Março - 2004 - Ano II - nº 25 Anuncie na Encontro Fale Conosco Receba a Encontro
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O fundador do Grupo, José Braz, com os netos, Renzo e Glauco Braz: pulso familiar na administração do Rodoviário Líder e da Líder Viaturas

 

 

 

 

 

 

 


José Braz com o genro, Danilo Tambasco: preocupação em preparar o terreno para uma sucessão sem traumas

 

 

 

 

 

 

 

 


Bráulio Braz: previsão de 30% de crescimento nas vendas das concessionárias em 2004

 

GESTÃO


FAMÍLIA QUE
TRABALHA UNIDA ...


Com uma gestão tipicamente familiar, Grupo Líder se consolida como uma das maiores empresas de MG


EDILENE FERREIRA (DE MURIAÉ)

Quem falou que empresa familiar está fadada ao fracasso? Para contrariar essa tese, um exemplo de Muriaé, cidade mineira localizada na Zona da Mata. Trata-se do Grupo Líder. Os números falam por si. Em 2003, foram transportadas 1,3 milhão de toneladas de carga pelo Rodoviário Líder, vendidos 28 mil carros, gerados aproximadamente 2 mil empregos e lucro estimado em 15 milhões de reais, sobre um faturamento de mais de 600 milhões de reais. E tudo isto comandado por filhos, netos e genros do fundador do Grupo, José Braz.

Tudo começou na década de 50, em Muriaé, com uma oportunidade bem aproveitada. Não eram muitos os que tinham coragem de se arriscar em um investimento alto como o transporte de leite em tanques isotérmicos. Apostando na boa estrela e na capacidade de trabalho, Braz arrumou dinheiro emprestado, vendeu os três caminhões de transporte de mercadorias que já possuía e comprou três veículos equipados com tanques isotérmicos para distribuir o leite. A aposta deu certo. Quase meio século depois, o que era uma pequena transportadora se transformou no Grupo Líder, um colosso que reúne, além do Rodoviário Líder, 21 concessionárias de veículos (como a Mila e a Recreio, em Belo Horizonte), a Líder Viaturas (empresa do setor industrial do grupo, especializada em implementos rodoviários, como semi-reboques), uma empresa de consórcio, uma corretora de seguros e uma de consultoria, responsável pelo treinamento, auditoria e implantação das diretrizes programadas.

Um diferencial é a administração, toda familiar, por meio de quatro holdings pessoais. Responsável pela parte administrativa e um dos diretores superintendentes do Grupo, Danilo Tambasco, genro de José Braz, está no grupo desde 1972 e aponta como grande diferencial justamente a gestão das empresas. "Nós antecipamos as soluções. Não apagamos incêndios, mas evitamos que eles aconteçam", diz. A preocupação em sair na frente aparece também na sucessão da liderança. Os dez sucessores mais envolvidos com o negócio já estão sendo treinados e avaliados para evitar traumas no processo de transição. Além de Renzo e Glauco, que já têm cargos no Grupo Líder, mais sete netos de José Braz e um dos filhos, Bráulio Braz, trabalham na corporação. Braúlio, diretor superintendente do Grupo, é o principal gestor do dia-a-dia.

Além disso, os três filhos de Tambasco estão no negócio – Eric (diretor da Recreio Belo Horizonte), Daniela (advogada e prestadora de serviços jurídicos também para o Grupo) e Thiago (supervisor de vendas de veículos seminovos na Recreio BH) – assim como os três filhos de Bráulio Braz: Bianca e Juliana são gerentes da corretora de seguros e Elói gerencia a Recreio Rio de Janeiro. O genro, Antônio Miranda, é diretor de pós-venda da Recreio Belo Horizonte.

A cada expansão, o negócio se manteve conduzido pela própria família e sempre com sucesso, a despeito dos poréns que volta e meia são colocados em relação à administração familiar. "De tempos em tempos os gurus da economia mudam a diretriz: uma hora o melhor é o grupo familiar, outra hora são outras formas. Nosso caso é um modelo", define Bráulio. O símbolo do grupo, a águia, traduz essa trajetória, como ressalta Danilo, que os sucessores terão a responsabilidade de continuar: estabilidade, fidelidade, visão, garra, liderança e agilidade.

O Grupo Líder não só passou ileso pelas expansões como pelas inúmeras crises da economia – só mudanças de moeda foram oito." Os negócios se tornavam mais acessíveis", conta Bráulio. O grande desafio, de acordo com o diretor superintendente do grupo, foi conseguir representar as quatro principais marcas da época – Fiat, Ford, GM e Volkswagen. "Fomos os primeiros a ter concessionárias das quatro marcas, nenhum grupo no Brasil fazia isso", salienta.

A verdade é que o Grupo não só passou ileso como cresceu em todos os momentos de turbulência na economia. Os números do Rodoviário Líder também impressionam. Com 18 filiais nos principais estados do país e bases principalmente no Sudeste, a empresa trabalha com 180 cavalos mecânicos e cem agregados. A perspectiva, este ano, é da aquisição de mais 40 veículos novos. "O setor tem crescido e nós estamos acompanhando e superando esse crescimento", afirma José Braz, hoje com 79 anos. Ele acredita que 2004 será um ano economicamente melhor e não deixa de contar com a atenção especial do vice-presidente José Alencar para com a sua cidade. "Muriaé ainda terá o seu quinhão com o vice-presidente", espera, em referência ao fato de o vice-presidente ser seu conterrâneo.

Independentemente disto, os planos para 2004 são ousados. Ainda no primeiro semestre, mais uma concessionária será inaugurada, em Macaé (RJ), e os atuais negócios receberão novos investimentos em instalações e desempenho, para aumentar o potencial de venda. A previsão é de crescimento de 30% nas vendas, como resultado das estratégias de gerenciamento de pessoal. Bráulio acredita em um bom ano para a economia, especialmente para o setor de bens duráveis. "Comer, ninguém vai mais do que já come, então à medida que for sobrando dinheiro as pessoas vão adquirir mais bens duráveis, e entre eles está o automóvel", diz, com forte entusiasmo.

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