Incidência de doença cardiovascular em mulheres supera os tumores ginecológicos

Cardiologista alerta para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce

por Encontro Digital 29/08/2016 18:09

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Diabetes, hipertensão e altas taxas de colesterol favorecem o aparecimento de problemas cardíacos nas mulheres. As doenças do coração matam mais que os tumores ginecológicos (foto: Pixabay)
As doenças do coração são a principal causa de morte no Brasil e no mundo. Entre as mulheres, as cardiopatias representam cerca de 30% das causas de óbito, superando as estatísticas de cânceres ginecológicos, como mama e ovário, por exemplo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, anualmente, essas doenças vitimam cerca de 8,5 milhões de mulheres em todo o mundo.

Dupla jornada de trabalho, tabagismo, sedentarismo, má alimentação e obesidade estão entre os fatores que levam ao aumento no número de morte de mulheres, principalmente entre aquelas com mais de 40 anos, por infarto e outras doenças cardiovasculares. Isso acontece porque as que sofrem um ataque cardíaco são as que acumulam mais fatores de risco: diabetes, hipertensão e altas taxas de colesterol.

Segundo o cardiologista César Jardim, do Hospital do Coração, em São Paulo, a complicação do infarto, entre as mulheres, pode ser ainda maior, devido ao diagnóstico tardio e por, raramente, sentirem os sintomas clássicos, como os homens. "As doenças cardiovasculares podem ser assintomáticas e até fatais já na primeira manifestação, como o infarto e o acidente vascular cerebra [AVC]. No primeiro ano após sofrer um infarto, as mulheres têm 50% mais chances de morrer do que os homens", informa o cardiologista.

Cansaço extremo, dor na parte superior do abdome, costas e pescoço, acompanhados de náusea, enjoo, tontura, sudorese excessiva são alguns alertas do corpo de que algo não está caminhando bem. Conhecê-los e saber identificar as várias manifestações das principais doenças cardiovasculares é fundamental para evitar possíveis complicações. "Tudo tem de ser analisado e valorizado. Com um simples eletrocardiograma e uma dosagem de sangue é possível fazer o diagnóstico de infarto", explica o especialista.

Pequenas mudanças na rotina são capazes de evitar oito em cada 10 casos de doenças cardíacas, segundo o cardiologista do Hospital do Coração. O primeiro passo é se submeter a exames preventivos, ou seja, um check-up geral. "Os mais indicados são eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico e exames laboratoriais. Os resultados destes exames permitem analisar e tratar alguma patologia antes das complicações", explica César Jardim.

Dicas importantes:

  • Alimentação: dê preferência aos alimentos ricos em fibras e com baixo teor de gordura, que auxiliam na redução do colesterol ruim, o LDL. Soja, feijão, grão de bico, tomate, peixes, azeite, alho, banana e castanhas são ótimas opções

  • Exercícios: atividade física de intensidade moderada faz um bem danado ao coração. Trinta minutos diários já são capazes de derrubar pela metade o risco de morte

  • Estresse: alimentar aquele momento de fúria pode aumentar o risco de infarto. Antes de extravasar, tente se afastar da situação ou respirar fundo por 10 s. Isso pode ajudar a reduzir os níveis de adrenalina

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