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TRANSPORTE
POR
UMA BOA CAUSA
Sintram e poder público buscam parceria para a melhoria
das condições do transporte de passageiros no Estado
EDILENE FERREIRA
Vinte assaltos por dia, em média, registrados em 2003,
transporte clandestino e más condições do sistema viário.
Este é o retrato atual do transporte de passageiros
em Minas Gerais. Uma realidade nada confortável para
os quase 20 mil passageiros que circulam nos veículos
todos os meses. A parceria com o poder público é o caminho
escolhido pelo Sindicato das Empresas de Transporte
de Passageiros Metropolitano (Sintram) de Minas Gerais
para tentar avançar, este ano, na solução destas e de
outras dificuldades que há muito desafiam o setor.
Essa ação conjunta tem como objetivo enfrentar com firmeza
– e tentar ao menos amenizar – problemas como a falta
de segurança e o alto índice de evasão de receitas.
Entre 1998 e 2004, a queda na renda foi de 25%, causada
em grande parte pelo transporte clandestino de passageiros,
como salienta o presidente do Sintram, empresário Rubens
Lessa. O sindicato e os agentes governamentais deverão
trabalhar juntos, também, em ações para a modernização
do transporte e das vias públicas.
"O Sintram vai atuar no sentido de apoiar as ações governamentais
e sugerir soluções, mostrando os pontos críticos, sempre
buscando melhorar a qualidade do serviço prestado ao
usuário", afirma Lessa, que é proprietário da empresa
Saritur, de transporte urbano, metropolitano e rodoviário.
O sistema de transporte metropolitano gera atualmente
15 mil empregos – cada veículo em trânsito possibilita
a geração de 5,5 empregos diretos. No total, a frota
conta com 2.835 carros que atendem a 33 cidades. O investimento
em infra-estrutura, considerando a frota e garagens,
chega a 5 bilhões de reais.
A preocupação com a segurança e o conforto dos usuários
do transporte de passageiros motiva a atuação do sindicato,
ressalta Lessa, assim como os interesses das 50 empresas
filiadas ao Sintram. Um dos problemas mais graves diz
respeito à falta de segurança. "É um problema sério
que precisa ser enfrentado porque coloca em risco a
vida do usuário e do trabalhador", considera. Na visão
do sindicato, esses problemas só poderão ser superados
mediante o maior investimento do poder público no combate
à violência e melhoria das vias de trânsito. O Sintram
está disposto a colaborar. "Em 2004, vamos buscar, em
gestões junto às autoridades, investimentos nos corredores
de trânsito, melhor sinalização e garantia de maior
segurança", afirma Lessa.
Outra questão que vai demandar ação mais firme do sindicato
é a queda nas receitas, motivada pelo transporte clandestino
(na maior parte), o desaquecimento da economia, que
reduz o número de pessoas economicamente ativas – potenciais
usuários do transporte coletivo – e o excesso de gratuidade.
Hoje, cerca de 20% do total de passageiros transportados
não pagam passagem, entre eles idosos, deficientes físicos,
policiais militares e funcionários das empresas operadoras
do sistema. Rubens Lessa defende a mudança nos critérios
da gratuidade, que deveria ser, segundo ele, vinculada
ao poder aquisitivo. "Os passageiros pagantes custeiam
a gratuidade para quem não precisa", explica. Pelas
normais atuais, os integrantes de determinada categoria
têm passe livre, independente da renda.
O empresário reconhece que o governo tem atuado para
coibir o transporte clandestino, ação acompanhada pelo
Sintram, mas espera maior rigor. "Estamos trabalhando
junto às autoridades e ao Departamento de Estradas de
Rodagem (DER) para conter a evasão", afirma o presidene
do Sintram. Além do transporte clandestino, a perda
de receita é causada também pelos passageiros que deixam
de pagar a passagem. Segundo ele, o sindicato tem contribuído
investindo em treinamento e conscientização dos profissionais
na adoção de procedimentos que efetivamente coíbam a
evasão.
A despeito das dificuldades, as expectativas para 2004
são boas. "Estamos otimistas. Esperamos que este ano
haja um pouco mais de investimento do poder público.
Pagamos muito imposto e não há retorno em termos de
investimento em infra-estrutura", constata Lessa. As
empresas representadas pelo Sintram garantem que a sua
parte será feita, com investimentos no treinamento dos
operadores e equipe de manutenção, modernização e expansão
da frota. Lessa insiste no objetivo final que é garantir
maior conforto ao usuário. A meta para 2004 é a renovação
de 10% da frota – o que em geral se repete todos os
anos – com a substituição de 300 veículos.
Rubens Lessa salienta ainda a perspectiva favorável,
traçada na reforma da previdência, de modificações da
cobrança das obrigações sociais. Lembrando que o setor
é "altamente empregador" – com garantias, aos funcionários,
de benefícios como vale-alimentação, plano de saúde
extensivo aos familiares, plano odontológico e seguro
de vida – ele considera que o cálculo do imposto sobre
a folha de pagamento prejudica aqueles que geram mais
empregos. "Hoje, quem emprega mais, paga mais. Empresas
com faturamento alto e poucos funcionários gastam menos
com os impostos do que aquelas que têm mais empregados
e receita menor", define. Na reforma previdenciária
está prevista a cobrança sobre o faturamento e não mais
sobre a folha de pagamento.
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SINTRAM
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros
Metropolitano (Sintram) foi criado em 7 de junho
de 2001 a partir da cisão do Sindicato das Empresas
de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setransp),
para atender às particularidades do transporte metropolitano.
O Setransp representava tanto as empresas do transporte
metropolitano quanto as que circulavam somente em
Belo Horizonte. No entanto, desde 1994 o gerenciamento
do transporte foi dividido entre a Empresa de Transportes
e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), para o transporte
urbano, e o DER, no caso das linhas intermunicipais.
Algumas cidades, como Contagem e Betim, passaram
a ter gerenciamento próprio. Com essa mudança, os
interesses das empresas do transporte municipal
e os das empresas do transporte metropolitano começaram
a se tornar conflitantes, segundo Rubens Lessa,
o que ensejou a criação do Sintram. O Sindicato
das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo
Horizonte (Setra) passou a representar Belo Horizonte
e o Sintram as empresas que atuam nas áreas gerenciadas
pelo DER e também nos sistemas próprios municipais,
com exceção de Belo Horizonte. "Não houve nenhuma
desavença. Há empresários, como eu, associados aos
dois sindicatos, sem problemas", assegura. O Sintram
é responsável pela emissão e comercialização do
vale-transporte de todas as linhas da região metropolitana
de Belo Horizonte e tem como funções básicas a representação
dos interesses coletivos das associadas perante
instituições públicas e privadas e também frente
ao sindicato da classe e aos trabalhadores. O empresário
Rubens Lessa é presidente do Sintram desde janeiro
de 2003, quando ocorreu a primeira eleição para
o mandato de dois anos, com possibilidade de reeleição
por mais dois. Na sua criação, o Sintram foi conduzido
por uma diretoria de transição, formada por Lessa
e os empresários Nilo Simão, proprietário da Transimão,
e Tarcísio Schettino, da empresa Atual. Além de
Lessa e Simão, que é vicepresidente, a diretoria
eleita é composta ainda por Rosilene Fátima Silveira
(diretora de Controladoria e Finanças), do Expresso
Luziense, Ermelindo da Rocha Faria Júnior (vice-diretor
de Controladoria e Finanças), da empresa São Gonçalo,
Wilson dos Reis Couto (diretor técnico), da Laguna
Auto Ônibus, e Joaquim Carlos de Martins Guedes
(diretor institucional), da Viação Novo Retiro. |
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