Mineira vende almoço a R$ 15 no Parque Olímpico e 'desbanca' concorrência do COI

Morando no Rio há 22 anos, Suely foi despejada da Vila Autódromo e está se 'vingando' da Olimpíada

por Encontro Digital 05/08/2016 14:19

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Roberto Castro/ME/Brasil2016/Divulgação
Frequentadores do Parque Olímpico, no Rio de Janeiro, se forem almoçar no restaurante administrado pelo COI, pagam R$ 98 o quilo. Já a marmita de dona Suely custa apenas R$ 15 (foto: Roberto Castro/ME/Brasil2016/Divulgação)
A comida caseira ter porções generosas, ótimo sabor e preço módico: três colheres generosas de arroz, três conchas de feijão, um tipo de carne, salada e ainda sobremesa por apenas R$ 15. Um tipo de comida assim seria inimaginável no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, onde o "restaurante do COI [Comitê Olímpico Internacional]" cobra R$ 98 por quilo de comida, se não fosse a iniciativa da mineira Suely Pereira Gomes e sua família.

Desalojados da sua casa na Vila Autódromo por causa das obras do complexo olímpico, a família conseguiu "se vingar" dos organizadores das Olimpíadas vendendo refeições por preços mais de seis vezes mais baratos do que os cobrados por profissionais que passam diariamente pelo local. O resultado tem sido um ganho extra por causa dos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

O sucesso do almoço de dona Suely é mais um capítulo de uma história que começou há 22 anos. "Em 1994, eu saí de Belo Horizonte para morar na Vila Autódromo. Meus filhos eram pequenos e eu trabalhei por muitos anos como cozinheira no Autódromo de Jacarepaguá. Fazia quentinhas [marmitas] para outros locais também. Quando o autódromo foi fechado, fiquei só com as quentinhas. E aí veio a ordem de a gente sair do local por causa das Olimpíadas", conta.    

Dona Suely morava com o marido e filhos em uma casa de 110 m², com pátio de 26 m² que tinha pés de romãs plantados. Os filhos, Fábio e Patrícia, optaram por sair da Vila Autódromo quando surgiu a proposta de desalojamento. "Hoje me arrependo da escolha. Os apartamentos do Minha Casa, Minha Vida são uma tristeza", diz Fábio.

Dona Suely e o marido resolveram resistir à remoção, que segundo ele acredita, teria sido feita pela Prefeitura do Rio por causa da hipervalorização do local. Depois de muito lutar, ela saiu de um container em que estava morando para ir para uma casa de 55 m² próximo ao Parque Olímpico. "Perdi uma casa com pátio e ganhei uma com metade do tamanho", afirma a cozinheira.

No prejuízo por causa do tamanho do imóvel, Suely está recuperando um pouco do lucro no Jogos Olímpicos. Com o reforço dos filhos, ela diz que está fazendo cerca de 200 refeições por dia. "Já teve gente da Suécia, da França, e até da China que provou o meu feijão. Uma coisa importante. Também vendo muito para motorista e peões, que não teriam dinheiro para comprar refeição lá dentro", diz a mineira.

(com Portal EBC)

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