Lição de vida: portador da doença dos 'ossos de vidro' lança livro sobre amizade e inclusão

O brasiliense Alexandre Abade não se abateu. Foi alfabetizado aos 17 anos e tem dois cursos superiores e uma pós-graduação

por Encontro Digital 09/09/2016 10:54

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Arquivo Pessoal/Sputnik/Reprodução
O escritor Alexandre Abade, de Brasília (DF), portador da doença dos "ossos de vidro", é um exemplo de superação e lição de vida (foto: Arquivo Pessoal/Sputnik/Reprodução)
Exemplo de superação e determinação. É assim que podemos descrever a história do escritor Alexandre Abade, de 37 anos, morador de Brasília (DF). Ele sofre com a rara doença osteogênese imperfeita, conhecida popularmente como "ossos de vidro", que causa fraturas pelo corpo. Apesar desse problema grave, ele trabalha para conscientizar as pessoas sobre inclusão e sua história de superação.

Diagnosticado com a doença desde os 2 anos de idade, Alexandre só conseguiu ser alfabetizado aos 17 anos. Hoje, ele tem duas graduações e uma pós graduação, em Gestão de Marketing e Administração de Empresas, além de diversos cursos de aperfeiçoamento profissional.

Para ajudar as crianças e adolescentes a lidar com as limitações das diferentes deficiências e da mobilidade reduzida, Alexandre Abade lançou, oficialmente, em Brasília, na quinta, dia 8 de setembro, seu segundo livro, intitulado Amigos que Fazem a Diferença – Inclusão e Ação. Em entrevista exclusiva à agência russa de notícias Sputnik, Alexandre conta que até os 4 anos de idade teve uma infância limitada. Vivia no colo dos familiares, já que o menor movimento poderia lhe causar fraturas pelo corpo.

"Eu tive uma infância limitada. Andava até uma determinada idade, levado pelas mãos dos meus pais e de familiares. Mas, devido à fragilidade dos ossos, ficaram comprometidos os meus braços e as minhas pernas. Movimentos leves já ocasionavam fraturas", diz Alexandre.

Além das fraturas, o brasiliense explica que os antibióticos que tomava devido às constantes fraturas deixou sua imunidade muito baixa, o que acarretava outros problemas de saúde, como gripes e pneumonias. Dos 8 aos 12 anos, o escritor conta que não tinha uma perspectiva de vida futura e os médicos, inclusive, o desenganaram, dizendo que não passaria dos 13 anos.

"Os médicos me deram um curto prazo de vida, porque a fragilidade dos ossos era tanta, que eles temiam que eu não chegasse a viver até os 13 anos", revela Alexandre Abade. Apesar o diagnóstico negativo, os pais do escritor nunca desistiram e foram em busca de novas formas de controle da doença. Com fé e tratamento pela Medicina natural, ele conseguiu iniciar seus estudos com 17 anos.
Arquivo Pessoal/Sputnik/Reprodução
Apesar de ter começado sua alfabetização aos 17 anos, Alexandre já tem duas graduações e uma pós-graduação, além de dois livros publicados (foto: Arquivo Pessoal/Sputnik/Reprodução)

"Nessas idas e vindas dos hospitais, conhecemos um outro lado da Medicina, a natural. Com 15 anos, comecei a tomar esses remédios e venci o prazo de vida que os médicos me deram. Com 17 anos, sofri a última fratura. Foi aí que comecei a minha primeira alfabetização, meu primeiro contato com a escola, lápis e caderno. Daí pra frente, não parei mais", afirma o brasiliense.

O escritor realmente foi além. Venceu a fase da alfabetização, do ensino fundamental e médio, com muita determinação, apesar do preconceito e da dificuldade de aceitação dos colegas de escola. Após o ensino médio, Alexandre deu continuidade à sua busca pelo conhecimento e passou em primeiro lugar no vestibular para Gestão de Marketing, em 2007. "Eu tive algumas dificuldades de aceitação, de pessoas que não sabiam como lidar. Em princípio, existe uma visão de que o deficiente não é capaz, e acho que ainda existe esse preconceito. Mas, estamos vencendo, estamos mostrando o contrário, que tudo é possível", diz.

Segunda obra

De acordo com Alexandre, a ideia de escrevere um segundo livro, que é uma produção independente, surgiu como um pedido de sua sobrinha Mariana, de 11 anos. Ela pediu que ele falasse para os jovens sobre amizade e inclusão. Para a realização da obra, o escritor contou com a coautoria da amiga Sarah Sena. "Minha sobrinha falou que os jovens podem ter uma outra visão sobre o deficiente, se falasse com eles na linguagem do adolescente. Uma forma de trabalhar com a nova geração é por meio de um livro que mostre que eles precisam amadurecer e e se tornem capazes, que se valorizem. Da criança, passando pela adolescência, até a fase adulta, é preciso ver o que se fez de errado para, então, corrigir. Que se tenha autonomia para dizer não ao preconceito, que se dê a mão a quem necessita, aos portadores de deficiência física, ao deficiente visual, com Síndrome de Down e às pessoas de mais idade", conta.

Além do novo livro, Alexandre Abade está inaugurando também um canal no YouTube, chamado Os Imperfeitos. Junto com outras três amigas, ele fala sobre inclusão social, mostrando a acessibilidade ou a falta dela no cotidiano das cidades.

(com Agência Sputnik)

Últimas notícias

Comentários