
Casa no condomínio Paragem do Tripuí: expansão antecipada
devido ao sucesso do empreendimento

Vista aérea do condomínio Serra Morena: 60% dos terrenos
comercializados em quatro meses

O corretor Fernando Drumond: crescimento da demanda
explicado pelo novo perfil de clientes formado por jovens
casais

Ribeiro: mudança motivada pela qualidade de vida e segurança
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TENDÊNCIA
EU
QUERO UMA CASA NO CAMPO
Morar em condomínio fechado nos arredores da cidade
é a mais forte tendência entre a classe média alta de
BH
JOÃO POMBO BARILE E RICARDO THEODORO
A mais forte tendência do mercado imobiliário em Belo
Horizonte caminha na direção de Nova Lima. É lá que
pipoca dia após dia número crescente de condomínios
fechados. Pesquisa realizada pela Fundação João Pinheiro
de novembro de 2001 a abril de 2002, já aponta a mudança.
Depois de ouvir 32 mil famílias em 34 cidades da região
metropolitana de Belo Horizonte, a Fundação constatou
que Nova Lima já tem a melhor renda por domicílio entre
os municípios, ultrapassando inclusive a capital. A
pesquisa, que detectou ainda o deslocamento residencial
para o sul da Grande BH, principalmente para os chamados
condomínios, é um indício de que esta tendência veio
para ficar.
Exemplo disso são os dois mais novos empreendimentos
da região: o Vale dos Cristais (veja matéria a seguir)
e o Quintas do Sol. Juntos, os dois empreendimentos
esperam abrigar mais de 10 mil moradores. "Nova Lima
oferece qualidade de vida que as pessoas não têm encontrado
em BH, como segurança, facilidade de acesso e grande
área verde", explica o gerente de Projetos e consultor
de Desenvolvimento Econômico da prefeitura da cidade,
Waldir Salvador Júnior. Só no município existem 29 condomínios.
"Tudo isto bastante próximo de Belo Horizonte", completa.
Além disso, a iluminação de toda a estrada que liga
Nova Lima à capital mineira, a MG-30, deve ficar pronta
até o final de julho, o que deve impulsionar ainda mais
a tendência de lançamentos. "Nos próximos anos devemos
assistir a um grande número de condomínios se instalando
ao longo de toda a MG-30", explica Salvador.
Esta migração de pessoas que moram em Belo Horizonte
para condomínios fechados nos arredores da capital mineira
vem se constituindo como forte tendência de 98 pra cá.
"Nos últimos cinco anos a procura por este tipo de imóvel
só aumentou", revela Ivan Silva, presidente da Câmara
do Mercado Imobiliário de Minas Gerais. "Se antes as
pessoas achavam muito longe morar fora de BH, o discurso
agora é outro: elas perceberam que se pode gastar até
menos tempo no trânsito morando próximo à cidade do
que vivendo dentro da capital."
Além da fuga do trânsito, a busca por qualidade de vida
também é um forte apelo. Afinal, quem nunca sonhou em
morar numa casa com quintal, sem muros altos ou grades?
Ou poder dormir com a janela aberta e despertar com
o sopro da manhã cheia de pássaros? Um sono e um sonho
quase impossíveis nas cidades brasileiras atuais, onde
a "arquitetura do medo" é o estilo dominante.
A grande procura por lotes e casas em condomínios obrigou
alguns empreendimentos a antecipar expansões previstas
para os próximos anos. É o caso do Paragem do Tripuí,
às margens da BR-040, que alterou de 2005 para este
ano sua primeira expansão. “De 2001 para cá, o setor
tem verificado aumento de cerca de 20% nos negócios,
a cada ano. Caso se confirmem as boas perspectivas para
a economia em 2004, nossa expectativa é de demanda ainda
maior”, comemora Olímpio Naves, diretor da J. Naves
e da Terral Empreendimentos.
Este otimismo é plenamente justificável. No ano passado,
embora o mercado imobiliário tenha registrado os piores
resultados dos últimos 13 anos, a demanda de imóveis
em condomínios apontou para movimento contrário. "Em
apenas quatro meses vendemos 60% dos terrenos", afirma
Nelson Rigotto de Gouvêa, empreendedor do Parque Ecológico
Serra Morena, outro exemplo de sucesso em se tratando
de condomínio fechado.
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VANTAGENS E DESVANTAGENS DE MORAR EM CONDOMÍNIO
VANTAGENS
• Muros que cercam
o condomínio e guardas rondando as ruas internas
24 horas por dia são uma garantia de segurança para
os moradores.
• Casas sem muros
na frente, os terrenos espaçosos e fartura de áreas
verdes dificilmente são encontrados na capital.
• Deixar seu
filho saber o gostinho de poder brincar na rua é
uma experiência que hoje só nos condomínios é possível.
• As taxas de
condomínio e os impostos municipais, quase sempre
inferiores ao que se paga num edifício de alto padrão,
é outro grande atrativo. É comum o condomínio de
um prédio bem localizado em BH custar mais de mil
reais. Nos condomínios fechados a taxa quase sempre
varia entre 200 e 400 reais. Com a vantagem de oferecer
muitos mais serviços pela taxa.
DESVANTAGENS
• A dependência
do automóvel pode tornar-se total: trabalho, escola
das crianças, supermercado. Ir de chinelo à padaria
para comprar um pãozinho quente, nem pensar, a não
ser nos condomínios que possuem comércio.
• O velho "tudo
à mão" que nem sempre pode ser substituído: amigos,
cinema, teatro e restaurante não se mudam junto
com você.
• Morar retirado
traz ainda uma dor de cabeça adicional para quem
tem filhos adolescentes. Quando eles chegam aos
15, 16 anos, começam a freqüentar bares, danceterias
em áreas mais centrais. Ou os pais se transformam
em verdadeiros motoristas particulares ou ainda
acaba acontecendo uma outra situação ainda pior:
os jovens começam a dirigir em rodovias perigosas.
Em Alphaville (SP), o maior condomínio do Brasil,
a ocorrência policial mais freqüente é a colisão
de veículos envolvendo jovens. |
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O aumento da violência nas grandes cidades é, sem dúvida,
outra forte razão que explica essa migração. As guaritas
e cercas, que mantêm afastadas as ruas internas do violento
cotidiano das metrópoles, e a possibilidade de poder
criar os filhos na rua, sem o ambiente de apartamento,
é um dos maiores benefícios que este tipo de moradia
traz, na opinião do comerciante Carlos Coriolano de
Castro. Ele se mudou para o Condomínio Monte Verde e
acaba de comprar mais um terreno, no Serra Morena. Coriolano,
que sempre morou em casa, não quer que seus filhos cresçam
sem saber o que seja um quintal. "Quando me casei, até
que tentei morar em apartamento. Não consegui. Sentia
falta de uma casa."
Outra pesquisa que indica a tendência de fuga da capital
vem da PUC-Minas (Pontifícia Universidade Católica de
Minas Gerais). Na enquete, realizada pela socióloga
Luciana Andrade nos vales do Mutuca e do Jambreiro,
ficou constatado o novo estilo de vida do mineiro: se
antes a maioria das pessoas utilizava a casa de condomínio
apenas nos finais de semana, agora a situação é outra:
98% dos entrevistados já usam a casa como domicílio
permanente. "A mudança é relativamente recente", acrescenta
a professora da PUC. "Em 80% das pessoas ouvidas a troca
da casa da cidade pela casa de campo se deu há menos
de 13 anos." Coincidência, ou não, esta migração aconteceu
na última década, quando os índices de violência da
capital explodiram.
Além da segurança, qualidade de vida e trânsito caótico
de BH, a mudança de perfil dos moradores de condomínios
também contribui para esta migração. "Antigamente eram
pessoas acima dos 50 anos de idade, que tinham apartamento
em Belo Horizonte e procuravam uma casa para passar
os fins de semana. Hoje são casais jovens, que buscam
tranqüilidade e acesso fácil ao local de trabalho",
diz o corretor Fernando Drummond, com a experiência
de quem administra 13 condomínios em torno da região
sul de Belo Horizonte.
Um dos que se enquadram neste novo perfil é o biólogo
Evandro Ribeiro. Há quatro anos ele se mudou com a mulher
e o filho para o condomínio Retiro do Chalé, na Serra
da Moeda, a 45 quilômetros de Belo Horizonte. "Fui atrás
de dois itens que andam em baixa nas grandes cidades:
segurança e qualidade de vida."
Outros, como o arquiteto José Eduardo Ferolla, podem
ser considerados veteranos quando o assunto é morar
em condomínio fechado. Ele trocou o Santo Antônio, onde
nasceu, pelo Retiro das Pedras há quase 30 anos. “Desde
então, na contramão do pensamento da época que me ridicularizavam,
eu pensava em qualidade de vida para minha família."
Ferolla se lembra que quando se mudou, para a maioria
das pessoas, morar no Retiro, era coisa de “bicho-grilo”.
"Eu já sabia que BH, rapidinho, iria perder qualidade
de vida”, afirma. No entanto, para ele a principal razão
de as pessoas procurarem condomínios nos dias de hoje
se traduz numa única palavra: segurança. A questão da
qualidade de vida pode até contar, mas não é a razão
central. "Nossas cidades estão cada vez piores e as
pessoas acham mais fácil correr para estas cidadelas
protegidas, do que, coletivamente, colaborar na melhoria
dos centros urbanos."
Mesmo com todas as vantagens proporcionadas, a compra
de um terreno em condomínios fechados deve ser feita
seguindo certos cuidados. O novo morador deve ter claro
o tipo de imóvel que está procurando e medir os prós
e os contras antes de fechar negócio
Segundo o urbanista José Carlos Manetta, diretor da
imobiliária Bens de Raiz, existem basicamente dois tipos
de condomínios fechados. No primeiro, o proprietário
procura mudança no estilo de vida, buscando um contato
mais íntimo com a natureza. A prioridade é a qualidade
de vida. Já no segundo tipo, o proprietário vai morar
numa pequena cidade, com toda infra-estrutura: banco,
escola, lojas e academia. O morador praticamente não
precisa ir a BH. "A maioria dos condomínios por aqui
é do primeiro tipo. Já a segunda opção de empreendimento
ainda é muito raro em Belo Horizonte. O Alphaville ainda
é nossa única experiência."
SEGURANÇA A TODA PROVA?
Apesar de a segurança ser apontada como um dos fortes
motivos para a crescente procura por condomínios fechados,
a reportagem da Encontro foi conferir se estes locais
são realmente “à prova de balas”. A constatação é a
de que, apesar de diversas medidas adotadas, ainda existem
problemas. Como não há sistema infalível, os condôminos
trabalham para, aos poucos, minimizar os acontecimentos
que costumam perturbar o sossego destes locais privilegiados.
Um bom exemplo disso é o condomínio Recanto do Vale,
na região de Casa Branca, em Brumadinho. Lá uma quadrilha
de assaltantes de bancos se instalou confortavelmente
numa das casas no ano passado, de onde planejava as
ações sem levantar suspeitas. Quando a Polícia Federal
prendeu o grupo descobriu que um dos moradores havia
emprestado o imóvel a um conhecido, que por sua vez
emprestou a outra pessoa, sem saber que se tratava de
um dos chefes do bando.
Depois dessa experiência os moradores passaram a circular
com adesivos de identificação nos carros. Convidados
precisam de autorização prévia para passar pela cancela.
Funcionários da portaria fizeram cursos com a polícia
e o Corpo de Bombeiros. Mas mesmo essas medidas e todo
o rigor no controle de acessos não impediram que pequenos
furtos continuassem a acontecer.
A última providência adotada criou polêmica e foi considerada
preconceituosa, mas reduziu o número de roubos, segundo
a arquiteta Mercês Faria, uma das moradoras mais antigas.
"Temos um movimento intenso de operários contratados
pelos donos das casas em construção. Por isso proibimos
os pernoites no canteiro de obras e exigimos dos funcionários
das empreiteiras a apresentação de ficha de antecedentes
criminais. Descobrimos que um dos encarregados tinha
passagem pela polícia e ele teve que ser substituído."
Os operários agora são obrigados a usar crachás de identificação
e têm os horários de entrada e saída registrados no
computador.
Outro exemplo de violência registrado em condomínios
fechados aconteceu há cerca de um ano no Ouro Velho,
em Nova Lima. Uma moradora que chegava em casa durante
a madrugada foi rendida por um homem armado, que a esperava
no quintal. Um vizinho acordado pelos gritos de socorro
conseguiu impedir que o bandido entrasse na casa, mas
acabou levando um tiro na perna. O homem fugiu pela
mata levando a bolsa e o celular da moradora. A equipe
da ronda chegou ao local atrasada e acionou a polícia.
A única pista deixada pelo assaltante foi o cobertor
usado por ele pra se proteger do frio intenso, registrado
naquela madrugada.
A ex-presidente da associação de moradores do condomínio
Maria Helena Albergaria, reconhece que falta eficiência
ao sistema de segurança. "Temos uma área muito grande
pra ser vigiada. Além disso, somos vizinhos da Mata
do Jambreiro, uma floresta fechada que favorece a ação
de pessoas mal intencionadas."
Há mais de 40 anos trabalhando na área de segurança
privada, o empresário Welther Vieira de Almeida acredita
que estes são problemas pontuais e viver em condomínio
fechado é, sem dúvida, a melhor opção para quem procura
segurança. Mais seguro até do que viver em apartamento.
"Há quatro anos fazemos segurança armada dos condomínios
Vila Castela e Vila Alpina e até hoje nunca tivemos
nenhuma ocorrência policial." Sendo assim, que tal uma
casa no campo, onde todos possam levar seus amigos,
seus discos e livros... e nada mais.
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CUIDADOS PARA QUEM VAI COMPRAR
• Verifique no local o que cada um dos condomínios
realmente oferece como serviço. A infra-estrutura
de cada um destes condomínios varia muito de empreendimento
para empreendimento. A maioria já dispõe de infra-estrutura
de lazer (quadras esportivas, salão de festas, piscinas,
churrasqueira, pista de cooper e sauna.) Alguns
disponibilizam também jardineiros e outros funcionários
que cuidam da manutenção e seguranças motorizados;
os mais sofisticados oferecem ainda academias de
ginástica, intranet (a rede interna de comunicação
via internet) e sistema de transporte escolar.
• Consulte o Plano Diretor e Código de Obras
da cidade. Existem leis que regulamentam a construção
no terreno, tais como densidade, recuos obrigatórios,
altura da construção, índice de aproveitamento do
terreno e atividades permitidas no local. Isto evitará
a dor de cabeça futura em se conseguir o habite-se.
• Não se esqueça dos aspectos jurídicos. É
fundamental que você saiba se a planta já foi aprovada
na prefeitura e se o imóvel é registrado em cartório.
Além disso, é importante saber se a localização
é exata.
• Verifique a idoneidade do empreendedor.
O projeto pode estar aprovado, mas o empreendedor
pode ter problemas com o fisco ou jurídicos, e portanto
estar impossibilitado de passar a escritura do imóvel.
• Verifique se o empreendimento já possui
infra-estrutura (água, luz, telefone).
• Verifique se existem próximo ao condomínio
comércio, escolas, rede bancária e supermercados.
• Um arquiteto pode avaliar a posição do terreno
em relação a declividade e adequação ao uso.
• Nos loteamentos mais antigos esteja atento
com as demarcações: elas geralmente se perdem. Um
profissional poderá verificar se o tamanho do lote
corresponde ao registro. |
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