boas e muitas indicações.
E assim, conta Ildeu, o hobby ganhou status de profissão e foi aperfeiçoado ao longo dos anos com cursos de especialização na Espanha, França e Itália. Satisfeito pela troca e apaixonado pelo ofício, Ildeu se sente gratificado quanto ao retorno proporcionado pelo seu trabalho e pela clientela que formou e cativou.
Dono de um estilo pessoal clássico – vide a casa em que mora há 30 anos, endereço de grandes e frequentes reuniões sociais e toda decorada por obras de arte, móveis de estilo e muitos, muitos objetos de família –, o decorador diz que a profissão também lhe rendeu a demanda de psicólogo informal. “Aprendi que neste trabalho o melhor a fazer é ouvir. Quando a gente se propõe a realmente ouvir, consegue entender os desejos e necessidades dos clientes”, afirma o decorador, que também tem trabalhos assinados em Nova Iorque, Miami e Paris.
Decor – Como era o mercado de Belo Horizonte quando começou a atuar?
Koscky – O comércio era ainda incipiente. O profissional que queria elaborar uma decoração mais completa, tinha de viajar para São Paulo. Hoje, isso não acontece. Há lojas e lojas para todos os segmentos de decoração e arquitetura para suprir todos os estilos. Quando comecei também havia poucos profissionais especializados, como Crisálida Boerger, Consuelo Prazeres e Lúcia Ferolla. Sem contar que a função do decorador era bem menos valorizada.
Decor – Quais as maiores satisfações que a decoração pode proporcionar?
Koscky – A decoração concede oportunidade de conhecer pessoas de vários estilos, de imprimir alegria, qualidade de vida e funcionalidade para o dia-a-dia delas e até de travar boas amizades. Muitos clientes se tornam, de fato, pessoas queridas que vamos acompanhando tanto a partir da realização de novos trabalhos quanto pessoalmente.
Decor – O que a decoração te ensinou ao longo dos anos?
Koscky – Que temos de ser bons ouvintes acima de tudo, como bons psicólogos. O respeito acerca do gosto e estilo do cliente é essencial. É ouvindo, com respeito e paciência, que vamos aprender sobre suas preferências e sonhos. Temos também de ser muito discretos, pois estamos o tempo todo lidando com a intimidade das pessoas. E outra coisa é que não devemos julgar as pessoas pelo que aparentam ser. Elas podem nos surpreender em vários sentidos.
Decor – O que não pode faltar numa decoração assinada por Ildeu Koscky?
Koscky – Sou audacioso no uso das cores. Acho que é um recurso que concede muita diversidade aos ambientes. Outro elemento que prezo é inserir objetos que contêm a história de vida da família, dos proprietários do lugar. As casas têm de espelhar a personalidade das pessoas que moram nelas, seja através de retratos, móveis herdados ou lembranças de viagens. Gosto muito ainda de sugerir a aquisição de boas obras de arte, verdadeiros investimentos que podem acompanhar gerações. O essencial é tornar os ambientes humanizados.
Decor – Na elaboração de um projeto de decoração, como convivem o gosto pessoal do profissional e o do cliente?
Koscky – No meu caso, a preferência pessoal é por uma decoração mais clássica, porque gosto deste estilo requintado. Mas, não por isso, imponho essa influência aos meus clientes, no máximo faço sugestões, dependendo da afinidade, pois acredito que meus sonhos e fantasias realizo na minha casa. Quando sou solicitado a fazer uma decoração para os outros, o que está em questão é o gosto de quem me contrata.
Decor – Por que a decoração é tão valorizada hoje?
Koscky – A casa e o ambiente de trabalho são os lugares onde as pessoas mais se realizam. Por isso, é natural que elas queiram investir o máximo que podem em conforto, beleza e praticidade – requisitos básicos de uma boa decoração. A prestação de serviços por profissionais da área também ajuda muito em termos de agilidade, sugestões, experiência e economia.
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