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| SILVÂNIA ARRIEL | Confira algumas sugestões de viagens da turma que definitivamente não gosta da combinação sol, areia e água salgada


VERÃO
SEM PRAIA

 
 

O desejo aumenta na mesma proporção dos termômetros. É só começar a fazer calor que quase dez entre dez brasileiros logo pensam em encontrar um lugarzinho entre os mais de oito mil quilômetros de praia no país, e até fora, para se estatelar no sol (lambuzados de protetor, claro), ver a vida passar e se fartar com os sabores próprios da estação. Mas há uma turma que destoa dessa cor de verão e assume que é diferente: eles têm plazofobia (aversão a praia). Existe até comunidade no site de relacionamento Orkut - Eu Odeio Praia- com mais de seis mil participantes.

São avessos a sol, areia e água salgada. Preferem montanhas, cidades históricas. Mar, só para contemplar. Se pudessem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

materializavam o que escreveu Tavinho Moura, no CD Sede de Peixe, de Milton Nascimento: as ondas quebrariam do lado oposto e as praias seriam gramadas, nada de areia para sujar os pés. E não é que o médico oftalmologista Fernando Trindade tanto andou que conseguiu encontrar no Havaí lugar bem ao gosto da comunidade? Kailua Beach Park, na ilha de Oahu, onde está situada Honolulu, tem mar azul-turquesa, árvores e praia gramada. "É fantástica, com muita sombra, montanhas e vista maravilhosa", diz Trindade. Paraíso que o médico achou quase por acaso quando estava passeando pela ilha de Oahu e recomenda aos que não gostam de praia como ele. De praia, porque a imensidão do mar, o médico não tem nada contra. Até elege Parati, no estado do Rio de Janeiro, por seus casarões, sofisticação dos restaurantes e a Festa Literária Internacional. "Nunca gostei de tostar no sol como calango", brinca. Na lista do pior na praia ele coloca a poluição sonora e visual na escala logo abaixo de areia, sol e água salgada.

Basta o leitor visualizar uma praia lotada - barracas, sombrinhas, vendedores em cada canto, música alta - para entender ao que Trindade se refere. O barulho emudece as ondas do mar. "Tenho horror a essa poluição", afirma.

Não só ele, os outros avessos a praia também corroboram, têm perfil parecido. A jornalista Luiza Boaventura é veemente: "Odeio vendedor de água de coco, de protetor solar, de chá." A lista continua: não gosta de suar, odeia como fica o cabelo depois de entrar na água do mar e o culto exagerado ao corpo. "Por que só mulher tem de estar em forma, maravilhosa e o homem não?", questiona.

Os sintomas de plazofobia lhe cabem perfeitamente, tanto é que Luiza só foi três vezes ao litoral: duas no Rio, quando tinha 7 e 15 anos, e uma em Búzios, aos 26. "Não via a hora de voltar", conta ela, que foi com uma amiga e ficava na van, quando o pessoal da excursão descia para conhecer as praias. "Me acharam anti-social." Mas garante que não é quando o passeio é na Serra Gaúcha, cidades históricas e hotéis-fazenda. "É muito melhor. O problema é encontrar companhia para desistir da praia e ir a locais mais frios."

Tarefa nada fácil. Ás vezes, eles têm de ceder. O empresário Marcelo Bicalho, assumido plazófobo, vai ao Rio de Janeiro, a Porto Seguro, a Búzios, a Cancun para acompanhar a namorada e os amigos. Mas não põe o pé na areia, fica no apartamento, assiste a filmes, faz churrasco. Só sai à noite. O melhor de Cancun? "O shopping com ar condicionado", diz. A aversão a praia começou na infância, quando a mãe o lambuzava de protetor. "Acho que fiquei traumatizado. Dava pânico só de pensar."

Do que ele gosta mesmo é ir a Nova Iorque, Campos do Jordão e da noite de São Paulo. Aí se sente bem. Atividades culturais noturnas são a sua praia e também da modelo Bruna Araújo Betti, outra avessa a areia. "Sempre tive o hábito de acordar tarde." Claridade não lhe faz bem. Ela prefere viagens a Serra do Cipó, Tiradentes e sítios com a turma. "Antes, as pessoas cobravam mais. 'Como você não vai à praia?' Era quase obrigatório."

Mas existem casos em que realmente é mais difícil de explicar o porquê da aversão às praias. Jane Diniz Mascarenhas, por exemplo, morou no Rio de Janeiro e Fortaleza e nem isso a fez mudar de idéia. "Levava meus filhos, mas não entrava. Nunca fui de ficar exposta ao sol", diz. Acha que só ganhou com esse jeito diferente de ser: a pele sem manchas, viçosa. "Nunca fiz nenhum tratamento, nem cirurgia. Você deveria é falar dos males que o sol provoca." A pedido, seguem as informações sobre as conseqüências dos raios solares: no Brasil, onde o grau de insolação é alto, o câncer de pele é o mais comum dos tumores. Este ano, devem ser registrados 120 mil novos casos, crescimento de 5% em relação a 2004.

Por tudo isso, Jane acredita que há razões mais que suficientes para convencer outras pessoas a aderir à comunidade dos sem-praia. "Há Diamantina, com suas vesperatas, a Serra do Cipó, cruzeiro para Buenos Aires. Programas não faltam", diz ela. E Jane tem razão. Felizmente existem alternativas para todos os gostos. É só achar a sua praia.

MARCELO BICALHO, EMPRESÁRIO

SUGESTÕES:
São Paulo - A maior cidade do país é também a que tem mais opções de vida noturna e badalado circuito artístico. É roteiro indispensável para os antenados na vanguarda da moda, espetáculos teatrais, artes plásticas e musicais.
Campos do Jordão - No interior paulista, essa estância hidromineral é considerada a Suíça Brasileira por seu clima de montanha. Há restaurantes de todos os tipos de comida, igrejas com obras sacras, teleférico e ecoturismo pela serra da Mantiqueira, onde se localiza a cidade.

BRUNA ARAÚJO BETTI, MODELO

SUGESTÕES:
Serra do Cipó - A 100 km de Belo Horizonte, é um dos conjuntos naturais mais exuberantes do país. Possui relevo acidentado, com inúmeras cachoeiras, cavernas, cânions, sítios arqueológicos preservados. Local mais que propício para esportes de aventura e ecoturismo.
Tiradentes - Essa cidade mineira, no Campo das Vertentes, conserva ruas estreitas, calçamento de pedra, construções do século 18 e o bucólico movimento de cavalos e charretes. E alia a esse patrimônio arquitetônico a gastronomia. Lá, o tutu à mineira convive em harmonia com os sabores modernos.

LUIZA BOAVENTURA, JORNALISTA

SUGESTÕES:
Gramado - Pequena e charmosa, essa cidade na Serra Gaúcha é famosa pelo Festival de Cinema. Reúne conjunto de restaurantes de diversas especialidades, como os de comida italiana e alemã, além de cafés coloniais, churrascarias e os famosos chocolates. O lugar tem muito verde e explora o turismo rural e de aventura em parques e florestas, com pinheiros e hortênsias.
Ouro Preto - Patrimônio cultural da humanidade, a cidade exibe, nas suas ruas estreitas e ladeiras, magníficas construções, como as igrejas Nossa Senhora do Pilar e São Francisco de Assis - planejada e esculpida por Aleijadinho - e o teatro municipal. É privilegiada ainda pelas cachoeiras existentes na região.

FERNANDO TRINDADE, MÉDICO

SUGESTÕES:
Kailua Beach Park - Praia na ilha de Oahu, no Havaí, coberta por gramas, arborizada e oceano azul-turquesa. É um dos locais mais procurados por windsurfistas. Na ilha, ficam as montanhas Waianae e a cidade de Honolulu.
Parati - Cidade, no estado do Rio de Janeiro, preserva a história do Brasil nos seus casarões, igrejas e calçamento típico do século 17. Outros atrativos são restaurantes sofisticados e a semana literária, que reúne na cidade intelectuais de todo o mundo.

JANE DINIZ MASCARENHAS

SUGESTÕES:
Cruzeiro Marítimo - Entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires, na Argentina.
Diamantina - Incrustada no Vale do Jequitinhonha, a cidade encanta por sua história, ladeiras de pedra e casarões do século 18. E no meio de toda essa história preservada, acontece a vesperata. A ladeira da rua da Quitanda fica tomada por mesinhas onde o público pode beber vinho e comer petiscos da região.

   
   
 
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