Astrônomos descobrem porque a água 'sumiu' de Vênus

O planeta 'primo' da Terra é cheio de 'ventos elétricos', que expulsaram as moléculas de água

por João Paulo Martins 20/06/2016 15:21

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NASA Ames/JPL-Caltech/T. Pyle
Cientistas da Nasa acabam de revelar que, apesar de ser "parecido" com a Terra, Vênus possui "ventos elétricos" que foram responsáveis pelo fim da água que havia em sua superfície (foto: NASA Ames/JPL-Caltech/T. Pyle)
Apesar de ser parecido com a Terra, o planeta Vênus sempre intrigou os cientistas pelo misterioso "sumiço" de suas reservas de água. Porém, um estudo publicado nesta segunda, dia 20 de junho, no periódico científico Geophysical Research Letters, revela a razão para o desaparecimento desse elemento da superfície de Vênus: "ventos elétricos".

"É algo incrível e surpreendente. Nunca imaginamos que o 'vento elétrico' pudesse ser tão forte a ponto de, literalmente, sugar o oxigênio da atmosfera para o espaço", diz o astrofísico Glyn Collinson, do Centro Espacial Goddard, da Nasa, co-autor do estudo, no texto publicado nesta segunda.

Os cientistas da Nasa descobriram que os "ventos elétricos" que circulam na atmosfera de Vênus acabam expulsando as moléculas de água para o espaço. Isso é possível graças ao campo elétrico do planeta, que induz os íons presentes na atmosfera a se movimentarem no sentido oposto ao da origem da carga elétrica e, assim, acabam criando as correntes de vento. O movimento dos íons faz com que as moléculas neutras, como as de água (H2O), sejam arrastadas e levadas para fora do "primo" da Terra.

Essa observação foi possível graças à sonda espacial Vênus Express, da Agência Espacial Europeia, que orbita o segundo planeta de nosso Sistema Solar desde 2006. De acordo com Glyn Collinson, ainda não é possível dizer por que o campo elétrico criado na atmosfera de Vênus é bem mais forte que o da Terra. Mas, ele acredita que a explicação possa estar na maior proximidade com o Sol. Isso faz com que o planeta receba duas vezes mais radiação ultravioleta do que a superfície terrestre.

A descoberta ganha ainda mais valor ao gerar um novo paradigma para os astrônomos. Ela pode reduzir o número de planetas capazes de suportar vida, pois, aqueles que orbitam na chamada "zona habitável" de suas estrelas, podem sofrer as mesmas consequências dos "ventos elétricos" que dizimaram a água de Vênus.

(com Agência Sputnik)

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