ocorrência policial mais freqüente é a colisão de veículos envolvendo jovens.

 


O aumento da violência nas grandes cidades é, sem dúvida, outra forte razão que explica essa migração. As guaritas e cercas, que mantêm afastadas as ruas internas do violento cotidiano das metrópoles, e a possibilidade de poder criar os filhos na rua, sem o ambiente de apartamento, é um dos maiores benefícios que este tipo de moradia traz, na opinião do comerciante Carlos Coriolano de Castro. Ele se mudou para o Condomínio Monte Verde e acaba de comprar mais um terreno, no Serra Morena. Coriolano, que sempre morou em casa, não quer que seus filhos cresçam sem saber o que seja um quintal. "Quando me casei, até que tentei morar em apartamento. Não consegui. Sentia falta de uma casa."

Outra pesquisa que indica a tendência de fuga da capital vem da PUC-Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais). Na enquete, realizada pela socióloga Luciana Andrade nos vales do Mutuca e do Jambreiro, ficou constatado o novo estilo de vida do mineiro: se antes a maioria das pessoas utilizava a casa de condomínio apenas nos finais de semana, agora a situação é outra: 98% dos entrevistados já usam a casa como domicílio permanente. "A mudança é relativamente recente", acrescenta a professora da PUC. "Em 80% das pessoas ouvidas a troca da casa da cidade pela casa de campo se deu há menos de 13 anos." Coincidência, ou não, esta migração aconteceu na última década, quando os índices de violência da capital explodiram.

Além da segurança, qualidade de vida e trânsito caótico de BH, a mudança de perfil dos moradores de condomínios também contribui para esta migração. "Antigamente eram pessoas acima dos 50 anos de idade, que tinham apartamento em Belo Horizonte e procuravam uma casa para passar os fins de semana. Hoje são casais jovens, que buscam tranqüilidade e acesso fácil ao local de trabalho", diz o corretor Fernando Drummond, com a experiência de quem administra 13 condomínios em torno da região sul de Belo Horizonte.

Um dos que se enquadram neste novo perfil é o biólogo Evandro Ribeiro. Há quatro anos ele se mudou com a mulher e o filho para o condomínio Retiro do Chalé, na Serra da Moeda, a 45 quilômetros de Belo Horizonte. "Fui atrás de dois itens que andam em baixa nas grandes cidades: segurança e qualidade de vida."

Outros, como o arquiteto José Eduardo Ferolla, podem ser considerados veteranos quando o assunto é morar em condomínio fechado. Ele trocou o Santo Antônio, onde nasceu, pelo Retiro das Pedras há quase 30 anos. “Desde então, na contramão do pensamento da época que me ridicularizavam, eu pensava em qualidade de vida para minha família."

Ferolla se lembra que quando se mudou, para a maioria das pessoas, morar no Retiro, era coisa de “bicho-grilo”. "Eu já sabia que BH, rapidinho, iria perder qualidade de vida”, afirma. No entanto, para ele a principal razão de as pessoas procurarem condomínios nos dias de hoje se traduz numa única palavra: segurança. A questão da qualidade de vida pode até contar, mas não é a razão central. "Nossas cidades estão cada vez piores e as pessoas acham mais fácil correr para estas cidadelas protegidas, do que, coletivamente, colaborar na melhoria dos centros urbanos."

Mesmo com todas as vantagens proporcionadas, a compra de um terreno em condomínios fechados deve ser feita seguindo certos cuidados. O novo morador deve ter claro o tipo de imóvel que está procurando e medir os prós e os contras antes de fechar negócio

Segundo o urbanista José Carlos Manetta, diretor da imobiliária Bens de Raiz, existem basicamente dois tipos de condomínios fechados. No primeiro, o proprietário procura mudança no estilo de vida, buscando um contato mais íntimo com a natureza. A prioridade é a qualidade de vida. Já no segundo tipo, o proprietário vai morar numa pequena cidade, com toda infra-estrutura: banco, escola, lojas e academia. O morador praticamente não precisa ir a BH. "A maioria dos condomínios por aqui é do primeiro tipo. Já a segunda opção de empreendimento ainda é muito raro em Belo Horizonte. O Alphaville ainda é nossa única experiência."

SEGURANÇA A TODA PROVA?

Apesar de a segurança ser apontada como um dos fortes motivos para a crescente procura por condomínios fechados, a reportagem da Encontro foi conferir se estes locais são realmente “à prova de balas”. A constatação é a de que, apesar de diversas medidas adotadas, ainda existem problemas. Como não há sistema infalível, os condôminos trabalham para, aos poucos, minimizar os acontecimentos que costumam perturbar o sossego destes locais privilegiados.

Um bom exemplo disso é o condomínio Recanto do Vale, na região de Casa Branca, em Brumadinho. Lá uma quadrilha de assaltantes de bancos se instalou confortavelmente numa das casas no ano passado, de onde planejava as ações sem levantar suspeitas. Quando a Polícia Federal prendeu o grupo descobriu que um dos moradores havia emprestado o imóvel a um conhecido, que por sua vez emprestou a outra pessoa, sem saber que se tratava de um dos chefes do bando.

Depois dessa experiência os moradores passaram a circular com adesivos de identificação nos carros. Convidados precisam de autorização prévia para passar pela cancela. Funcionários da portaria fizeram cursos com a polícia e o Corpo de Bombeiros. Mas mesmo essas medidas e todo o rigor no controle de acessos não impediram que pequenos furtos continuassem a acontecer.

A última providência adotada criou polêmica e foi considerada preconceituosa, mas reduziu o número de roubos, segundo a arquiteta Mercês Faria, uma das moradoras mais antigas. "Temos um movimento intenso de operários contratados pelos donos das casas em construção. Por isso proibimos os pernoites no canteiro de obras e exigimos dos funcionários das empreiteiras a apresentação de ficha de antecedentes criminais. Descobrimos que um dos encarregados tinha passagem pela polícia e ele teve que ser substituído." Os operários agora são obrigados a usar crachás de identificação e têm os horários de entrada e saída registrados no computador.

Outro exemplo de violência registrado em condomínios fechados aconteceu há cerca de um ano no Ouro Velho, em Nova Lima. Uma moradora que chegava em casa durante a madrugada foi rendida por um homem armado, que a esperava no quintal. Um vizinho acordado pelos gritos de socorro conseguiu impedir que o bandido entrasse na casa, mas acabou levando um tiro na perna. O homem fugiu pela mata levando a bolsa e o celular da moradora. A equipe da ronda chegou ao local atrasada e acionou a polícia. A única pista deixada pelo assaltante foi o cobertor usado por ele pra se proteger do frio intenso, registrado naquela madrugada.

A ex-presidente da associação de moradores do condomínio Maria Helena Albergaria, reconhece que falta eficiência ao sistema de segurança. "Temos uma área muito grande pra ser vigiada. Além disso, somos vizinhos da Mata do Jambreiro, uma floresta fechada que favorece a ação de pessoas mal intencionadas."

Há mais de 40 anos trabalhando na área de segurança privada, o empresário Welther Vieira de Almeida acredita que estes são problemas pontuais e viver em condomínio fechado é, sem dúvida, a melhor opção para quem procura segurança. Mais seguro até do que viver em apartamento. "Há quatro anos fazemos segurança armada dos condomínios Vila Castela e Vila Alpina e até hoje nunca tivemos nenhuma ocorrência policial." Sendo assim, que tal uma casa no campo, onde todos possam levar seus amigos, seus discos e livros... e nada mais.

  | CUIDADOS PARA QUEM VAI COMPRAR


• Verifique no local o que cada um dos condomínios realmente oferece como serviço. A infra-estrutura de cada um destes condomínios varia muito de empreendimento para empreendimento. A maioria já dispõe de infra-estrutura de lazer (quadras esportivas, salão de festas, piscinas, churrasqueira, pista de cooper e sauna.) Alguns disponibilizam também jardineiros e outros funcionários que cuidam da manutenção e seguranças motorizados; os mais sofisticados oferecem ainda academias de ginástica, intranet (a rede interna de comunicação via internet) e sistema de transporte escolar.

• Consulte o Plano Diretor e Código de Obras da cidade. Existem leis que regulamentam a construção no terreno, tais como densidade, recuos obrigatórios, altura da construção, índice de aproveitamento do terreno e atividades permitidas no local. Isto evitará a dor de cabeça futura em se conseguir o habite-se.

• Não se esqueça dos aspectos jurídicos. É fundamental que você saiba se a planta já foi aprovada na prefeitura e se o imóvel é registrado em cartório. Além disso, é importante saber se a localização é exata.

• Verifique a idoneidade do empreendedor. O projeto pode estar aprovado, mas o empreendedor pode ter problemas com o fisco ou jurídicos, e portanto estar impossibilitado de passar a escritura do imóvel.

• Verifique se o empreendimento já possui infra-estrutura (água, luz, telefone).

• Verifique se existem próximo ao condomínio comércio, escolas, rede bancária e supermercados.

• Um arquiteto pode avaliar a posição do terreno em relação a declividade e adequação ao uso.

• Nos loteamentos mais antigos esteja atento com as demarcações: elas geralmente se perdem. Um profissional poderá verificar se o tamanho do lote corresponde ao registro.

 
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