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Estado de Minas RELIGIãO

Após a prisão dos supostos terroristas muçulmanos, será que a islamofobia se instalará no Brasil?

Membro da Comunidade Islâmica de Belo Horizonte acredita que isso pode, sim, acontecer em breve


postado em 25/07/2016 08:09

Na manhã da quinta-feira, dia 21 de julho, a Polícia Federal (PF) prendeu 10 pessoas que, supostamente, estariam planejando atos terroristas durante as Olimpíadas do Rio 2016. A operação da PF, intitulada Hashtag (ou #, que acompanha palavras-chaves nas redes sociais), foi a primeira baseada na Lei 13.260, de 2016, mais conhecida como Lei Antiterrorismo. Porém, a prisão dos supostos terroristas no Brasil pode criar um ambiente em que predomina a islamofobia (medo dos muçulmanos)?

Nos Estados Unidos e na Europa são comuns os casos de preconceito contra membros da comunidade islâmica – islamofobia –, sobretudo por causa dos atentados terroristas que ocorrem constantemente nestes locais. Uma das provas da existência deste preconceito foi revelada pela pesquisa realizada pela Comissão Europeia em 2015, em que apenas 43% dos 28 mil entrevistados disseram que aceitariam que seus filhos se relacionassem com mulçumanos.

E no Brasil?

De acordo com Daniel Yussuf, membro da Comunidade Islâmica em Belo Horizonte, os brasileiros ainda não têm preconceito contra os mulçumanos, como acontece na Europa e nos Estados Unidos, mas isso pode vir a acontecer. "Com a criação da Lei Antiterrorismo e a prisão dessas pessoas, que considero serem 'bodes expiatórios', está sendo criado um clima muito perigoso no Brasil, que é propício para o surgimento da islamofobia", diz o especialista.

Ainda segundo o representante árabe em BH, "a maneira superficial como a grande mídia brasileira está noticiando as prisões contribui muito para um possível surgimento do preconceito contra mulçumanos no país".

Isis e Islã

Para Daniel Yussuf, os membros do grupo terrorista Isis (sigla em inglês para Estado Islâmico) e seus simpatizantes jamais devem ser confundidos com seguidores do islamismo. "O islã é uma religião que prega a paz. O que essas pessoas fazem é totalmente o contrário. Se eles matam, não devem ser considerados religiosos, mas sim, criminosos. Este grupo se autodenomina Estado Islâmico, mas não nos representa em nenhum aspecto", afirma o especialista.

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