Com Donald Trump e os conflitos na Síria e na Ucrânia, teremos a Terceira Guerra Mundial?

Especialista analisa as perspectivas para o mundo após a eleição do republicano como presidente dos Estados Unidos

por Vinícius Andrade 10/11/2016 09:50

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Michael Vadon/Divulgação e Pixabay e Studyabroadcounselling.blogspot.com.br/Reprodução
(foto: Michael Vadon/Divulgação e Pixabay e Studyabroadcounselling.blogspot.com.br/Reprodução)
Passada a surpresa com a vitória do republicano Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos, o mundo tenta, agora, assimilar o resultado inesperado e traçar um panorama político, social e econômico para os próximos anos. A vitória do magnata se dá em um momento de tensão generalizada, especialmente na Europa e no Oriente Médio.

A movimentação de tropas e maquinário bélico pelos EUA, Rússia e países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Europa relembra o cenário da Guerra Fria, período compreendido entre 1945 e 1991 que foi marcado pelos conflitos indiretos entre os americanos e a extinta União Soviética.

Além disso, a guerra civil da Síria e a conturbada vida política da Ucrânia são combustíveis para levantar a tese de um possível conflito mundial. Com a eleição de Trump, a sensação de um embate iminente se torna ainda maior. Poderemos ter uma Terceira Guerra Mundial num futuro próximo?

Segundo Andrea Oliveira, professora de comércio exterior da Una, essa é uma teoria exagerada, mas a especialista projeta sérios conflitos em um futuro breve. "Historicamente, governos republicanos promoveram guerras com outros países para reerguer a economia interna. Podemos, sim, temer conflitos mais graves", reforça a professora.

EUA x Rússia ou EUA e Rússia?

Mas, de que forma as potências mundiais estariam agrupadas em um possível enfrentamento? EUA e Rússia, por exemplo, são inimigos históricos. Atualmente, a relação entre eles é ainda mais conturbada, já que os europeus defendem o regime sírio, enquanto os norte-americanos oferecem apoio não letal aos rebeldes. A eleição de Trump, no entanto, poderia mudar esse cenário.

Durante toda a campanha eleitoral à Casa Branca, o presidente russo Vladimir Putin e o magnata republicano trocaram elogios. Após a definição da disputa, o líder russo comentou que as relações entre seu país e os EUA poderão sair da crise.

Para Andrea Oliveira, a possível aliança entre os mandatários pode interferir na Síria. "Se os dois ficarem do mesmo lado, o conflito interno na Síria não será resolvido. Eles vão apoiar um governo mais conservador. Contudo, Rússia e Estados Unidos poderão ser aliados", analisa a especialista em comércio exterior.

União Europeia como inimiga?

Uma possível aproximação norte-americana com a Rússia não é bem vista pela União Europeia (UE). O bloco que reune 28 países europeus corre o risco de perder um aliado comercial e militar, além de ver os movimentos populistas e nacionalistas – que contribuíram para a saída da Grã-Bretanha do grupo, por exemplo – se fortalecerem.

"A União Europeia não está em um momento para bancar conflito, pois passa por divergência interna. Mas, se Putin e Trump ficarem do mesmo lado para defenderem o atual governo sírio, pode ser que a UE fique do lado oposto em defesa da democracia", projeta Andrea Oliveira.

Só no discurso?

Todas as projeções de um possível conflito mundial estão embasadas no discurso polêmico de Donald Trump durante a corrida eleitoral, como, por exemplo, a construção de um muro para supostamente solucionar o problema imigratório americano, além da intenção de expulsar os muçulmanos do país. A professora de comércio exterior alerta, no entanto, que nem todas as promessas do republicano deverão vigorar.

"Uma coisa é o discurso para ganhar eleição, outra é a postura como presidente. Além disso, o legislativo americano é muito atuante. O executivo não pode sair fazendo o que quiser. Somente em meados de 2017 saberemos como será o governo de Trump", destaca Andrea.

Mas, caso o discurso do magnata saia do campo das ideias, a perspectiva não é animadora, de acordo com a especialista. "Na quarta-feira [9 de novembro] acordamos com medo de um futuro tenebroso. Se ele [Donald Trump] mantiver tudo que prometeu, com certeza teremos grandes conflitos", aposta a especialista.

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