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Estado de Minas CIDADES

Depois do arranha-céu, construção de torres no bairro Santa Tereza causa polêmica

Moradores questionam projeto que prevê a construção de três torres de 80 m cada, em terreno em frente ao Boulevard Shopping


postado em 20/01/2017 08:15

Sai ano, entra ano e a novela sobre a construção de um megaempreendimento no bairro Santa Tereza, região leste de Belo Horizonte, continua a mesma. Dois projetos já foram barrados. Agora, a PHV Engenharia, detentora do terreno de 100 mil m², tenta emplacar um empreendimento orçado em R$ 1 bilhão e idealizado pelo escritório de arquitetura FarKasVölGyi. O plano é construir um condomínio comercial com três torres de 80 m de altura e mais de 20 andares cada.

O projeto já foi apresentado ao Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte, mas ainda precisa ser votado na Câmara Municipal. A expectativa é que, com a retomada das atividades parlamentares, a partir de fevereiro, a pauta possa ser apreciada. O empreendimento, no entanto, demandaria a desapropriação da comunidade Vila Dias, que se instalou em parte do terreno, de forma irregular, em 1948. A vila fica entre a avenida dos Andradas e a rua Conselheiro Rocha, em frente ao Boulevard Shopping.

Outro entrave para a viabilidade da obra é a classificação do bairro, e também da região, como Área de Diretrizes Especiais, definida pela secretaria municipal de Políticas Urbanas. Essa atribuição demanda especificações urbanísticas diferenciadas. No Santa Tereza, por exemplo, as construções precisam ter um limite de 15 m de altura, conforme diz a Lei 8.137 de 21 de dezembro de 2000. Além disso, o bairro é tombado pelo patrimônio cultural da cidade.

Os empreendedores alegam, no entanto, que a região entre a rua Conselheiro Rocha e a avenida dos Andradas não é contemplada pelas legislações protecionistas, o que daria o aval para a construção das torres. "O país está sem dinheiro, e quando alguém quer investir, esbarra em bobagens. Se fosse em São Paulo ou no Rio de Janeiro, a obra já estaria em andamento", critica Rogério Martins, diretor técnico da PHV.

A construtora ainda faria uma contrapartida para aliviar possíveis transtornos ao trânsito da região. Pelo projeto do empreendimento, está prevista a construção de uma alça viária que fará a ligação entre a rua Conselheiro Rocha e a avenida dos Andradas.

Oposição

Para o advogado Luiz Fernando Vasconcelos, que defende os moradores da Vila Dias, a comunidade seria diretamente impactada pela construção das torres. "Pelo porte do empreendimento, fatalmente haveria um processo de expulsão dos moradores das vilas Dias e São Vicente. As próprias imagens do projeto dão a entender que as vilas não existem", esclarece o advogado.

Outro ponto questionado por Luiz Fernando diz respeito à questão paisagística. Segundo ele, com a construção das três torres de 80 m de altura, parte dos moradores do bairro Santa Tereza deixaria de avistar as montanhas que cercam a cidade e até mesmo a paróquia de Santa Tereza, um dos símbolos da região.

Um projeto de 2012, que previa a construção de um arranha-céu de 85 andares no bairro Santa Tereza gerou muita polêmica(foto: Farkasvölgyi Arquitetura/Reprodução)
Um projeto de 2012, que previa a construção de um arranha-céu de 85 andares no bairro Santa Tereza gerou muita polêmica (foto: Farkasvölgyi Arquitetura/Reprodução)

Arranha-céu

O local escolhido para o megaempreendimento é o mesmo que a PHV Engenharia havia planejado construir, em 2012, o que seria o maior edifício da América Latina. Na época, o projeto, também do escritório FarKasVölGyi, previa a construção de um arranha-céu com 85 andares e 350 m de altura. Após muita polêmica, o projeto acabou sendo arquivado.

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