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Estado de Minas SAúDE

Tiques nervosos podem indicar doenças ou traumas reprimidos

Roer unha, piscar rapidamente ou arrancar fios de cabelo podem representar mais do que apenas uma "mania"


postado em 25/07/2014 17:06 / atualizado em 06/04/2015 10:25

Muita gente roeu as unhas no jogo entre Brasil e Alemanha, pela seminfinal da Copa do Mundo. O jogo histórico mexeu com os nervos do torcedor brasileiro. Essa maneira de aliviar o estresse é bastante comum, mas pode virar um tique nervoso e, o mais sério, tornare-se um caminho sem volta. Outras "manias" consideradas tique também são um reflexo da necessidade de se distrair ou entreter o cérebro, dizem os especialistas.

A jornalista Marina Duarte começou a puxar a pele dos lábios com as mãos e a morder a parte interna das bochechas quando tinha 18 anos. "Acho que começou nessa época, por ter sido uma fase de decisões como o fazer prova de vestibular e tirar a carteira de motorista", acredita. Passados oito anos, ela ainda mantém esse hábito. "Eu nunca percebo quando começo a puxar o lábio. Quando dou por mim, já estou fazendo. Às vezes chega a sangrar", conta. Como a jornalista diz não se sentir incomodada com a "mania", e que isso não atrapalha sua rotina, ela ainda não sentiu necessidade de buscar ajuda de um médico para acabar com esse problema.

Um dos tiques mais comuns, o de roer as unhas, pode parecer inofensivo e apenas um embaraço estético, já que a beleza das mãos fica comprometida. Mas, como explicam os especialistas, esse hábito pode ser prejudicial à dentição, à musculatura e à articulação da mandíbula. Além disso, também é uma porta de entrada para bactérias, quando a mania se estende para as cutículas – microorganismos podem entrar no corpo através das feridas.

A faixa etária em que se percebeu a maior incidência de tique é entre 7 e 11 anos. Além disso, o problema acomete mais crianças brancas e residentes em áreas urbanas, segundo a Sociedade Brasileira de Neurociência.

Em casos mais severos, em que a pessoa se sente constrangida ou incomodada, é aconselhado tratamento psicológico e medicamentoso. De acordo com a psiquiatra Sofia Bauer, o desenvolvimento de um tique nervoso indica uma baixa de serotonina no organismo. Esse neurotransmissor faz com que a pessoa fique mais calma, além de ganhar uma postura mais positiva e alegre. A especialista ressalta ainda a importância de se consultar um médico: "O tique pode ser um sintoma de transtorno de ansiedade generalizada, de transtorno bipolar ou de depressão ansiosa. De qualquer forma, é bom procurar um psiquiatra".

Cuidados desde cedo

Os sintomas de hiperatividade e de déficit de atenção podem surgir desde a infância. A maior ocorrência é em meninos entre 7 e 17 anos, e hábitos como cutucar feridas, arrancar cabelos ou cílios pode ser um indicativo dessas doenças. "A criança muito agitada não sabe o que fazer com as mãos e acaba realizando ações repetitivas. Geralmente, o tique desperta quando ela descobre a realidade da vida", explica Sofia Bauer, que lembra ainda que o momento em que a criança nota que papai Noel não existe, e os pais são simples seres humanos, é uma fase de descobertas que pode ser angustiante.

Como tratamento, apenas medicação não é o suficiente. "O remédio, em si, não faz ninguém parar de roer unhas, por que essa ação já virou um hábito. É preciso conciliar o medicamento com a terapia", afirma a médica.

Nem sempre são usados remédios de uso controlado para se tratar um tique. Esses são mais indicados para fobias e para a síndrome do pânico. "Nos casos de tiques nervosos, recomendamos o uso de antidepressivos com antipsicóticos e moduladores de humor. Isso depende, claro, de cada pessoa, e se o problema é um transtorno de ansiedade. Varia conforme o quadro clínico do paciente", diz a psiquiatra.

De acordo com a especialista, os tiques são mais complicados de se tratar do que o chamado TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). O TOC é mais fácil de ser tratado e tem mais sucesso na cura, na maioria dos casos, por responder melhor a medicamentos.

Um tique nervoso que deve receber atenção redobrada dos pais é o piscar de olhos repetidamente e de forma rápida. Esse hábito, na verdade, vai além de um tique, e pode indicar um trauma sofrido pela criança, como abuso sexual, separação não amigável dos pais ou outro evento que a tenha marcado psicologicamente para o resto da vida. "O piscar de olhos de forma excessiva é um sintoma de uma situação em que a criança não quer enxergar algo que esteja acontecendo á sua volta", diz a psiquiatra Ou seja, é uma forma inconsciente de a pessoa mostrar que não está bem.

Veja abaixo alguns do tique nervosos mais comuns:

(foto: Heitor Antonio/Encontro Digital)
(foto: Heitor Antonio/Encontro Digital)

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